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Edição de 31-10-2019
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    Arquivo: Edição de 31-07-2019

    SECÇÃO: Opinião


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    UNIVERSIDADES SENIORES: PARA QUÊ? PARA QUEM? (II PARTE)

    Fundamentação, Sustentabilidade e Implementação

    “…estamos a celebrar uma das maiores conquistas

    da Humanidade e enfrentando um dos maiores desafios: o crescente envelhecimento global da população.”

    Dra. Gro Harlem Brundtland, à data Presidente da OrganizaçãoMundial da Saúde.

    UMA QUESTÃO DEMOGRÁFICA

    Em 1 de outubro do já distante ano de 2006, Kofi Annan, então Secretário-Geral das Nações Unidas, na mensagem que enviou para o Dia Internacional das Pessoas Idosas, escreveu: «…o destino das pessoas idosas e a realização das suas aspirações, é algo que me interessa pessoalmente. Mas sou apenas um dos 600 milhões de seres humanos com mais de 60 anos do Mundo. À medida que em todo o planeta as pessoas vão vivendo cada vez mais anos, toda a família humana tem interesse em encorajar e facilitar um processo de envelhecimento produtivo, activo e saudável. Todo o mundo tem a ganhar com o aumento do poder das gerações mais velhas, com a capacidade de dar enorme contribuição para o desenvolvimento e para a construção de sociedades mais produtivas, pacíficas e sustentáveis.» (sic)

    E EM PORTUGAL, QUAL É PANORAMA?

    Conforme a conclusão de um estudo de projecção demográfica, elaborado pela Associação Portuguesa de Famílias Numerosas (APFN), “a demografia portuguesa continua a ter uma evolução verdadeiramente preocupante nos últimos trinta anos e, se nada for feito, a idade média da população continuará a subir linearmente cerca de um ano em cada cinco anos.”

    Aquilo que se vislumbra também através das projecções do Instituto Nacional de Estatística (INE) não é nada animador: haverá um decréscimo de percentagem de jovens com menos de 15 anos, acentuar-se- á a queda da população activa (entre os 15 e os 64 anos), enquanto a população com mais de 65 anos quase duplicará!

    Realisticamente, isso quererá dizer simplesmente que se nada se continuar a fazer no sentido de procurar inverter esta tendência, lá para 2060, em Portugal haverá 271 idosos por cada 100 jovens!

    Segundo Fátima Matos, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto:” existe o risco da sustentabilidade da própria população. Se existe uma redução drástica da população activa , num sistema como o nosso em que a Segurança Social é assegurada pelos impostos de quem trabalha, essa área fica seriamente afectada. E se as pessoas vão viver mais tempo, também vão precisar de mais apoio. Vão ser um peso para o Estado!”

    Há, pois, aqui um larguíssimo espaço para os Governos de Portugal se debruçarem sobre esta realidade e criarem os meios eficazes para acharem respostas concretas e bem estruturadas para os problemas agudos que hoje se sentem a este nível.

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    E O FUTURO QUE RESERVA AOS IDOSOS?

    Se, mais uma vez, atentarmos nas projecções do INE concluiremos, prontamente, que o panorama não é mais risonho nem mais tranquilo.

    Segundo aquela Entidade, “o número de idosos passará de 2,1 para 2.8 milhões entre 2017 e 2018. Face ao decréscimo da população jovem, a par do aumento da população idosa, o índice de envelhecimento mais do que duplicará, passando de 147 para 317 por cada 100 jovens em 2080”!

    Perante esta realidade irrefutável, que farão os vários órgãos do Poder para acharem uma saída digna para responder a este desafio?

    Na minha opinião, é chegada a hora de dotar o País de um conjunto de diplomas legais, que pressuponham uma maior protecção social para os idosos de Portugal.

    No que concerne às Universidades Seniores, é bem claro e bem urgente que o Estado tem de ir mais longe, muito mais longe. O caminho que já se percorreu – e foi vasto – fica a dever-se ao empenhamento de entidades particulares e ao voluntariado nunca regateado por alguns milhares de pessoas!

    A resolução do Conselho de Ministros nº 76/2016, de 20 de Outubro, foi uma réstia de esperança que num instante se esfumou!

    Atente-se que o número de reformados, aposentados e pensionistas da Caixa Geral de Aposentações não pára de crescer e num País onde os recursos são sempre escassos, tem que se ter engenho e arte para arranjar soluções práticas e exequíveis.

    A vivência da velhice não pode restringir-se ao espaço da esfera privada e familiar; é necessária a implantação de políticas públicas que proporcionem bem-estar e acções emancipatórias para a pessoa idosa também no espaço extra-familiar.

    AS UNIVERSIDADES SENIORES COMO RESPOSTA SOCIAL

    Catherine Vautrin, ex-ministra francesa da Educação, e posteriormente da Paridade, é peremptória quando afirma:

    “Em cinquenta anos, a Humanidade fez mais progressos que em todos os séculos anteriores. Esta reconversão acelerada modificou profundamente as nossas condições de vida – basta só ver o papel desempenhado hoje pelo computador, pela Internet ou pelo telemóvel. E se queremos que os seniores participem activamente na nossa sociedade, então é indispensável permitir-lhes uma actualização permanente dos seus conhecimentos em profundidade.” (traduzido do Francês).

    É neste contexto que surgem as Universidades Seniores, com objectivos bem definidos:

    • Melhorar a qualidade de vida sénior;

    • Oferecer um espaço de vida socialmente organizado e adaptado à idade;

    • Incentivar a participação sénior em actividades sociais, culturais e de lazer;

    • Divulgar a história, cultura, tradições e valores;

    • Fomentar o voluntariado na e para a comunidade;

    • Incentivar um espírito de convivência, tolerância e solidariedade humana e social;

    • Divulgar os serviços, deveres e direitos dos seniores;

    • Proporcionar aos alunos um espaço onde possam divulgar, valorizar e ampliar os seus conhecimentos;

    • Desenvolver as relações inter-pessoais e sociais entre as diversas gerações;

    • Trabalhar em articulação com outras instituições particulares e públicas.

    (in “Democracia Aberta” ,www.democraciaberta.com)

    Luís Jacob, com a autoridade que bem se lhe reconhece neste domínio, enquanto estudioso empenhado nesta problemática das Universidades Seniores e fundador da RUTIS, escreveu na sua obra “As Universidades Seniores em Portugal”, que “as Universidades da Terceira Idade (UTIS) são o modelo de formação de adultos com mais sucesso no mundo e em Portugal. Consideramos as Universidades da Terceira Idade (UTIS) como a resposta social que visa criar e dinamizar regularmente, actividades sociais, culturais, educacionais e de convívio, preferencialmente, para e pelos maiores de 50 anos.”

    Tudo isto nos motiva e entusiasma para continuarmos a pugnar pela elevação do nome da nossa Universidade Sénior e com ela o de Ermesinde, onde está sedeada.

    Por: Carlos Faria*

    * Coordenador Geral da Universidade Sénior de Ermesinde

     

     

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