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Edição de 31-10-2019
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    Arquivo: Edição de 31-10-2016

    SECÇÃO: Destaque


    Jacinto Soares perpetua em novo livro as gentes, os artistas, as tradições e o património de Ermesinde

    Fotos SEGROB BORGES
    Fotos SEGROB BORGES
    Jacinto Soares, ilustre e apreciada personalidade da nossa comunidade, deu mais um passo no sentido de divulgar e perpetuar a História da nossa cidade, ao lançar na noite de 4 de outubro último a sua nova obra literária, intitulada "Ermesinde, o Património e a Nossa Gente (mosaicos e historiais)". O lançamento do livro teve lugar no salão nobre do Centro Social de Ermesinde, um espaço que se iria revelar pequeno para acolher o elevado número de cidadãos que não quiseram deixar de se associar ao acontecimento.

    A nova obra de Jacinto Soares resulta de um longo e minucioso trabalho de investigação levado a cabo pelo autor ao longo dos últimos anos, surgindo no seguimento do seu anterior livro alusivo à cultura, usos, crenças histórias e tradições locais, intitulado "Ermesinde - Memórias da Nossa Gente". Este novo e valioso contributo para a preservação do património histórico de Ermesinde está dividido em 10 capítulos, que, segundo explicação do autor, abarcam um conjunto de temas distintos e indiferenciados que têm como polo aglutinador o património. Temas que vão desde o acervo histórico mantido e ligado ao Santuário de Santa Rita até aos ricos e importantes vestígios arqueológicos dos Montes da Costa, passando pelos conjuntos decorativos e que ainda ornamentam alguns exemplares construídos. Rica em imagens, a obra pretende ainda dar a conhecer um conjunto de obras de arte, desde a pintura à escultura, com as suas histórias e outro tipo de património escondido que era necessário pôr a descoberto, de acordo com o autor. Temas controversos também são esmiuçados neste livro, e que fazem naturalmente parte da história da nossa terra, como é o caso da questão dos limites e fronteiras entre freguesias vizinhas. Capítulo importante do livro alude ao tema da linguística, em que não só são interpretados/decompostos os topónimos aqui existentes, ou desaparecidos, como também um conjunto de palavras usadas pelas gentes destas zonas e que caíram em desuso, funcionando não só como um glossário mas também pela sua extensão como um bloco de notas didáticas. No mesmo sentido surgem algumas frases idiomáticas que o povo usava como suporte empírico de ensinamentos e juízos de valor.

    UM PATRIMÓNIO

    QUE SE FICA A DEVER

    AO AUTOR

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    Como já foi referido no início foram muitos os cidadãos presentes na cerimónia de lançamento do livro, destacando-se diversos autarcas locais, como o presidente da Câmara de Valongo, José Manuel Ribeiro, diversos membros dos Executivos municipal e da Junta de Freguesia de Ermesinde, deputados das assembleias municipal e de freguesia, o cónego Sebastião Brás (autor do prefácio do livro), assim como amigos e antigos alunos de Jacinto Soares. Convidado de honra deste evento foi Barbosa da Costa, amigo de longa data do autor e também ele um prestigiado e reconhecido historiador, investigador e escritor ligado, sobretudo, ao concelho de Vila Nova de Gaia, e que esteve encarregado de fazer a apresentação de "Ermesinde, o Património e a Nossa Gente (mosaicos e historiais)".

    O primeiro a usar da palavra nesta cerimónia foi Henrique Rodrigues, o presidente da Direção do Centro Social de Ermesinde (CSE), a instituição anfitriã deste lançamento. O dirigente começou por agradecer o facto de a Junta de Freguesia de Ermesinde ter concedido à instituição a honra de ali apresentar este trabalho, acrescentando que Jacinto Soares é um homem da casa, lembrando como tal os anos em que este exerceu com distinção o cargo de diretor do jornal A Voz de Ermesinde (propriedade do Centro), um papel, que nas suas palavras, foi desempenhado com grande relevo e que se traduziu na publicação de inúmeros trabalhos de qualidade. Um sinal de que este novo livro é também ele um trabalho de qualidade que irá perpetuar as memórias, as gentes e os costumes de Ermesinde, de acordo com a visão do presidente da Direção do CSE. Referiu ainda que num tempo (presente) em que há pouco tempo para olhar para o passado é de enaltecer ver que há quem se dedique a este tipo de trabalho. Para o dirigente, este livro é um património que ficamos a dever a Jacinto Soares, um património «que nos ajuda a reconhecer como ermesindenses hoje e no futuro».

    "Ermesinde, o Património e a Nossa Gente (mosaicos e historiais)" é uma obra cuja edição é da responsabilidade da Junta de Freguesia de Ermesinde (JFE). Seria pois na qualidade de principal apoiante da publicação da obra que o presidente daquele organismo, Luís Ramalho, usaria da palavra nesta cerimónia. Começou por lembrar que inicialmente a ideia da Junta era lançar este livro por alturas das comemorações do Dia da Cidade, a 13 de julho, mas as diferenças de opinião, as discussões, no bom sentido, que foram acontecendo entre presidente da JFE e autor sobre variados aspetos do livro adiaram a publicação oficial. «Ambos queríamos que este livro fosse uma obra prima, não só pelos conteúdos (a nível de textos) mas também pelas imagens antigas que são publicadas», recordou o autarca que acrescentaria que essa ambição foi alcançada, por outras palavras, o livro é de facto uma obra prima que orgulha Ermesinde. Sobre o autor, de quem foi aliás aluno, conforme recordou, Luís Ramalho teceu os mais rasgados elogios, «é uma figura incontornável da nossa cidade, alguém que se interessa pelos nossos costumes, tradições, algumas delas já perdidas, alguém que se interessa pela nossa história».

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    Autor de mais de cerca de duas dezenas de monografias, e também ele um ilustre homem da História, Barbosa da Costa recordaria alguns episódios vividos ao lado do seu amigo de longa data Jacinto Soares. Dos tempos da tropa ao período em que ambos iniciaram a sua carreira de docentes, passando pela lembrança das humildes origens comuns (são os dois provenientes de famílias de lavradores), entre outros pormenores que fazem com que este carismático cidadão gaiense conheça muito bem o não menos carismático cidadão ermesindense. «É homem solidário, amigo, e quando tem um objetivo persegue-o de forma obstinada. Neste trabalho o Jacinto Soares não é só um historiador, é também um demografo, um geógrafo, um linguísta, um antropologista e um patrimonialista. Nota-se que ele conhece como ninguém a sua terra, conhece todas as pedras das calçadas, e este trabalho é uma prova do seu amor a esta terra», frisou o apresentador da obra. Posto isto foi a vez do próprio Jacinto Soares usar da palavra, sobretudo para agradecer a presença de todos, agradecimento que se alongou a muitas outras pessoas, instituições e organismos que o ajudaram a desenvolver este trabalho. O historiador referiu ainda como curiosidade que demorou alguns anos a elaborar esta nova obra, ressalvando, entre outros aspetos, que teve como objetivo trazer à luz do dia, vestígios, factos e técnicas artísticas esquecidas, ou em vias de total desaparecimento. Aproveitou ainda a ocasião para presentear com este seu novo livro seis ermesindenses que nele figuram, dando desta forma seguimento ao capítulo "rostos da nossa gente" que havia ficado em aberto no livro anterior, "Ermesinde - Memórias da Nossa Gente". Foram então chamados ao palco Maria Fernanda Sousa, popularmente conhecida na nossa terra como Fernanda Moleira, o pintor Manuel Carneiro, André Vilaça e Feliciano Moreira Silva. Para representar Crispim Pereira e Augusto Moreira, ambos já falecidos, estava prevista a presença dos respetivos filhos, os quais, no entanto, acabaram por não comparecer nesta cerimónia. Depois da sessão de autógrafos seguiu-se o tradicional Porto de Honra.

     

     

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