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Edição de 31-10-2019
Jornal Online

SECÇÃO: Destaque


ELEIÇÕES LEGISLATIVAS 2019

Resultados e análises das Eleições Legislativas 2019

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O PS venceu, ainda que sem maioria, as Eleições Legislativas de 2019, as quais ficam igualmente marcadas pela ascensão parlamentar de pequenos partidos (Livre, Iniciativa Liberal e Chega) e pela queda acentuada de históricas forças partidárias (CDS-PP, sobretudo). Estes foram alguns factos retirados do ato eleitoral de 6 de outubro passado, que deu a vitória ao PS, com 36,34 % dos votos e 108 deputados (ganha mais 23 em relação às Legislativas de 2015), com uma vantagem de quase nove pontos percentuais em relação ao PSD, que ficou nos 27,76 % (elegeu 79 deputados, menos 10 do que nas Legislativas de há quatro anos). A vitória sem maioria obrigou António Costa nos dias seguintes a estas eleições a procurar entendimentos à esquerda, no sentido de criar uma nova versão da “geringonça”, mas sem acordos escritos à vista os socialistas anunciaram posteriormente a decisão de governarem sozinhos na nova Legislatura e fazer acordos pontuais com os partidos de esquerda. Mas centremo-nos nos resultados de 6 de outubro. O segundo partido mais votado foi, como vimos, o PSD. Olhando à História, este foi o terceiro pior resultado de sempre dos social-democratas em Legislativas, superado apenas pelos 24,4 % de Sá Carneiro em 1976 e pelos 27,2 % de Mota Pinto em 1983. Porém, nas palavras de Rui Rio, assim que os resultados de 6 de outubro foram quase na sua totalidade apurados, esta derrota não esteve nem perto de ser um desastre, afastando então o cenário de demissão da liderança do partido.

Logo a seguir ao PSD surgiu o Bloco de Esquerda (BE) com 9,52 % dos votos, consolidando-se desta forma como a terceira política em Portugal. No entanto, este resultado esteve abaixo do que se verificou há quatro anos (10,22 %), tendo os bloquistas tido em 2019 menos 49.861 votos do que em 2015. Mantiveram, no entanto o número (19) de deputados no Parlamento. Perderam deputados em alguns círculos (Porto e Madeira), mas ganharam noutros (Aveiro e Braga).

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Muito atrás do BE surge a CDU, com 6,33 por cento, um mau resultado nas contas do secretário geral do PCP, Jerónimo de Sousa, seguindo assim o espiral de maus resultados dos comunistas nos últimos atos eleitorais (Presidenciais de 2016, Autárquicas de 2017 e Europeias de 2019). Comparativamente às Legislativas de 2015 a CDU desce quase dois pontos percentuais e perde cinco deputados. Este é o pior resultado da coligação em Legislativas, superando assim os 6,9 % de 2002.

Pior só o CDS-PP. Os populares saem destas Legislativas de 2019 vergados a uma pesada derrota (a maior da sua história em Legislativas), com 4,22 % dos votos. Face a esta hecatombe eleitoral o CDS-PP perde 13 deputados, passando para cinco. Este resultado levou Assunção Cristas, a presidente do partido, a anunciar a convocação de um conselho extraordinário e dando desde logo a garantia de que não se iria recandidatar. A título de curiosidade refira-se que nestas eleições o CDS-PP e o PSD juntos obtiveram um resultado inferior ao que foi alcançado há quatro anos quando surgiram coligados (31,98 em 2019 contra os 36,83 de 2015).

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A “morder os calcanhares” aos populares esteve um dos vencedores destas eleições, o PAN. Com 3,32 % - menos de um ponto percentual em relação ao CDS-PP - o PAN quadriplicou a sua presença na Assembleia da República (AR), passando de um deputado (eleito em 2015) para quatro na nova legislatura.

Como já foi referido no início, estas eleições ficam ainda marcadas pela entrada de novos partidos na AR, constituindo-se aqui um novo facto histórico em Portugal: pela primeira vez estarão representados no Parlamento nove partidos. Tal facto, deve-se à entrada em “cena” do Iniciativa Liberal (1,29 %), do Chega (1,29 %) e do Livre (1,09 %), que elegeram, cada um deles, um deputado. Outro ponto relevante extraído da noite eleitoral de 6 de outubro foi (mais uma vez) a abstenção, que continua a atingir números preocupantes: 51,43 %, (Nota: Todos os resultados aqui apresentados são os finais, estando incluídos os votos dos círculos de emigração).

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Fazendo agora uma breve análise aos resultados verificados no Distrito do Porto, algumas notas saltam à vista. A primeira é que o PS venceu praticamente com a mesma percentagem obtida a nível nacional (36,34 %), garantindo mais três deputados por este círculo eleitoral do que há quatro anos; a segunda é que quer o PSD, quer o BE registaram resultados acima dos verificados em termos nacionais (31,16 % para os social-democratas e 10,12 % para os bloquistas); a terceira é que a CDU teve um resultado inferior (4,80 %) ao que foi registado no plano nacional; a quarta é que o PAN superou o CDS-PP nas intenções de voto (3,46 % do PAN contra os 3,34 % dos populares); e a quinta é que o R.I.R, liderado por Tino de Rans, ficou à frente de partidos que vão ter assento parlamentar na nova Legislatura, nomeadamente o Livre e o Chega. Relativamente à abstenção, ela foi menor (41,41 %) do que a nível nacional.

Uma última nota para a constatação do caos verificado em muitos locais de voto no país (Ermesinde não foi exceção), com longas e demoradas filas em virtude de haver um maior número de eleitores concentrados na mesma secção de voto.

 

 

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