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Edição de 31-07-2019
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    Arquivo: Edição de 30-04-2019

    SECÇÃO: História


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    MEMÓRIAS DA NOSSA GENTE (5)

    Tradições agrárias: o linho (parte 4)

    O estudo da cultura e tratamento do linho tem-se revelado um dos trabalhos mais apaixonantes para os etnógrafos e todos os que pretendem conhecer o que foi a cultura tradicional desta herbácea. Em Ermesinde, embora a sua prática não fugisse aos modelos e costumes das Terras da Maia, a sua cultura assumia certas particularidades que vamos continuar a realçar e explicar.

    Concluímos hoje as várias fases por que passa o linho, desde a sementeira até à tecelagem. Depois de termos visto, nas edições anteriores, como se prepara a terra, como se faz a sementeira, se processa a «arranca», como se faz a ripa, se leva o linho ao engenho, se procede com a operação da espadela, o assedar, o fiar do linho, o ensarilhar e a cozedura do linho, vamos, nesta última parte, lembrar a barrela e os últimos trabalhos com o linho: a doba, a urdidura e a tecelagem.

    EM PRIMEIRO PLANO, UMA DOUBADOURA DO TIPO QUE ERA USADO NESTAS REDONDEZAS
    EM PRIMEIRO PLANO, UMA DOUBADOURA DO TIPO QUE ERA USADO NESTAS REDONDEZAS
    A BARRELA

    Esta fase consiste em fazer passar água a ferver e cinza devidamente peneirada pelas meadas, tendo sempre o cuidado de as levantar algumas vezes do «barrelouro» (barreleiro) para que fiquem bem molhadas.

    Quando se nota que a calda, que previamente atravessou um pano de lençol, começa a esfriar, volta-se a deitar água a ferver e assim sucessivamente, durante três dias. Estes grandes e especiais recipientes, noutras terras conhecidos por «barreleiros» são feitos geralmente em cortiça, daí o nome de cortiço, embora também os haja em cestaria. Na nossa terra, algumas casas agrícolas, devido à grande quantidade de linho, adaptaram, nos últimos anos, uma caldeira à parte superior do forno do linho, donde saía, através de um tubo, a água quente para o «barrelouro».

    Este tinha como base uma pedra com uma reentrância circular, em forma de rego, com uma saída para uma parte mais baixa. Sobre esta pequena meia cana assentava, pela sua parte interior, o cortiço, saindo a mistura de água e cinza que atravessara o cortiço para o exterior através dela.

    Tivemos oportunidade de ver, mostrada pelo seu actual proprietário - Alberto Lourenço Ferreira da Silva a referida caldeira, já retirada do seu local e a pedra de base do barrelouro, esta ainda na cozinha da antiga «Casa Capitão»(2). Considera-se terminada esta operação quando a água, depois de ter atravessado toda a massa do fiado sair pelo fundo do cortiço tão quente como entrou em cima. Por fim, lavam-se, põem-se a corar, penduradas em canas, ou mesmo num suporte especial, feito em madeira, até ficarem enxutas para serem guardadas.

    AS ÚLTIMAS

    OPERAÇÕES

    Os últimos trabalhos por que passa o linho são a doba, a urdidura e a tecelagem. Depois de passar pela dobadoura, para que se possam fazer novelos, quer as meadas se destinem à urdidura das teias, quer à trama dos tecidos. A dobadoura é um utensílio em madeira que se compõe de «cruzetas» e «pé». As teias, depois de saídas da urdideira estão prontas para serem tecidas.

    Em Ermesinde, chegamos à conclusão que não havia tecedeiras, pelo menos no século XX, isto a avaliar pelas investigações que fizemos. Ao que soubemos, eram as artesãs de S. Cosme - Gondomar que vinham buscar as peças, para as tecer, à parte sul da cidade, enquanto a zona norte as mandava para a Maia, nomeadamente para a freguesia de S. Pedro Fins, recebendo em troca um determinado pagamento, previamente acordado. Nesta freguesia da Maia havia também tecedeiras que, em tear manual, faziam passadeiras e liteiros(3),com tiras de pano, que lhe eram entregues, enroladas, em novelos.

    Desta última fase recolhemos uma quadra, possivelmente entre outras, que se costumava cantar, enquanto que se manejava a dobadoura:

    Doba, doba, dobadoura

    Não te canses de dobar.

    O meu amor está doente,

    Mas há de estar a chegar.

    (...)

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    Por: Jacinto Soares

     

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