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Edição de 31-03-2019
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    Arquivo: Edição de 31-01-2019

    SECÇÃO: História


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    MEMÓRIAS DA NOSSA GENTE (2)

    Tradições agrárias: o linho (parte 1)

    O estudo da cultura e tratamento do linho é um dos trabalhos mais apaixonantes para os etnógrafos e todos aqueles que querem conhecer o que foi a cultura tradicional desta herbácea. Em Ermesinde, embora a sua prática não fugisse aos modelos e costumes das Terras da Maia, a sua cultura tomava certas particularidades que vamos tentar realçar e explicar. Esta especificidade tem a ver, quanto a nós, com a natureza do solo, com a grandeza das casas agrícolas (das maiores da Maia)(2) e com a situação geográfica.

    Ao tratarmos das várias fases por que passa o linho, desde a sementeira até à tecelagem, iremos analisar em simultâneo a importância, a variedade e as aplicações dadas pelas gentes de Ermesinde aos vários tipos de panos. Comecemos então pela sementeira.

    PREPARAÇÃO DA TERRA

    Escolhido o terreno - geralmente, aqui, utilizava-se o espaço mais próximo, que era a cortinha – levava-se para lá o estrume, em carros de bois, que depois de colocado em «montes», era esbalhado(3). O lavrador ermesindense tinha sempre uma grande preocupação pelo estrumar da terra, não só servindo-se do esterco dos seus «aidos», como por vezes do que existia, no inxidro(4). A lavoura era feita com o arado pequeno e vulgar.

    Depois de lavrado, como acontecia com os cereais, gradava-se e posteriormente aplainava-se a terra com o outro lado da grade, recorrendo-se ao ancinho, nas zonas onde a mesma não chegava. O terreno era dividido em talhões, na linguagem agrícola «tornas», com a largura de aproximadamente um metro. Nalgumas terras, as «tornas» eram maiores, mas nunca ultrapassando o metro e meio.

    A SEMENTEIRA

    O lavrador começa, então, a semear a linhaça à mão, que transporta numa cesta de vindima, em lanços mais pequenos do que os utilizados para o milho, guiando-se pelas tornas, pelos regos que vão servir para a rega e pelos traços(5) que fez previamente na terra para que a jeira ficasse com bom aspecto. Nestas leiras com a linhaça lança-se à terra, em Ermesinde, por vezes, sementes de milho vermelho, conhecido vulgarmente por «milho-rei». Após a sementeira, passa-se novamente a grade pela terra e algumas mulheres pegam outra vez nos «inchinhos»(6).

    Segue-se depois a rega, pois o linho requer regas frequentes e abundantes, o que aqui não representava grandes problemas, uma vez que Ermesinde «é terra de água». A primeira rega ocorre geralmente passados oito dias. Um mês depois é necessário fazer-se a monda, pois nascem, junto dos seus pés, ervas daninhas que é preciso retirar. O linho(7) que se semeia entre Março até meados de Abril, tudo dependendo das terras e do tempo, encontra-se maduro pelo S. João(8).

    (...)

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    Por: Jacinto Soares

     

     

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