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Edição de 31-10-2019
Jornal Online

SECÇÃO: Destaque


Assinado no Centro Social de Ermesinde o Protocolo de Cooperação da Escola Segunda Oportunidade de Valongo

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Foi assinado no passado dia 14 de outubro o Protocolo de Cooperação da Escola Segunda Oportunidade de Valongo (E2OV) entre os parceiros Centro Social de Ermesinde (CSE), Câmara Municipal de Valongo (CMV), Agrupamento de Escolas de Ermesinde (AEE) e a DEGEstE (Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares).

Esta cerimónia teve lugar nas oficinas da E2OV, um espaço alugado pelo CSE onde decorrem as aulas de cariz mais prático da escola, tendo contado com a presença de inúmeras personalidades ligadas às entidades/instituições parceiras que no nosso concelho colocam em prática uma medida de educação/formação que na sua génese visa combater o abandono escolar precoce, isto é, dar respostas a adolescentes e jovens adultos que abandonaram a escola sem concluir a sua formação (escolaridade obrigatória) e que no presente, sem qualificações nem emprego, estejam à beira da (ou já em) exclusão social. Recorde-se que deste projeto, destinado a jovens entre os 15 e os 25 anos de idade, já demos conta de forma mais ampla e detalhada na nossa última edição impressa.

Relativamente à cerimónia de assinatura deste protocolo, que inicialmente era para ter contado com a presença do Secretário de Estado da Educação, João Costa, mas que à última hora por motivos de força maior não se pôde deslocar a Ermesinde, tendo sido representado pelo Delegado Regional de Educação da Região Norte, João Gonçalves, contou com a presença de vários dirigentes do CSE, com destaque para o presidente da Direção, Henrique Rodrigues, e ainda para o presidente da CMV, José Manuel Ribeiro, que se fez acompanhar de alguns dos vereadores do seu Executivo, bem como para a Diretora do AEE, Ana Maria Cortez. Igualmente presentes estiveram o presidente da Junta de Freguesia de Ermesinde, João Morgado, e Luís Mesquita, Diretor da Escola Segunda Oportunidade de Matosinhos, a primeira entidade em Portugal a trabalhar esta problemática do abandono escolar precoce.

Após uma breve apresentação/visita guiada, por parte de Henrique Rodrigues, a algumas valências do CSE, bem como de outros pontos onde (no seio da instituição) se desenvolve a E2OV, os convidados seguiram para as oficinas da escola, tendo sido recebidos não só pelos alunos – que ali presentearam os convidados com um pequeno apontamento de dança e declamação de um texto em prosa poética sintetizando no fundo aquilo que são, ou significam para os alunos, as Escolas Segunda Oportunidade - texto esse, aliás, elogiado mais à frente por João Gonçalves.

As honras da casa foram feitas por Albertina Alves, Diretora Técnica do Centro de Formação e Emprego do CSE, a valência responsável por esta resposta pública de educação/formação. A acompanhá-la estiveram diversos professores da escola, técnicos da instituição, bem como Florentino Silva, o coordenador da escola, e Sérgio Garcia, técnico de inovação e desenvolvimento da E2OV. Assinado o protocolo pelas quatro entidades/instituições parceiras foi altura dos seus representantes dirigirem algumas palavras aos convidados.

NÃO DEIXAR NINGUÉM PARA TRÁS

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O presidente da Direção do CSE, Henrique Rodrigues foi o primeiro a usar da palavra, saudando o empenhamento do Secretário de Estado da Educação, João Costa, no que concerne ao enquadramento legal desta medida de educação/formação.

Agradeceu ainda às restantes entidades que subscreveram juntamente com o CSE este protocolo, a vontade de acompanharem o Centro nesta iniciativa, lembrando que a cooperação com o Município de Valongo e o AEE tem constituído desde há muito tempo um parâmetro do trabalho comunitário do CSE junto das pessoas e famílias mais vulneráveis. Ainda no capítulo dos agradecimentos fez uma alusão ao apoio e incentivo à conceção e desenvolvimento deste projeto que foi sempre assegurado pela Escola Segunda Oportunidade de Matosinhos, pioneira deste modelo de inserção, escola esta com quem o CSE muito aprendeu no sentido de implementar a E2OV, de acordo com o dirigente.

Posteriormente, deu conta daquilo o que é hoje o CSE, uma instituição com 65 anos de vida, enumerando as suas várias valências/respostas sociais, de entre as quais desde há 25 anos a esta parte figura uma (o Centro de Formação e Emprego) especialmente voltada para as pessoas e famílias mais vulneráveis ou desfavorecidas e para a sua qualificação e empregabilidade, dando, seguidamente, exemplos de ações/missões que esta resposta social tem desenvolvido junto da comunidade: atendimento social à população da Cidade de Ermesinde e do concelho em geral; cursos de Educação e Formação de Adultos; o Clube de Emprego; o Programa Escolhas; entre outros. Sublinhando que as Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) constituem um pilar do Estado Social, tendo como particular atenção a população que se encontra em situação de maior desfavorecimento e que a criação desta Escola Segunda Oportunidade assentava nessa missão, recordaria uma entrevista dada na véspera por Paulo Pedroso a uma estação de rádio, onde este referindo-se ao estado atual do combate à pobreza, salientava que a pobreza generalizada dos idosos que durante décadas constituiu uma tragédia social se encontrava hoje consideravelmente esbatida, graças ao complemento solidário para idosos e à política de pensões.

Nessa mesma entrevista, Paulo Pedroso identificava agora o segmento social dos jovens até aos 25 anos que precocemente abandonam a frequência escolar sem qualificações como principais candidatos à pobreza extrema nos nossos dias e no próximo futuro. Acrescentaria ainda que nessa mesma intervenção na estação de rádio, António Guterres havia referido a circunstância comprovada de que muitas vezes a situação de abandono escolar decorre num processo de dessocialização com efeito ou resultado num facto traumático, como a morte, a separação, a perda de rendimentos familiares, o desemprego ou outra causa, salientando o facto de essa causa traumática se converter em abandono escolar e vir a ter como efeito uma injusta exclusão para toda a vida. Henrique Rodrigues lembrou ainda que o primeiro-ministro tem referido várias vezes nas suas intervenções públicas que é imperativo que a nossa democracia desenvolva políticas públicas idóneas para não deixar ninguém para trás.

Para o presidente do Centro, a missão desta escola funda-se nesse diagnóstico.

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Reconheceu e enalteceu igualmente o entusiasmo, o empenhamento e competência da equipa do Centro de Formação e Emprego, uma estrutura do CSE para as áreas da formação e da empregabilidade no impulso inicial, na conceção, na preparação e na fundamentação desta iniciativa «a que se segue a responsabilidade do desenvolvimento da escola do futuro. Compete-nos, bem como a todos os que trabalharem neste projeto, assegurar a estes jovens que aqui regressam ao espaço da escola a aquisição de saberes e competências num ambiente acolhedor e amigável».

Por fim, endereçou umas palavras finais para os alunos, os de hoje e os de amanhã: «a segunda oportunidade pode ser a última para o regresso aos caminhos comuns e aos desejos das pessoas da vossa idade: a qualificação escolar, o trabalho remunerado com justiça, a possibilidade de constituir família e ter filhos com perspetivas de futuro, a participação social e política, a felicidade que a todos cabe».

Ana Maria Cortez, Diretora do AEE, começou por fazer alusão ao facto de um dos objetivos da UNESCO com 2030 no horizonte para a erradicação da pobreza passar essencialmente pela educação. «Esta é a única forma de mobilidade social, e daí ser tão importante, a primeira, a segunda, a terceira, todas as oportunidades que nós pudermos dar. O AEE nesse sentido estará sempre disponível, como esteve aqui neste projeto, para colaborar em todas estas iniciativas que pretendam dar uma nova oportunidade a quem por motivos diversos, de alguma forma, abandonou a escola. Portanto, a escola é a vossa casa, estamos aqui para vos ajudar, vamos criar todas as condições para que cada um de vocês (alunos) tenha sucesso», sublinhou a diretora do agrupamento que se mostrou convicta de que esta vai ser uma escola de sucesso.

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O presidente da CMV dirigiu essencialmente o seu discurso aos alunos. «Quero que percebam que estes projetos, estas escolas, nascem porque ninguém pode ficar para trás. Esta é uma escola para vocês descobrirem que são tão importantes como os outros, que têm tanto talento como os outros, que têm muito valor. E no dia em que vocês descobrirem que têm valor vão ser indestrutíveis, vão conseguir fazer tudo o que os outros conseguem fazer. Estamos todos a apostar em vocês, porque sabemos aquilo que vocês, se calhar, ainda não descobriram, que têm mesmo muito valor», disse o autarca.

Por fim, usaria da palavra João Gonçalves, que em nome do Secretário de Estado da Educação, começaria por referir que pela primeira vez há em Portugal uma base legal que confere ao nosso país o estatuto de pioneiro a nível europeu nesta resposta ao combate à problemática do abandono escolar precoce. «Isto é só um ponto de partida, e a partir desta base legal poder-se-á construir mais», disse. Terminaria a sua breve intervenção mostrando-se convicto de que este projeto iria ajudar todos aqueles alunos a trazer ao de cima todo o potencial que têm.

A cerimónia iria terminar com um Porto de Honra.

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Por: MB

 

 

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