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Edição de 31-10-2018
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    Arquivo: Edição de 30-06-2018

    SECÇÃO: Destaque


    97.º ANIVERSÁRIO DOS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE ERMESINDE

    Honra e glória aos bombeiros de Ermesinde na passagem dos seus 97 anos de vida

    97 anos de vida. Foi esta a bonita idade que a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ermesinde (AHBVE) comemorou nos dias 16 e 17 de junho. Foi um fim-de-semana de festa, onde os "soldados da paz" da nossa cidade tiveram o justo e merecido reconhecimento da comunidade não só pela data comemorativa mas sobretudo pelo importante e imprescindível papel que desempenham na sociedade. Para celebrar esta data os bombeiros ermesindenses levaram a cabo um vasto programa de atividades, onde entre outras se destacam os exercícios de simulacro realizados em Alfena, os desfiles e homenagens ao Bombeiro, e a sessão solene que contou com a presença de inúmeros convidados e onde foi realizada a cerimónia de promoção de novos bombeiros e a entrega de emblemas a associados com mais de 50 anos de filiação.

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    A cidade de Alfena testemunhou o ponto de partida das comemorações do 97.º aniversário dos Bombeiros Voluntários de Ermesinde (BVE). Próximo da igreja matriz desta cidade decorreram dois exercícios de simulacro, onde os "soldados da paz" demonstraram junto da população não só todas as suas capacidades técnicas ao nível do salvamento e desencarceramento, mas também evidenciaram que o futuro do corpo ativo será risonho, já que um dos simulacros foi protagonizado pelos cerca de 30 alunos - com idades compreendidas entre os seis e os 17 anos - que frequentam a Escola de Infantes e Cadetes dos BVE, que através de um exercício simples - e adequado às suas tenras idades - mostraram os ensinamentos adquiridos ao longo dos últimos nove meses de formação. Apesar do muito calor que se fazia sentir na tarde do dia 16, os "bombeiros do amanhã" estiveram à altura do desafio.

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    Os festejos dos 97 anos de vida dos nossos bombeiros continuaram na manhã de domingo (dia 17), bem cedo, com a formatura geral no quartel a ser seguida do tradicional hasteamento das bandeiras. Seguiu-se a missa, na Igreja Matriz, tendo posteriormente sido realizadas as romagens aos cemitérios de Ermesinde (tanto ao número 1 como ao número 2), de Águas Santas e de Alfena, onde foi prestada homenagem aos bombeiros já falecidos. Pelo meio houve lugar ao também tradicional desfile por algumas ruas da cidade, onde foi feita a homenagem ao Bombeiro na rotunda da Rua José Joaquim Ribeiro Teles.

    A SESSÃO SOLENE...

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    Após o almoço teve então lugar a sessão solene das comemorações, sessão essa que teve lugar no salão nobre da associação, espaço que se viria a revelar pequeno demais para acolher o numeroso público que ali acorreu. Bombeiros, dirigentes da associação, convidados, associados e largas dezenas de familiares de bombeiros partilharam o mesmo espaço durante um par de horas, enfrentando e aguentando o muito calor que se fazia sentir na sala. Ainda antes da sessão ter início, tempo houve para uma nova formatura no exterior do quartel, a qual foi presenciada por inúmeras figuras públicas convidadas, destacando-se os presidentes da Câmara de Valongo e Juntas de Freguesia de Ermesinde e de Alfena, respetivamente José Manuel Ribeiro, João Morgado e Arnaldo Soares, bem como o vice-presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, Marco Braga, e o presidente do Conselho Fiscal da Federação dos Bombeiros do Distrito do Porto, o comandante Costa e Silva.

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    Já no interior do salão nobre, estes dois últimos nomes juntamente com José Manuel Ribeiro, Jorge Videira (presidente da Direção da AHBVE), Serafim Santos (presidente da Assembleia Geral da AHBVE) e Sérgio Barros (comandante dos BVE) compuseram a mesa de honra da sessão. Na qualidade de presidente da Assembleia Geral (AG), coube a Serafim Santos abrir a sessão e proferir as primeiras palavras oficiais da tarde. Lembrando que aquele era um momento para homenagear os BVE pelos seus 97 anos de vida, solicitou aos restantes elementos da mesa que fossem breves nos seus discursos, até porque havia ainda que proceder à cerimónia de promoção de bombeiros, e como tal, mais de uma hora de discursos poderia causar alguma impaciência na plateia, dado o extremo calor que se fazia sentir. De breves palavras, Serafim Santos deixou três notas de elogio. A primeira delas para a Direção, dizendo-se orgulhoso de ser presidente da AG de uma associação cuja Direção se tem destacado «pelo excelente trabalho na gestão rigorosa desta associação humanitária». A segunda nota foi para o comandante Sérgio Barros, um jovem, nas palavras de Serafim Marques, «que é um milagre nesta associação, uma mais valia para os BVE e por isso dou-lhe os meus parabéns pelo trabalho que está a fazer». A terceira nota foi para o próprio corpo ativo dos BVE, dirigindo os parabéns e um «muito obrigado» a todos os bombeiros «pela dedicação, pelo esforço, pela vontade e espírito de ajuda. Se não fossem vocês em Ermesinde e noutros sítios do país já teria morrido muito mais gente».

    REJUVENESCIMENTO NA CORPORAÇÃO

    Seguiu-se-lhe o comandante Sérgio Barros, que começou por sublinhar a honra e satisfação de estar nas comemorações deste 97.º aniversário, acrescentando que era tempo de não só homenagear quem há 97 anos atrás fez história ao criar esta associação, mas igualmente todos aqueles que por ali passaram ao longo de todos estes anos de vida. E dirigindo-se aos atuais bombeiros do corpo ativo, referiu que hoje são eles os representantes de todos os bombeiros que ao longo da história elevaram bem alto o nome da associação. Lembraria em seguida que as comemorações deste aniversário haviam tido início na véspera, com a realização de dois simulacros, exercícios onde o corpo de bombeiros tinha demonstrado à população «não só a excelência do equipamento que possuímos, mas também a excelência da capacidade técnica em missões de intervenções de socorro, nomeadamente em desencarceramentos e salvamentos». Uma palavra de reconhecimento ainda para o grupo de infantes e cadetes da associação, o qual também efetuou um simples exercício de simulacro, como já foi referido, baseado na aprendizagem que tiveram ao longo dos últimos meses. Escola de infantes e cadetes que teve início em outubro passado e que «nos orgulha a todos», de acordo com o comandante. Aos recrutas que concluíram o curso de bombeiro, o comandante deixou igualmente uma mensagem de parabéns e incentivo para a nova etapa que dali a pouco iriam (oficialmente) iniciar, sublinhando, com esta promoção de recrutas a bombeiros de 3.ª, é preciso proceder a uma renovação no corpo ativo dos BVE, «precisamos de nos rejuvenescer, de garantir que aqueles que por algum cansaço têm o direito de se reformarem e por isso temos de os substituir».

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    Novos bombeiros que precisam de ter equipamento de proteção individual adequado para enfrentar as adversidades que vierem a encontrar nesta sua nova missão, conforme recordou o comandante, acrescentando no seguimento desta lembrança que para equipar cada um dos novos bombeiros é necessário no mínimo 1500 euros (por cada um), «um esforço muito significativo, e tendo em contas as dificuldades que atravessamos, às quais a nossa associação não é alheia, só foi possível comprar estes equipamentos graças ao apoio de alguns beneméritos». Entidades e empresas (locais) essas que em seguida entregaram aos novos bombeiros os equipamentos de proteção individual, tendo Sérgio Barros endereçado um sentido agradecimento público a todas elas - cujo nome é de bom tom recordar pelo gesto tido: Junta de Freguesia de Ermesinde, Junta de Freguesia de Alfena, Confeitaria Damira, Restaurante Kibom, Confeitaria Raiz Quadrada, Confeitaria Fonte de Sabores e Pão Quente Flor da Costa.

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    Ainda antes de Sérgio Barros dar por concluída a sua intervenção, aconteceu um dos pontos altos - e muito aguardado - desta sessão solene: a promoção de bombeiros. Diante do olhar atento e orgulhoso dos seus familiares, cerca de uma dezena de recrutas foram oficialmente promovidos a bombeiros de 3.ª, enquanto que outros tantos receberam a promoção a bombeiros de 2.ª, e quatro passaram a sub-chefes. Um momento para mais tarde recordar e muito sentido como facilmente se pode constatar. Sérgio Barros daria por concluída a sua intervenção com palavras de apreço à Direção da AHBVE pela forma respeitosa com que tem trabalhado com o comando, e um emocionado obrigado a todos os bombeiros do corpo ativo por o deixarem ser seu comandante.

    MAIS AJUDAS SERÃO BEM VINDAS

    Posto isto usaria da palavra o presidente da Direção, Jorge Videira, que depois de agradecer a presença de todos, citou um pequeno trecho histórico datado de 1921, altura em que «um punhado de homens bons de Ermesinde, conceberam a nobre e humanitária ideia de fundar uma corporação de voluntários. Uma bomba braçal oferecida pelos municipais do Porto e dez baldes de lona foi todo o material com que iniciaram a sua obra, hoje magnífica, de bem-fazer». Volvidos 97 anos, nas suas palavras, as reformas do sistema transformaram por completo as competências e o "modus actuandi" dos bombeiros. «Os sinais de progresso e a globalização trouxeram imensas melhorias ao nível da formação de pessoal, equipamentos de combate aos fogos, modernização das viaturas, direi mesmo que um grande salto qualitativo, contudo, quase sempre com imputação de custos às associações humanitárias». E pegando nesta nota, sublinharia o investimento - superior a 305 000 euros - que a AHBVE realizou nos últimos dois anos em viaturas, equipamentos pessoais, formação e pequenas obras na sede.

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    No entanto, as necessidades são sempre uma constante, conforme referiu, e dirigindo-se ao presidente da Câmara, solicitou a ajuda da autarquia para a resolução de alguns problemas com que a associação se depara. Um deles, visa a ampliação das camaratas, por forma a permitir a criação de condições dignas para as bombeiras (mulheres), cada vez em maior número, sendo que o outro alude à substituição do telhado de fibrocimento, no sentido de que deixe de chover no interior do edifício (na parte antiga do quartel). Terminaria a sua alocução com um rol de agradecimentos: aos associados, à Câmara e juntas de freguesia de Ermesinde e de Alfena, aos órgãos sociais da AHBVE, ao comando e corpo de bombeiros, bem como às famílias destes.

    No final da intervenção do presidente da Direção da associação aniversariante, procedeu-se à entrega de emblemas aos associados - aproximadamente uma dezena - com mais de 50 anos de filiação.

    CRÍTICAS AO ESTADO

    Uma das personalidades convidadas desta festa foi o comandante Costa e Silva, que - e em curtas palavras - além de agradecer o convite para ali estar presente e parabenizar os BVE pelos seus 97 anos de vida, lançou um duro ataque ao Governo, «que todos os dias nega recursos como estes que temos aqui. E por isso um bem haja aos BVE».

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    Em representação do presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), Jaime Marta Soares - retido em Lisboa e a braços com a crise no Sporting, clube de cuja AG foi presidente -, esteve Marco Braga, vice-presidente daquela entidade. Mostrou-se agradecido e orgulhoso por estar a representar a Liga na festa de aniversário de uma das «mais prestigiadas associações humanitárias de Portugal». Regozijou-se ainda por ver «tanta juventude neste corpo de bombeiros», numa alusão aos jovens recrutas que ali haviam sido promovidos, antevendo a todos eles um futuro brilhante na missão que irão dali em diante abraçar, sublinhando o reconhecimento da LBP pela aposta que associações como a da nossa freguesia fazem na formação e no rejuvenescimento dos seus corpos ativos. Lembrou ainda que há precisamente um ano, Portugal viveu umas das maiores tragédias da sua história, referindo-se ao que aconteceu em Pedrógão Grande, tragédia que só não foi maior graças ao trabalho dos bombeiros, conforme referiu. «Vocês (bombeiros) são uns heróis, pois quem dá a própria vida para salvar outras vida só pode ser herói». Também Marco Braga iria tecer fortes críticas ao Estado pela falta de apoio que este tem prestado aos bombeiros portugueses. «É lamentável que os bombeiros tenham de recorrer a beneméritos das suas terras para adquirir equipamentos, quando isto deveria ser uma competência do Estado». Reivindicando que o Estado deveria estar ao lado dos seus bombeiros, o vice-presidente da Liga encerrou o seu discurso com um agradecimento aos BVE por tudo o que têm feito não só pela cidade de Ermesinde como por todo o Distrito do Porto.

    ORGULHO DA AUTARQUIA

    NOS BOMBEIROS DO CONCELHO

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    Por fim, usaria da palavra o presidente da Câmara de Valongo, que começaria por sublinhar o papel relevante dos bombeiros na nossa sociedade. «Nós, aqui no concelho de Valongo, temos muito respeito pelos bombeiros», disse, acrescentando que anualmente o Município apoia as duas corporações do concelho em mais de 200 000 euros, lembrando neste ponto que há sensivelmente um ano a autarquia atualizou - ou aumentou - o subsídio mensal dado aos bombeiros de Ermesinde e de Valongo - passando de 4500 euros para 6000 euros mensais. Respondendo diretamente aos pedidos de ajuda de Jorge Videira, o presidente da Câmara prometeu "sentar-se" com os dirigentes da AHBVE, para conversar e procurar encontrar soluções para os problemas apresentados. Mostrando uma profunda admiração pelo trabalho que vem sendo feito pelo comandante Sérgio Barros, o edil terminou a sua intervenção vincando o orgulho que sente em «ser presidente de uma autarquia que tem duas corporações de bombeiros como Valongo (concelho) tem».

    Finalizada esta sessão solene, a AHBVE brindou todos os presentes com um lanche convívio servido no parque de viaturas do quartel.

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    Por: Miguel Barros

     

     

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