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Edição de 28-02-2019
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    Arquivo: Edição de 30-09-2018

    SECÇÃO: Destaque


    ABERTURA DO ANO LETIVO 2018-2019 - ENTREVISTA COM O DIRETOR DO AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE S. LOURENÇO, JOSÉ MIGUEL MARQUES

    Escola de S. Lourenço: um marco (para a Cidade) ao nível do ensino com 50 anos de existência

    Há 50 anos atrás teve início em Ermesinde o ensino preparatório, com o arranque do primeiro ano letivo na então muito ambicionada Escola de S. Lourenço, cuja primeira sede funcionou num edifício situado na Rua de Porto Carreiro. Uma efeméride que fazemos eco nesta edição em que o destaque vai para a abertura do ano escolar de 2018-2019 e que serviu de mote para uma breve conversa mantida com o Diretor do Agrupamento de Escolas de S. Lourenço, José Miguel Marques.

    Fotos ALBERTO BLANQUET
    Fotos ALBERTO BLANQUET
    À frente da Direção do hoje em dia denominado Agrupamento de Escolas de S. Lourenço desde 2004, José Miguel Marques abriu-nos as portas da escola sede - precisamente a Escola Básica 2,3 de S. Lourenço - em vésperas do começo do ano letivo de 2018-2019, começando por fazer uma alusão ao 50.º aniversário do início do ensino preparatório na nossa cidade. «É uma data marcante para a escola, pois foi o início do ensino preparatório em Ermesinde. Ao longo de todos estes anos, a Escola de S. Lourenço tem sido um marco para a cidade ao nível do ensino, (mesmo) com todas as condicionantes que existiram na evolução da nossa sociedade», ressalva o dirigente educativo, acrescentando que pelo facto de estar ao serviço da escola apenas desde 2001 não chegou a conhecer as antigas instalações desta - situadas na Rua de Porto Carreiro -, apesar de conhecer alguns professores que lá lecionaram, mas que entretanto já se aposentaram. Recorde-se que o atual edifício que alberga a Escola Básica 2,3 de S. Lourenço foi inaugurado a 4 de janeiro de 1981. José Miguel Marques fala com orgulho de uma escola pela qual ao longo de todos estes anos passaram milhares de alunos, sendo que muitos deles quando ali voltam (por algum motivo) «pedem para visitar a escola, porque têm saudades dos tempos que aqui passaram», conta o atual Diretor. Cinquenta anos não se comemoraram todos os dias, pelo que este ano letivo a escola tem, naturalmente, em mente assinalar esta efeméride com uma cerimónia oficial, ainda sem data para a sua realização, onde além das várias entidades do concelho há a intenção de convidar antigos diretores e presidentes - os que ainda estiverem "entre nós"- do Conselho Diretivo. «Algo se vai fazer, com certeza».

    ESCOLA DE REFERÊNCIA

    NA EDUCAÇÃO ESPECIAL...

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    Ao longo destes 50 anos a Escola de S. Lourenço sofreu muitas alterações, sendo que uma dos mais recentes, aconteceu no ano letivo de 2003-2004, precisamente o ano letivo em que José Miguel Marques iniciou as funções de Diretor. Foi um ano em que a S. Lourenço viu serem-lhe agregadas duas outras escolas da freguesia, nomeadamente a Escola Básica/Jardim de Infância da Costa e a Escola Básica/Jardim de Infância dos Montes da Costa. E assim, nascia o Agrupamento de Escolas de S. Lourenço, cuja sede passou a ser a Escola Básica 2,3 de S. Lourenço. Em 2007-2008 o Agrupamento cresce com a agregação das escolas básicas/jardins de infância das Saibreiras e do Carvalhal, sendo que em 2012-2013 é inaugurada a Escola Básica/Jardim de Infância de Mirante de Sonhos e o Agrupamento é hoje composto por um total de seis escolas. Um agrupamento que parte para o novo ano letivo com um total de 1645 alunos, um número bem menor do que aquele com que José Miguel Marques se deparou quando começou a dar aulas na Escola Básica 2,3 de S. Lourenço, um estabelecimento de ensino que só por si tinha (na altura) mais alunos que atualmente tem o Agrupamento todo: aproximadamente 2300. «Esta era uma escola com muito alunos, estava sobrelotada, mas entretanto, com o decréscimo da população, esse número foi diminuindo». A Escola de S. Lourenço comporta hoje em dia os 2.º e 3.º ciclo do ensino regular, com turmas do 5.º ao 9.º ano, sendo que em termos numéricos no novo letivo (nota: de acordo com dados recolhidos a 31 de agosto passado) irão frequentar a escola 662 alunos.

    José Miguel Marques classifica de «experiência fantástica» os 14 anos em que tem exercido funções de Diretor do Agrupamento, 14 anos em que a escola sofreu muitas alterações, como já foi referido, muitas delas «por influência das políticas educativas, mas vamos tentando levar o barco a bom porto. Posso ser suspeito do que vou dizer, mas acho que esta é uma escola de referência, e assim o é por vários motivos. E quando falo em escola, falo do Agrupamento em geral. Somos uma referência ao nível da educação especial, em que temos uma sala de Snoezlen, algo que é raro acontecer numa escola pública; e para além disso temos duas unidades de autismo, uma na escola do Carvalhal para menino(a)s do 1.º ciclo e outra na EB 2,3 de S. Lourenço para alunos dos 2.º e 3.º ciclos». Unidades de autismo que dão resposta não só aos menino(a)s da freguesia mas também de fora, «porque felizmente a nossa escola é uma escola de referência nessa área. Temos alunos de Paredes, Maia, ou Gondomar, muitos alunos com essas características procuram-nos por sermos uma referência ao nível do ensino especial», vinca o Diretor.

    … E PIONEIRA NA CIDADE

    AO NÍVEL DO ENSINO ARTIULADO

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    Atualmente, e para além do regime normal de ensino a escola foi pioneira em Ermesinde no que toca ao estabelecimento de protocolos para o regime articulado, isto é, de há oito anos a esta parte existe em S. Lourenço o regime articulado de música - numa parceria com a Academia de Música de Costa Cabral - e desde há cinco anos atrás o regime articulado de dança - em parceira com a Escola de Música Ginasiano, de Vila Nova de Gaia. Todos os anos letivos uma turma por cada ano de escolaridade usufrui do ensino articulado nestas duas áreas.

    É expetável que uma escola com 50 anos tenha já uma ligação muito forte à comunidade onde está inserida, e S. Lourenço não é exceção. Nesse sentido, quisemos saber como é atualmente a relação do estabelecimento de ensino com a comunidade em geral (?). «Já foi mais complicada, mas também já foi mais fácil, porque tudo depende das características dos alunos que temos aqui, e muitas vezes essas características refletem a família (de que provêm) e já tivemos algumas situações complicadas em termos de ambiente e consequentemente em termos de imagem. Mas neste momento acho que a nossa imagem junto da comunidade melhorou substancialmente e estou a dizer isto de acordo com o feedback que temos das reuniões com as associações de pais».

    ENVOLVÊNCIA SALUTAR

    DAS SEIS ASSOCIAÇÕES DE PAIS

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    E por falar em associações de pais, tem sido notório para quem está de fora a dinâmica que várias associações de pais deste agrupamento têm evidenciado em prol da sua comunidade escolar. Tem sido recorrente a organização de atividades várias por parte das associações de pais no sentido de angariar fundos para ajudar a respetiva escola a que estão ligados, uma envolvência com a instituição escola que José Miguel Marques reconhece e saúda. «É muito positivo, porque não podemos olhar para um agrupamento para dentro, ou seja, não podemos pensar que um agrupamento é só alunos, professores e funcionários. Temos de ter uma ligação muito forte com os pais e acho extremamente benéfico as associações de pais envolverem-se da forma como têm feito. As seis associações de pais do Agrupamento, dentro das suas disponibilidades, trabalham bastante bem em prol das suas escolas. Os pais não devem ser afastados das escolas, devem ser chamados cada vez mais, para ver o espaço que os filhos frequentam, pois muitas vezes estes passam mais tempo aqui do que em casa».

    Como qualquer outra escola também esta, ou o Agrupamento em geral, tem as suas dificuldades do quotidiano, sendo que além dos apertos financeiros - os cortes são cada vez maiores nos orçamentos das escolas, segundo o Diretor deste Agrupamento - a falta de funcionários é uma dor de cabeça. O Agrupamento tem 52 funcionários (assistentes operacionais), um número insuficiente para uma escola/agrupamento que funciona a tempo inteiro, de acordo com José Miguel Marques, que sublinha as dificuldades que são sentidas em fazer a gestão dos funcionários pelas escolas do Agrupamento, mesmo com a Câmara de Valongo a dar alguma uma ajuda com a colocação de funcionários no âmbito dos contratos de emprego-inserção. Em termos estruturais existem alguns problemas ligados à manutenção, que são normais, na voz do Diretor, quando estamos a falar de (algumas) escolas com 30 ou 40 anos. No entanto, «temos a felicidade de ter uma escola (S. Lourenço) com uma manutenção top, e tudo graças à prata da casa. Temos a uma escola extremamente bem equipada, em cada sala de aula temos um computador, um retroprojetor, e tudo a funcionar», frisa o dirigente escolar.

    Com o começo do novo ano letivo projetos há que o Agrupamento pretende continuar a dinamizar, como, por exemplo, a realização do Dia do Agrupamento, a integração no projeto internacional Erasmus+, ou dar continuidade ao Grupo Coral Mirante de Sonhos. Há no entanto um outro projeto que está a gerar grande expetativa no Agrupamento, e que surge no âmbito da última edição do Orçamento Participativo Jovem de Valongo (OPJV). Trata-se de uma Sala do Futuro, projeto apresentado pelo Agrupamento na citada iniciativa da autarquia de Valongo e que venceu o 1.º prémio do OPJV 2018, sendo que o valor de 10.000 euros consequentes dessa vitória irão servir para construir na sede do Agrupamento uma sala de aula equipada em exclusivo com as novas tecnologias.

    ALGUNS NÚMEROS

    DO AGRUPAMENTO

    PARA O NOVO ANO LETIVO

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    Outro dos motivos que nos levou a visitar a sede do Agrupamento de Escolas de S. Lourenço foi, naturalmente, o início do novo ano escolar, que arrancou oficialmente a 17 de setembro. Aproveitámos a conversa com o Diretor do Agrupamento para conhecer alguns dados estatísticos relativamente ao próximo ano letivo. Segundo dados recolhidos a 31 de agosto, e como já vimos no texto principal, o Agrupamento terá em 2018-2019 um total de 1645 alunos, sendo que 662 vão frequentar a Escola Básica de S. Lourenço, repartidos pelo 2.º ciclo (com 281 alunos) e pelo 3.º ciclo (381 alunos). Este estabelecimento terá um total de 32 turmas, do 5.º ao 9.º ano. No pré-escolar, o Agrupamento terá 285 alunos, distribuídos pelas escolas básicas/Jardim de Infância do Carvalhal, Costa, Montes da Costa, Saibreiras e Mirante de Sonhos, num total de 13 turmas. No 1.º ciclo (do 1.º ao 4.º ano) serão 698 os alunos que irão frequentar as cinco escolas básicas do Agrupamento, sendo que a de Mirante de Sonhos é a que acolhe o maior número de alunos (185), seguida de Carvalhal (163), Costa (141), Saibreiras (126) e Montes da Costa (83). No total serão 34 as turmas repartidas pelos cinco escolas básicas. Quanto a docentes, irão lecionar em todo o Agrupamento um total de 156 professores, sendo que 10 por cento o fazem pela primeira vez. A Escola Básica de S. Lourenço é onde se concentra o maior número de docentes, 79, seguido da Escola Básica do Carvalhal com 15, Mirante de Sonhos com 12, Costa com 10, Saibreiras com 9 e Montes da Costa com 8. O Agrupamento terá ainda quatro terapeutas e dois psicólogos, enquanto que 17 docentes estarão afetos à Educação Especial.

    Nota: Na próxima edição iremos voltar a fazer eco do 50.º aniversário do início do ensino preparatório em Ermesinde, não só com dados históricos desse primeiro ano letivo na antiga Escola de S. Lourenço, mas também com o depoimento de alguém que vivenciou esse histórico momento do ensino na freguesia.

    Por: Miguel Barros

     

     

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