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Edição de 31-05-2019
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    Arquivo: Edição de 31-07-2018

    SECÇÃO: Opinião


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    Misericórdia de Lisboa no Montepio

    A ambição de ter a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa no capital social do Montepio Geral já vem de longe, tão distante que ainda era Provedor o Dr. Santana Lopes. O processo, porém, teve um empolgante desenvolvimento quando em dezembro de 2017, foi notícia que a Santa Casa estaria disponível para afetar à referida instituição bancária qualquer coisa como cerca de 200 milhões de euros, a troco de passar a representar uma "quota" de apenas 10% do capital, posição que não lhe conferiria direitos sociais que pudessem condicionar a gestão da entidade bancária.

    O "escândalo" foi tão grande e ensurdecedores os protestos dos mais variados setores da opinião pública, que os mentores da operação acharam por bem deixar cair o projeto no esquecimento por alguns meses sem, ao que agora de constata, abandonarem a estratégia tão do agrado do Governo, de alocar parte dos capitais disponíveis da citada pessoa coletiva de direito privado e utilidade pública administrativa, no Montepio Geral.

    Receosos da repetição do alarme social ocorrido no final do ano passado, os estrategas da operação entenderam por bem anunciar que o envolvimento deixará de ser os tais 200 milhões de euros, passando a uns insignificantes 75.000 euros, valor que não justificará preocupações públicas, podendo, consequentemente, ser transferido dos cofres da SCML para o Montepio, sem qualquer reparo ou perturbação das finanças da instituição acionista adquirente.

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    Aqui chegados, o cidadão distraído poderá pensar que o Montepio ou equilibrou as suas contas, ou conseguiu sensibilizar outros investidores a subscreverem a parte restante dos duzentos milhões de euros, sendo qualquer uma das hipóteses de aplaudir entusiasticamente.

    O nosso receio, porém, é que nenhuma das conjeturas se tenha registado e, bem pelo contrário, estaremos a assistir ao início de uma caminhada da SCML no Montepio Geral que a levará a afetar os tais 200 milhões de euros, ou mais, quando as circunstâncias impuserem aumentos de capital e só ela dispuser de recursos financeiros para acorrer às necessidades, injetando capital em doses maciças, e sempre com responsabilidades acrescidas, decorrentes de se tornar no maior acionista do Banco, algo que não se enquadrará nos seus objetivos sociais.

    Se o nosso receio encontrar suporte nas mentes dos atores do filme, o que estará em curso é qualquer coisa que designamos de política de pequenos passos, do "já agora…", e da repetida argumentação política de que a culpa não é de quem tenha de acorrer aos futuros aumentos de capital, mas de quem decidiu ser acionista, numa estratégia "escondida", mas pensada desde a primeira hora que, a confirmar-se, não nos surpreenderá. Como se percebe.

    Por: A. Alvaro de Sousa

     

     

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