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    Arquivo: Edição de 15-12-2018

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    NOTÍCIAS DA UNIVERSIDADE SÉNIOR DE ERMESINDE

    A Rota do Românico numa aula de História diferente

    JOSÉ AUGUSTO DÁ AULA SOBRE A "ROTA ROMÂNTICA"
    JOSÉ AUGUSTO DÁ AULA SOBRE A "ROTA ROMÂNTICA"
    Graças ao Dr. José Augusto Costa, valonguense, filho de padeiros e já conhecido dos que tiveram oportunidade de participar na visita à Igreja dos Grilos – reportada no último número de “A Voz de Ermesinde” – os alunos de História Contemporânea, tiveram a surpresa de uma aula diferente. Recuaram quase mil anos e foram parar ao tempo do Românico.

    O prof. Manuel Dias, após a apresentação do ilustre convidado e antes de lhe passar definitivamente a palavra, cumpriu a regra inicial das suas aulas, com as efemérides do dia.

    Assim, lembrou que, em 5 de dezembro de 1917, Sidónio Pais liderou um golpe de Estado que derruba o governo da União Sagrada de Afonso Costa e destitui o Presidente da República, Bernardino Machado, tendo assumido o lugar de Presidente do Ministério e mais tarde, a 27 de Dezembro, o de Presidente da República. Lugar para o qual viria a ser eleito por sufrágio direto em abril de 1918. Curiosamente, precisamente um ano depois, a 5 de Dezembro de 1918, Sidónio Pais, seria alvo da primeira tentativa de assassinato, no decurso de uma cerimónia militar. Porém, a ditadura do “presidente-rei”, não duraria muito mais tempo. Nove dias decorridos, seria morto a tiro, na Estação do Rossio, por um militante republicano.

    Aproveitou a ocasião o mestre em História de Arte para evocar o padroeiro da cidade de Braga. Diz a lenda que São Geraldo, falecido em 5 de dezembro de 1108, já moribundo e perante o espanto de quem o velava, pediu que lhe trouxessem algumas peças de fruta. As árvores estão despidas, a neve cobre todos estes campos, ouviu.No entanto, replicou o Santo: – Vai e procura. Seguida a ordem, voltou o companheiro com as mãos cheias de vistosos e deliciosos frutos. Esses mesmo, que se podem admirar no altar da Capela da Sé de Braga.

    Antes de entrar no assunto que o trouxe até à Universidade Sénior de Ermesinde, José Augusto Costa, fez questão em desfazer a confusão que frequentemente se estabelece entre românico (Séc. XI a XIV) e romântico (Séc. XIX), chamando a atenção para o facto, de em Portugal, o românico ter acompanhado a fundação da nacionalidade. A propósito, referiu o aio de D. Afonso Henriques (com lugar de destaque nos azulejos da Estação de S. Bento), Egas Moniz, descendente de uma das famílias nobres – os Ribadouro – deste território e cujo túmulo se encontra no Mosteiro de Paço de Sousa.

    Atendendo ao basto património monumental,de lendas e histórias, paisagístico, gastronómico, existente em terras dos vales dos rios Sousa, Douro e Tâmega, um grupo de municípios, decide em 1998, aproveitar todo este legado histórico e torná-lo disponível para usufruto de todos e benefício das suas populações. Recuperando o que era passível de recuperação, estudando e interpretando o que não estava tão claro, criando novas estruturas, nascia, assim, a Rota do Românico.

    ALUNOS DE HISTÓRIA ATENTOS À AULA
    ALUNOS DE HISTÓRIA ATENTOS À AULA
    Iniciam este projeto os municípios de Castelo de Paiva, Felgueiras, Lousada, Paços de Ferreira, Paredes e Penafiel, a que se associam em 2010, Amarante, Baião, Cabeceiras de Basto, Cinfães, Marco de Canavezes e Resende.

    De alguns dos 58 monumentos – 44 de cariz religioso – mosteiros, igrejas, ermidas, pontes, torres e monumentos funerários, que compõem a Rota do Românico,o nosso cicerone, através das imagens projetadas, foi chamando a nossa atenção para pormenores dificilmente detetados ou entendidos sem o acompanhamento do “Técnico Intérprete do Património”. No românico, tudo se mostrava, disse, como que a justificar os nus, que, não raro, aparecem na arquitetura deste tempo. Como nem tudo o que parece, é, alertou para o facto de algumas coisas que nos são dadas a ver, não corresponderem à época em causa. Construções tão vetustas carecem de manutenção, que nem sempre foi feita com respeito pelo original.

    Tendo isto em consideração e com o “objetivo de abrir novas perspetivas para entender e sentir a evolução deste território ao longo de séculos”, foi criado o Centro de Estudos do Românico e do Território. Mais recentemente, em setembro passado, foi inaugurado em Lousada, o Centro de Interpretação do Românico, onde, entre muitas outras valências, existem seis salas temáticas: Território e Formação de Portugal, Sociedade Medieval, O Românico, Os Construtores, Simbolismo e Cor, Os Monumentos ao longo dos Tempos.

    A partir daqui, ou de outro qualquer local, é possível optar por um basto conjunto de visitas que nos são propostos, quer se disponha apenas de um dia, quer se tenha a sorte de dispor de mais alguns. Em qualquer dos casos, fica o conselho de quem sabe; fazê-lo na companhia de entendidos. Está tudo online, acrescentou, para quem quiser saber mais.

    Os minutos disponíveis para esta agradável aula, rapidamente voaram. No entanto, não se podia sair dali sem uma referência à gastronomia, que, por agora, fica em segredo para não criar ouguices. Sem segredo, foi a vontade manifestada pelos presentes, de, em breve, fazer uma visita à Rota do Românico.

    Alfredo Silva

     

     

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