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Edição de 31-05-2019
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    Arquivo: Edição de 31-07-2018

    SECÇÃO: Opinião


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    VAMOS FALAR DE ASSOCIATIVISMO (5)

    Quem dirige quem, o quê e para quem numa associação

    Como forma de aviso, este artigo não tem a pretensão de dar lições a alguém, principalmente aos dirigentes associativos, muitos deles com experiências interessantíssimas, mas sim o propósito de pensarmos coletivamente, em como fazer sentir aos dirigentes e associados e por seu intermédio, aos utilizadores das instalações associativas, que em muitos casos não são sócios, às populações das nossas zonas de residência ou localidades envolventes, a importância do trabalho realizado através de diversas atividades, que são, não só para quem nelas participa diretamente, mas também para fora do seu espaço de conforto, as sedes sociais de cada associação, como também na projeção que se dá às nossas terras e às nossas gentes.

    São diversos os exemplos dados pelas associações de Ermesinde e do Concelho de Valongo, que passam por várias atividades desportivas e culturais, por várias ações de recreação dos seus associados. Existem enormes exemplos positivos.

    No livro recentemente dado à estampa, "Um outro olhar sobre o associativismo popular" da autoria de Sérgio Pratas, membro da Direção Nacional da CPCCRD, é abordado no seu capítulo II, sob o lema, Associativismo Popular, uma Escola de Democracia; esta temática e a sua importância para o movimento associativo, destacando "A importância das associações no funcionamento da democracia, enquanto agentes de intermediação entre cidadãos e o Estado, é um tema amplamente estudado e remonta às origens da Sociologia", (pág. 53).

    É no contexto dessa "importância das associações no funcionamento da democracia", e de como se desenvolve o seu funcionamento, a razão de ser deste texto, que se enquadra no princípio de "Quem dirige quem, o quê e para quem numa associação".

    Assumindo enorme importância o órgão social, a Direção, como órgão de gestão mais presente no dia a dia na sua relação com os associados e amigos de frequência ocasional, esta ficará sempre com a imagem de maior responsabilidade, para o bem e para o mal, por tudo o que pela positiva ou pela negativa acontecer na sua associação, por que está sempre sob escrutínio.

    Para a imensa maioria do pensamento e julgamento dos associados e amigos, os outros órgãos sociais pouca importância têm. Não é assim, mas deixaremos para outra oportunidade a abordagem à importância do papel da A. G. e do C. F..

    Tenhamos em conta a nossa realidade, na perspetiva da gestão associativa e das suas dificuldades.

    Foto ARQUIVO AVE
    Foto ARQUIVO AVE
    O nosso tecido associativo em Ermesinde e no Concelho é uma mistura de realidades diferenciadas entre si, no que à sua dimensão diz respeito, havendo associações com boas práticas, com envolvimentos de associados muito diferenciados quanto ao grau de participação nas suas atividades, sejam elas quais forem, ou quanto ao seu envolvimento direto, enquanto participante ativo na sua gestão.

    Existirão casos pouco claros, por isso preocupantes, na sua capacidade de prestação de contas ou mesmo de registo associativo. Neste caso, devem os envolvidos ter o cuidado de pedir o apoio necessário para a clareza da sua situação em concreto.

    Como em qualquer associação existente em qualquer localidade do país, não fugimos a esta realidade. Em todo o espaço nacional, há associações que se apresentam sempre umas mais dinâmicas do que outras.

    Assim sendo é fundamental tomar a iniciativa de "provocar" o associado para se envolver mais, fazendo entender a cada um, que pelo facto de pagar uma quota, sempre importante, não justifica o direito de só pedir contas, (quando pede…), da gestão da sua Direção. É necessário que se envolva mais. Que participe, que seja exigente e que se disponibilize para assumir responsabilidades.

    Caberá sempre à Direção o estudo de fórmulas e de métodos que levem a um maior envolvimento dos associados, motivando-os e desenvolvendo iniciativas que os conduzam a uma maior participação, fazendo sentir a todos que sendo a sua relação com uma entidade gerida voluntária e gratuitamente onde todos trabalham para o bem comum, deve ser motivo de respeito e orgulho, para quem assume a responsabilidade da sua gestão dia a dia. Devem ser utilizados os seus espaços como forma de chamar os associados a si, através de ações de convívio, sempre tão ao jeito do associativismo popular.

    Mas não só dentro de portas, virando, também as suas iniciativas para fora, não só quando se realizam iniciativas mais ou menos formais, como as que acontecem entre associações, ou por ação do poder local autárquico, onde as populações são chamadas a ver e ouvir.

    Aqui chegados, permitimo-nos aludir a outras duas questões ligadas com o objetivo do artigo, a relação de cada associação com a sua comunidade e o funcionamento da democracia.

    É fundamental que em cada caso se procure a criação de condições para interagir dentro da associação, mas também com as populações envolventes de cada uma. Dando a conhecer os seus objetivos, as suas atividades, as suas necessidades e dificuldades financeiras, as suas responsabilidades civis, etc., procurando conseguir aproximá-las e chamá-las à participação. Deixando claro para todos que nas associações se desenvolvem práticas de transparência, disponíveis para a verificação de todos os que se queiram aproximar da sua associação.

    Evidenciando assim uma atitude onde a democracia seja uma imagem de marca do associativismo, que o é de facto, na imensa maioria das associações a nível nacional, desenvolvidas por homens e mulheres que nada mais procuram do que terem uma atitude ativa na sociedade, de forma voluntária e benévola.

    Por: Adelino Soares*

    *CPCCRD

     

     

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