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Edição de 31-10-2020
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    Arquivo: Edição de 31-03-2019

    SECÇÃO: Opinião


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    Universidades Seniores: Para quê? Para Quem?

    “Uma pessoa permanece jovem na medida em que ainda é capaz de aprender, adquirir novos hábitos, tolerar contradições.”

    Marie vonEbner – Eschenbach

    I – O aparecimento das

    Universidades Seniores

    A primeira Universidade, na altura designada como “Universidade para a Terceira Idade”, nasceu na Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de Toulouse, por feliz iniciativa do Professor Pierre Vellas, que então leccionava Direito e Ciência Económica naquela mesma Universidade.

    O seu projecto inicial passava por pôr à disposição de pessoas aposentadas precocemente e desligadas das suas ocupações normais, um programa de actividades, que, dando resposta às suas necessidades e aspirações, facultasse o seu reencontro com actividades culturais e físicas, promovesse a sua reintegração social e afectiva e procurasse ampliar os laços convivenciais com outras pessoas igualmente de aspirações comuns.

    Este primeiro exemplo não tardou muito tempo a ser seguido por muitas outras Universidades e, em França, este movimento desenvolveu-se muito rapidamente, não deixando mais de crescer ao longo dos anos seguintes.

    O sucesso aqui alcançado rapidamente se expandiu por outros países europeus: Bélgica, Espanha, Suíça, Itália, Polónia, Suécia e Alemanha, prontamente implementaram projectos semelhantes. Perante os êxitos alcançados, não tardou nada a saltar o Atlântico, atingindo a Inglaterra, os Estados Unidos, a América Latina (no Brasil, as Universidades Seniores expandiram-se de uma maneira espantosa), a África, a Ásia.

    Perante tão fulgurante sucesso, o Professor Pierre Vellas fundou a Associação Internacional das Universidades da Terceira Idade (AIUTA), com o objectivo de proporcionar intercâmbio de experiências e saberes de responsáveis e utentes de instituições universitárias semelhantes, quer de programas, quer de trabalhos de investigação sobre esta temática.

    No 23.º Congresso da AIUTA, M.me Catherine Vautrin, à data Ministra Delegada para a Coesão Social e da Paridade, afirmou:“Pierre Vellas calculou perfeitamente este problema, ao criar estas universidades atípicas, concebidas para oferecer a um público específico um conjunto de actividades que respeita as condições, as necessidades e as aspirações próprias desta idade”.

    A Universidade da Terceira Idade é assim e simultaneamente uma Universidade de tipo tradicional, com palestras, aprendizagens de conteúdos, aquisição de novos conhecimentos, e também uma espécie de clube, propondo actividades variadas: lúdicas, culturais e desportivas.” (tradução do Francês por CF).

    A AGORARTE – Associação Cultural e Artística, ao criar a nossa Universidade Sénior, teve como fonte de inspiração, a necessidade de oferecer a uma camada importante da nossa população novas e importantes perspectivas de encarar o futuro com confiança e tranquilidade. Se, como diz Fernanda de Castro no seu poema, “Os anos são degraus” vamos, com optimismo, subir quantos mais melhor. Valeu?

    II – Pensar na

    velhice é

    tarefa de todos!

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    Como diz Heidi Strecker (in “Página 3 Pedagogia e Educação”) “aprender a envelhecer faz parte da educação de todas as pessoas.”

    No mundo actual, os espectaculares avanços das ciências médicas e farmacêuticas, a par de um desenvolvimento tecnológico que não pára de crescer, são os principais factores do aumento de uma população idosa, sem paralelo na já longa história da Humanidade!

    Quem tem a preocupação de acompanhar os estudos demográficos que regularmente nos chegam às mãos, facilmente se apercebe de que este fenómeno não é exclusivo de Portugal, mas que se verifica a nível global, principalmente entre sociedades mais avançadas e progressivas. Assim, há que reconhecer que o envelhecimento da população irá exponencialmente crescer ano após ano. Tanto assim que, estima-se, em 2050, o número de pessoas acima de 65 anos seja maior que o de jovens com menos de 15 anos, nos países mais desenvolvidos e que se hoje a esperança de vida anda, mais ou menos pelos 75 anos, calcula-se que em 2050 atinja os 90 anos.

    Esta realidade impõe aos governantes um empenhamento muito urgente e muito significativo, com a criação de novas políticas sociais, construção de novos equipamentos culturais, sociais, espirituais e de saúde, exigindo orçamentos muito robustos, susceptíveis de dar resposta atempada às novas exigências de uma sociedade que, por mais fragilizada, cada vez necessita mais de maior e melhor protecção social.

    A introdução de novas e mais rentáveis tecnologias no mundo do trabalho, provocou alterações significativas, quer na área empresarial, quer na orgânica das Instituições do Estado. É assim que, num abrir e fechar de olhos, as pessoas se vêem a braços com reformas antecipadas ou dispensas de trabalho, numa idade em que se sentem ainda capazes de desenvolver actividades produtivas. Daí que – sob o ponto de vista de saúde – se tenha assistido a um número crescente de depressões, de angústias, de pânicos, de, em alguns casos extremos, suicídios!

    É neste contexto que surge a ideia libertadora das Universidades Seniores.

    Luís Jacob, fundador e Presidente da RUTIS, põe a pergunta:

    “O que leva os seniores a participar nestes projectos?”

    Ele próprio responde: “A vontade de aprender, actualizar e partilhar os seus conhecimentos, manterem-se activos e participativos, à procura de novas formas de lazer intelectual, conviver e conhecer novas pessoas, combater o isolamento e a solidão, criarem novos projectos de vida e participarem em actividades lúdicas e culturais.” (In Luís Jacob, “Criar novos projectos de vida”).

    É todo este projecto que, diariamente, se explora na Universidade Sénior de Ermesinde: fica o convite, venha conhecer-nos!

    Obs.: O autor não

    escreve segundo as novas regras ortográficas.

    Por: Carlos Faria

     

     

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