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Edição de 31-03-2020
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    Arquivo: Edição de 31-07-2018

    SECÇÃO: Destaque


    FEIRA DO LIVRO E DAS ARTES DO CONCELHO DE VALONGO 2018

    Síntese histórica dos 60 anos de vida do nosso jornal

    Fotos ALBERTO BLANQUET
    Fotos ALBERTO BLANQUET
    Foi para nós - e por razões óbvias - um dos momentos de maior relevo da edição de 2018 da Feira do Livro e das Artes do Concelho de Valongo. Momento esse - ocorrido na noite de 13 de julho, dia em que também se assinalou o 28.º aniversário da elevação de Ermesinde a cidade - que numa breve e rica síntese revisitou um pouco da História do nosso jornal e vincou o seu papel de relevo na própria História da cidade que lhe serve de berço. Facto(s) testemunhado(s) no decorrer da conferência "60 Anos do Jornal A Voz de Ermesinde", ministrada pelo nosso Diretor, Manuel Augusto Dias, no Espaço Livro, ao lado do nosso stand na feira. 60 anos de vida - que este ano assinalamos - partilhados e comemorados com a comunidade no palco da cultura e do lazer ermesindense: o parque urbano.

    Depois de saudar e agradecer a presença de todos os que ali se encontravam, Manuel Augusto Dias começou por recordar que A Voz de Ermesinde (AVE) é hoje o único jornal que há seis décadas se publica de forma ininterrupta quer na cidade, quer no concelho de Valongo. Sublinhando em seguida a importância que os jornais assumem para a cultura e para a história, desde logo porque a História Contemporânea tem como fonte principal os jornais, recuou depois a janeiro de 1958, mês e ano de fundação da Sopa dos Pobres, a primeira designação do jornal, e também o nome da instituição que lhe serviu de berço. Instituição que nasceu, nunca é demais recordar, com a missão de apoiar os cidadãos mais necessitados da freguesia.

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    Facto curioso, e ressalvado nesta conferência pelo nosso Diretor, é que contrariamente ao que acontecia no resto do país no que diz respeito a estas instituições, a Sopa dos Pobres nasceu em Ermesinde pela mão de laicos e não por intermédio da igreja. «Quando uma obra destas nasce por intermédio da igreja os sacerdotes têm o púlpito e dali podem falar para os crentes e angariar fundos (para as suas obras), mas quando é uma obra laica não tem a mesma possibilidade. Portanto, a criação do jornal tem algum sentido, para dar voz à instituição e arranjar gente que para ela contribuísse, porque uma obra destas precisava de dinheiro. Ora, o jornal sendo um porta-voz da instituição acabava por garantir a esta algum fundo de maneio e isto tem muito a ver com o seu aparecimento», explicou o palestrante.

    1960 marca uma mudança ao nível da designação, passando a chamar-se A Voz de Ermesinde, nome que mantém até hoje, algo que se ficou a dever, na altura, à alteração do nome da instituição, que passou a chamar-se Centro de Assistência Social de Ermesinde.

    Cruzaria igualmente o ano de fundação do jornal com alguns factos históricos para o país, entre outros, o facto de 1958 ser o ano em que o então Bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes, escreveu a célebre carta a Salazar - nota curiosa é que fazia naquele preciso dia 13 de julho 60 anos que essa carta havia sido escrita -, e que esteve na origem do seu exílio durante 10 anos. Bispo que, conforme recordou o orador, teve uma forte ligação a Ermesinde, já que foi aqui que viria a falecer em 13 de abril de 1989.

    Manuel Augusto Dias recordaria posteriormente os nomes dos oito diretores que ao longo destes 60 anos passaram pelo jornal, com a curiosidade de dois deles, Casimiro de Sousa e Carlos Faria terem marcado presença nesta conferência, sendo que este último esteve inclusive na mesa de conferencistas. «O jornal foi crescendo, foi-se impondo com o passar dos anos", frisou o nosso Diretor, sublinhando que o papel da imprensa local é bem diferente do papel da imprensa de dimensão nacional, isto é, os jornais locais têm como missão divulgar as coletividades e instituições da terra, divulgar as personalidades locais, a vida política local, etc., "e isso o nosso jornal tenta fazer de forma imparcial».

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    Falar da AVE é falar da história da cidade, «ao longo destes 60 anos o jornal tem o historial da cidade, das instituições, e ninguém que faça História Contemporânea pode desenvolver esse trabalho sem ir ao aquivo do jornal», lembrou o Diretor, que pegando neste facto convidou os presentes a visitar o rico espólio (arquivo) que está guardado nas nossas instalações. «O jornal nasceu com a missão de ser o porta-voz da instituição (atualmente denominada de Centro Social de Ermesinde), mas hoje é a voz da cidade», disse, aproveitando a ocasião para apelar à comunidade que ajude o jornal, ora fazendo-se assinantes, ora angariando publicidade, ora comprando-o. Agradecendo a todos aqueles que colaboraram e colaboram com a AVE ao longo destes anos, Manuel Augusto Dias passaria em seguida a palavra a Carlos Faria, que durante seis anos (1998-2003) foi diretor do jornal. Anos estes que para esta personalidade local «constituíram momentos altos da minha vida. Foi preciso muito trabalho, empenho, mas consegui graças a um conjunto de notáveis colaboradores levar a Carta a Garcia», disse o agora presidente da Direção da Ágorarte. Aliás, lembrou que foi precisamente no seio da AVE que nasceu esta associação cultural. «Hoje, continuo a rever-me nas páginas da AVE, e penso que o futuro deste jornal passa muito pela mão dos ermesindenses, pois quando uma décima parte da população da cidade se fizer assinante da AVE temos garantida a sua longevidade», disse Carlos Faria, não sem antes endereçar elogios ao atual Diretor do jornal, a quem se referiu recorrendo a um velho chavão inglês como «the rigth man in the right place (o homem certo no lugar certo)».

    De referir ainda que esta conferência foi gravada pelo Canal Regional de Valongo (canal de televisão/on-line), nosso parceiro e a quem aproveitamos para agradecer publicamente o facto de ter produzido este vídeo/documento histórico, sendo que os leitores interessados em visionar esta gravação podem fazê-lo acedendo à nossa página oficial de facebook, local onde o citado vídeo está publicado. (aqui fica o link dessa transmissão: https://bit.ly/2KcznTN)

    Por: Miguel Barros

     

     

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