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Edição de 30-04-2024
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    Arquivo: Edição de 30-11-2018

    SECÇÃO: História


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    Recordando os Mortos da Guerra do Ultramar - As restantes vítimas mortais do ConcelhoValonguense

    Terminamos nesta edição a divulgação dos ex-combatentes ligados ao município de Valongo, que foram vítimas das Guerras do Ultramar, entre 1961 (início em Angola, e, um pouco mais tarde, também na Guiné e em Moçambique) e o seu términus, já depois do triunfo da Revolução do “25 de Abril de 1974”.

    Seguem-se, agora, os nomes das vítimas mortais das restantes freguesias deste município: Valongo (6), Sobrado (5).

    Da freguesia de Valongo:

    1 - Augusto de Oliveira Carvalho, natural de Borba de Godim, Felgueiras, foi soldado de Artilharia (n.º 166058669), do Regimento de Artilharia Ligeira 5 e faleceu em combate, em Moçambique, no dia 12 de outubro de 1970, estando sepultado no Cemitériode Valongo.

    2 -Bernardino Moreira de Castro Neves, 1.º Cabo Miliciano Atirador (n.º 08994371), natural de Valongo, foi mobilizado para o Regimento de Infantaria 15, 1.º Batalhão de Caçadores. Faleceu em combate na Guiné, no dia 9 de maio de 1973, sendo sepultado no Cemitério de Valongo.

    3 - João Eduardo Neves Camões, de Valongo, Furriel Miliciano Atirador (n.º 10584271), do Regimento de Artilharia Ligeira 5, morreu em combate em Moçambique, no dia 6 de agosto de 1973 e foi enterrado no Cemitério de Valongo.

    4 - João Lino Ferreira Rodrigues, de Valongo, Soldado de Reconhecimento e Informação (n.º 10953467), morreu em acidente de viação, em Moçambique, no primeiro dia de janeiro de 1970 e foi enterrado no Cemitério de Valongo.

    5 - José Ferreira Abreu da Costa, do lugar de Portela, freguesia e concelho de Valongo, Soldado Atirador (n.º 04219070), da Companhia de Cavalaria, morreu em combate, em Angola, no dia 26 de agosto de 1971 e foi enterrado no Cemitério das Antas (Vila Nova de Famalicão).

    PLACA TUMULAR DE JOSÉ NEVES PEREIRA, NO CEMITÉRIO DE VALONGO
    PLACA TUMULAR DE JOSÉ NEVES PEREIRA, NO CEMITÉRIO DE VALONGO

    6 - José Neves Pereira, 1.º Cabo Atirador (n.º 06662667), mobilizado pelo Regimento de Infantaria 1 e integrou a Companhia de Caçadores 1780 do Batalhão de Caçadores 1929, na Região Militar de Angola. Morreu em combate, em Angola, no dia 6 de março de 1968 e está sepultado no Cemitério de Valongo.

    Da freguesia de Sobrado:

    1 - António Ferreira da Rocha Caseiro, Soldado Atirador, mobilizado pelo Regimento de Artilharia Ligeira 1. Seguiu para a Guiné, integrando a Companhia de Artilharia 642/Batalhão de Artilharia 645. Faleceu em combate, no dia 6 de junho de 1964, sendo enterrado em Bissau, no dia 7 de junho 1964 (campa 867).

    2 - Diamantino dos Santos Meireles, natural de Igreja, freguesia de Lagares, do concelho de Penafiel, foi Soldado Atirador (n.º 05316069), do Batalhão de Caçadores, que prestou serviço em Angola, falecendo de acidente, no dia 20 de outubro de 1969, estando sepultado no Cemitério de Sobrado.

    3 - José Fernando Ferreira Rocha, do lugar de Paços, freguesia de Sobrado, Soldado Atirador (n.º 12022171), do Regimento de Artilharia Pesada n.º 2, faleceu em combate, no dia 6 de maio de 1974, tendo sido enterrado no Cemitério de Lobão, Santa Maria da Feira.

    4 - Manuel Alves Carneiro, de Sobrado, 1.º Sargento de Infantaria (n.º 52733311), em serviço no Quartel General (Companhia de Comando e Serviços), faleceu por doença, no dia 26 de agosto de 1975, tendo sido enterrado no Cemitério da sua naturalidade.

    5 - Manuel Martins Gaspar, do lugar da Costa, freguesia de Sobrado, foi Soldado Comando (n.º 19338471) da Companhia de Comandos, que foi mobilizado para Angola, integrando o Centro de Instrução de Operações Especiais, Companhia de Comandos 2044.Morreu em combate no dia 8 de março de 1974. Seria enterrado no Cemitério de Sobrado.

    Ao todo, 35 jovens ligados ao município de Valongo, perderam a vida em resultado de uma guerra que se revelaria evitável, numa conjuntura em que a Europa e o Mundo eram claramente favoráveis ao princípio da autodeterminação dos povos, de resto um direito reconhecido e veiculado nas declarações e decisões de vários órgãos da Organização das Nações Unidas.

    OS PALCOS DA GUERRA

    - Angola (a 8.500 Km de Lisboa)

    A Guerra, declarada contra o exército português,foi iniciada pelos militantes do MPLA (Movimento Popular para a Libertação de Angola) em Luanda, a 4 de fevereiro e, a 15 de março, pela UPA (União das Populações de Angola), posteriormente denominada FNLA (Frente Nacional de Libertação de Angola). É o princípio de um conjunto de violentos ataques no Norte desta colónia. Anos mais tarde, já com a presença da UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola), começa uma luta de guerrilha.

    No ano de 1961 Salazar irá proferir a máxima legitimadora da sua posição relativamente às rebeliões que se desencadeavam nas possessões portuguesas: “Para Angola, imediatamente e em força”.Milhares de soldados portugueses foram enviados para Angola e muitos milhares lá morreram.

    - Guiné (a 3.000 Km de Lisboa)

    O conflito na Guiné-Bissau iniciar-se-ia em 1963, com apenas uma organização política: o PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde).

    Também para esta província portuguesa o governo salazarista mobilizou milhares de jovens portugueses. E também aqui se registaram muitos mortos.

    - Moçambique (a 13.000 Km de Lisboa)

    Em 1964, é a vez da FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique) conduzir Moçambique também à guerra contra o domínio português.Apesar de ficar a mais de 13 mil quilómetros de Portugal, também para lá seguiram milhares de combatentes portugueses. E, também aí se registou grande número de soldados mortos em combate.

    As três frentes de guerra provocaram fortes abalos nas finanças do Estado (houve anos em que mais de 40% do Orçamento de Estado eram despendidos com a Guerra), desgastando simultaneamente as Forças Armadas, ao mesmo tempo que colocava Portugal cada vez mais isolado no panorama político mundial. A nível humano, as consequências foram trágicas: um milhão e quatrocentos mil homens mobilizados, nove mil mortos e cerca de trinta mil feridos, além de cento e quarenta mil ex-combatentes sofrendo distúrbios pós-guerra.

    Falta dizer que muitos dos soldados portugueses mobilizados para esta guerra profundamente injusta viram a sua vida académica, familiar e/ou profissional subitamente interrompida.

    Talvez, assim, se fique a entender melhor a razão por que foram os “capitães” a fazer o “25 de Abril” de 1974.

    Por: Manuel Augusto Dias

     

     

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