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Edição de 31-07-2020
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    Arquivo: Edição de 30-09-2016

    SECÇÃO: Desporto


    ENTREVISTA COM O PRESIDENTE DA DIREÇÃO DO CPN

    CPN determinado em voltar a deter o estatuto de maior e mais importante clube do Concelho de Valongo

    À boleia das comemorações do 75º aniversário do CPN o nosso jornal esteve neste mês de setembro à conversa com Rui Moutinho, o presidente da Direção do emblema ermesindense. Numa entrevista realizada à porta das duas galas (a serem realizadas no primeiro fim-de-semana de outubro) que marcam o arranque oficial de um ano de festa, Rui Moutinho descreveu o trabalho que tem sido feito pela sua equipa diretiva ao longo destes primeiros quatro meses que leva de mandato, vincando o objetivo de, por um lado, afastar o clube do caminho das dificuldades financeiras que este ainda percorre, e por outro reabilita-lo no sentido de atrair ao CPN mais cidadãos (sejam eles associados, utentes do complexo, ou atletas), sem esquecer a continuidade da aposta na formação aliada à permanência na senda dos êxitos desportivos. Estes são pois alguns dos objetivos que Rui Moutinho e a sua equipa se encontram empenhados em atingir, com a clara intenção de que o CPN volte a ocupar o posto de maior e mais importante clube do Concelho de Valongo.

    Fotos MANUEL VALDREZ
    Fotos MANUEL VALDREZ
    A Voz de Ermesinde (AVE): O Rui Moutinho está há apenas quatro meses à frente dos destinos do CPN, tempo ainda curto para fazer um balanço seja daquilo o que for. No entanto, começava por lhe perguntar como foram estes primeiros quatro meses de mandato, que CPN encontrou e o que é que já foi feito pela mão da Direção por si comandada.

    Rui Moutinho (RM): A situação do CPN não me era estranha, porque eu fazia parte da anterior Direção, embora com divergências, divergências essas que, aliás, resultaram na minha candidatura à liderança do clube. Conhecia perfeitamente a realidade de então do CPN, um clube com pouco dinamismo, com falta de atitude em relação ao espaço que ocupamos, com uma imagem negativa para o exterior. Por outro lado, herdamos uma situação financeira muito complicada. O CPN tem neste momento um passivo superior a 300.000 euros, tem dívidas em recuperação à Segurança Social, à EDP, e a ex-funcionários do clube que foram dispensados. Em suma, o trabalho que temos vindo a desenvolver ao longo destes quatro meses tem assentado, por um lado, em cumprir com os compromissos que temos com a banca e com os nossos fornecedores, e por outro, e apesar das dificuldades financeiras com que vivemos, não esquecer a dinâmica no clube, dinâmica essa que já se está a refletir no nosso trabalho diário…

    AVE: … Mas voltando ao início da sua resposta, quando diz que o CPN era um clube com pouco dinamismo e com uma imagem negativa em que factos concretos assenta essa sua visão, até porque, como disse, fazia parte da Direção anterior…

    RM: Essa má imagem não foi construída só na anterior Direção, vem de há longos anos. Ou seja, temos aqui um complexo desportivo avaliado em 1,5 milhões de euros, mas para pagar mensalmente a prestação do empréstimo contraído para a construção da infraestrutura é preciso ter receita. Ora, não havendo receita o clube não sobrevive. E a nível das piscinas, do tanque grande, foram se calhar mais as vezes em que o clube esteve fechado do que aberto. Houve épocas em que se iniciavam no verão as atividades na piscina grande e chegava-se a setembro e essas atividades eram encerradas até ao próximo ano. Isso criou nas pessoas uma imagem de que o clube não funcionava. Há que limpar essa imagem, e é isso que estamos a fazer. O próprio ginásio esteve várias vezes na iminência de fechar. Ainda agora, a propósito do ginásio, vamos adquirir mais duas passadeiras (para exercícios). Muito recentemente adquirimos também um aspirador robot para as piscinas que há um ano não eram aspiradas. Já se nota outra dinâmica no CPN. A dinâmica de que falo advém também do facto de o clube voltar a ter representados na sua Direção pessoas que provêm das próprias secções, gente que sabe o que fazer em relação às atividades de cada uma das secções, e isso logo à partida dá uma dinâmica completamente diferente ao clube. Antes isso não acontecia, parecia que havia dois CPN's, o da Direção, que estava cá por cima, que era a cabeça pensante, mas completamente desligado da atividade desportiva, e o CPN das secções. Isso hoje não acontece. Cada secção coloca os seus problemas na mesa, são discutidos e todos nós na Direção temos consciência desses mesmos problemas, isto permite um funcionamento completamente diferente. Essa tal dinâmica que temos vindo a incutir no CPN desde que aqui chegamos já deu aliás alguns frutos. Por exemplo, reativamos a secção de natação de competição, que estava encerrada há alguns anos devido aos vários problemas que a piscina viveu. Tivemos inclusive a felicidade de ver regressados ao CPN atletas que estavam a competir noutros clubes, atletas com vários títulos obtidos na natação. Aliás, ao nível da natação temos uma novidade, que nos parece de extrema importância para o próprio concelho de Valongo, e que passa pela abertura da vertente de natação adaptada. Também aqui tivemos a felicidade de receber uma professora com vasta experiência nesta vertente específica da natação, uma professora que treina atletas que no currículo ostentam presenças em campeonatos da Europa e do Mundo, e que agora estão ao serviço do CPN. O próprio pólo aquático está a desenvolver-se, embora este ano continue a ser o ano zero ao nível da reimplantação da secção no clube, uma vez que construir uma equipa competitiva demora o seu tempo. O basquetebol e o andebol estão a fazer o seu caminho, com muitas entradas de jovens nas várias equipas destas duas secções. A pesca desportiva vai ter brevemente atletas a participar em competições internacionais. Em resumo, nota-se que o CPN já tem outra vida, que está numa fase de crescendo. Agora, além de continuar a implantar esta dinâmica estamos focados na necessidade de aumentar as receitas, esse é outros dos grandes objetivos deste Direção.

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    AVE: De que forma é que essas receitas, e quais são elas, podem ser aumentadas?

    RM: Angariar novos sócios, uma das principais fontes de receita do clube. Se não aumentarmos significativamente o nosso número de associados vamos ter sempre algumas dificuldades. Repare, antes de aqui chegarmos as listagens que constavam da base de dados do clube indicava que tínhamos cerca de 6500 sócios, mas quando tomámos as rédeas do CPN percebemos que efetivamente só havia cerca de 250 associados pagantes. Isto cria logo uma enorme dificuldade, tendo em conta que cada associado paga por mês dois euros de cota. Por isso, queremos e temos a necessidade de aumentar o número de associados. Neste momento temos já cerca de 1500 sócios pagantes, estamos no bom caminho, mas o ideal seria atingirmos os 5000 sócios. É nesse objetivo que estamos a trabalhar. Outra grande fonte de receita são os utentes, e nesse aspeto queremos trazer para cá mais pessoas. Atualmente temos cerca de 600 utentes, que pagam uma mensalidade que varia entre os 17,50 e os 34 euros, dependendo da quantidade de dias da semana que cá venham frequentar a piscina ou o ginásio. Isso dá-nos uma receita na ordem dos 14.000 euros, e é com isso que sustentamos o clube, uma vez que as secções têm a sua atividade regida por um regulamento que lhes dá a independência desportiva e financeira, isto é, são autónomas sob o ponto de vista desportivo e financeiro, são livres para angariar apoios, patrocínios, donativos, e é assim, por exemplo, que a secção de basquetebol tem conseguido singrar, porque tem muitos apoios e mecenas que têm contribuído para a sua expansão.

    Também no sentido de trazer mais gente para cá o CPN vai começar a ser mais visto em atividades de rua, o clube vai sair da sede para realizar atividades no parque urbano, por exemplo. Falo em demonstrações de karaté, de basquetebol, as próprias atividades de ginásio, pois convém referir que esta Direção retomou toda a gestão do clube, que inclui o ginásio. Ainda agora, no âmbito do 75º aniversário do clube, levamos algumas atividades para a rua. Há muita gente que vive em Ermesinde e não sabe o que é o CPN, outras não sabem que o CPN tem as melhores piscinas do concelho e uma das melhores do distrito, pois não há muitas piscinas com a profundidade por toda ela de 1.90m que permita a prática de polo aquático, por exemplo. Há muita gente que não sabe que o CPN é uma alternativa às piscinas municipais que estão superlotadas. Mas para trazer para cá as pessoas temos de lhes dar condições, limpar um bocado a tal imagem negativa que se construiu durante alguns anos em torno do CPN e mostrar que somos um clube diferente. É nesse trabalho que estamos concentrados.

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    AVE: Pegando novamente na questão da piscina. Esta infraestrutura era encarada pelas anteriores Direções como uma verdadeira dor de cabeça, desde logo pela elevada fatura mensal do consumo de gás, facto que levou ao encerramento da piscina em várias ocasiões, como aliás, já aqui foi referido. Como é que esta Direção tem suportado essa dor de cabeça, se é que ainda o é…

    RM: A piscina continua a ser uma dor de cabeça, sobretudo porque a fatura de gás, como referiu, é muito elevada. Nós tivemos a sorte de apanharmos uma fase de transição em que foram introduzidas duas novas caldeiras de última geração, uma delas adquirida com o apoio da Câmara Municipal de Valongo, e que permitem uma redução de custos na ordem dos 40 por cento. De qualquer maneira, os custos continuam a ser elevados e têm de ser geridos no dia-a-dia. Tem sido através das inscrições nas atividades do ginásio e da piscina que nós suportamos esses custos, e aqui há a tal necessidade de aumentar os utilizadores desses serviços, como disse anteriormente, no sentido de corresponder aos custos. É com muita dificuldade que estamos a manter tudo a funcionar, e por isso precisamos aumentar as receitas. Mas devo ressalvar novamente que o CPN está a honrar com todos os seus compromissos, não deixa nada para o mês seguinte. Estamos a cumprir religiosamente. Todo o passivo foi renegociado, aliás, em relação ao banco é bom que se diga que a renegociação da prestação foi feita pela Direção anterior, que junto com o banco escalonou um valor mensal mais baixo de modo a que o clube consiga pagar. Em relação à divida da EDP terminamos de a pagar para o mês que vem, e a dívida à Segurança Social fica liquidada este mês.

    AVE: Com essas dívidas, à EDP e à Segurança Social, liquidadas o CPN vai poder respirar melhor…

    RM: Poderia se não tivesse investimentos para fazer. Por isso é que nos estamos a gerir em função desses compromissos, e como acabamos este mês alguns desses compromissos já nos abalançamos para outros investimentos, por exemplo, e como já referi, a aquisição de duas passadeiras para o ginásio, sendo que cada uma delas custa cerca de 3000 euros. Claro que não as vamos pagar de uma vez, vamos ter de negociar com os fornecedores. Com a aquisição desses materiais estamos a criar condições no ginásio para que as pessoas se sintam bem ali. Aliás, o chão do pavilhão do clube, onde são realizados treinos da secção de basquetebol, estava completamente esburacado. Quando aqui chegamos fizemos a reparação daquele espaço. As próprias balizas de andebol não tinham redes, e isso já está tudo reparado. São pequenos investimentos que esta Direção fez e que fazem a diferença. O grande problema do CPN era a falta de manutenção. Como o clube esteve nos últimos anos entregue a empresas no sentido de explorarem o complexo acontecia o seguinte: as empresas tinham como objetivo o lucro, e tentavam extrair o máximo lucro do complexo, mas a manutenção não era feita, e é essa situação que estamos a procurar inverter, recuperar o que está avariado e fazer diariamente a manutenção. Se isso for feito estamos a criar condições para que as pessoas regressem ao clube.

    AVE: O CPN tem-se afirmado e projetado a nível nacional como um clube de formação, uma filosofia que tem dado inúmeras alegrias a este emblema, com a conquista de títulos regionais, nacionais e internacionais. Desportivamente, quais são as próximas metas que o CPN se propõe a atingir?

    RM: Como disse, o CPN é essencialmente um clube de formação. A nossa principal vertente é a formação de jovens desde que tenham idade para praticar desporto, e com isto conseguimos preencher muitas das lacunas que o próprio concelho e as escolas têm neste setor. É óbvio que depois de um determinado nível de formação as pessoas querem entrar na competição, é isso que as move, no fundo. Portanto, queremos continuar a obter bons resultados desportivos nas várias modalidades que temos. Recordo mais uma vez os grandes resultados que têm sido alcançados pelo basquetebol; no andebol iniciamos o ano passado uma equipa sénior que também obteve bons resultados no escalão onde principiou. No karaté, tivemos recentemente um atleta que se sagrou campeão mundial. Tudo isto são resultados muito importantes para o clube. Há pouco tempo, fundamos a secção de danças de salão, uma atividade que, aliás, já era praticada no CPN há 16 anos, embora de forma independente, uma vez que era paga uma renda ao grupo de danças de salão para utilizar as instalações do clube. Quando iniciou funções, esta Direção decidiu incluir esse grupo no clube, formar uma secção, e posso dizer que essa secção já tem títulos internacionais e nacionais. Tudo isto traz gente ao clube.

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    É nesse caminho que queremos continuar, ou seja, continuar a nossa filosofia de formação não descurando a vertente da competição, porque isso também acaba por despertar a formação.

    AVE: Atualmente quantos atletas integram os quadros do CPN nas suas várias modalidades?

    RM: Neste momento ainda estamos numa fase de inscrições de atletas com vista à nova temporada desportiva, mas para já temos inscritos em todas as modalidades cerca de 400 atletas.

    AVE: O CPN dá início amanhã (1 de outubro), de forma oficial, o programa de comemorações do seu 75º aniversário. Se pudesse pedir um presente para estas Bodas de Diamante o que escolheria?

    RM: Antes de tudo deixe-me dar conta do facto de que vamos aproveitar este 75º aniversário para publicar um novo livro sobre a história do CPN, precisamente o livro dos 75 anos de vida do clube. À semelhança do que aconteceu com o livro que foi editado por altura do 50º aniversário, este novo livro está a ser escrito pelo José Manuel Pereira, e esperamos que durante este ano de aniversário, que vai deste outubro de 2016 a outubro de 2017, ter condições para editar esta nova obra. Mas aquilo que eu pedia para o clube como prenda de aniversário era que esta Direção conseguisse cumprir o seu programa, que é muito ambicioso, um programa que a ser cumprido trará de novo o CPN ao auge que em tempos esteve. Gostaríamos também de resolver os principais problemas financeiros do clube, uma das nossas principais metas, mas para isso, volto a repetir, temos como outro objetivo aumentar a receita e o número de sócios, uma coisa está interligada com a outra. Se as pessoas de Ermesinde e do concelho começarem a encontrar no CPN um referencial temos a certeza de que estaremos no bom caminho. É pois preciso apostar muito na imagem do CPN, mostrar às pessoas que o CPN é de novo o clube mais importante da cidade e do concelho. Claro que temos outros clubes na cidade, como o Ermesinde 1936, por exemplo, embora a sua atividade passe só pelo futebol, enquanto que o CPN tem várias valências, é um clube completo. Queremos, volto a frisar, trazer mais gente para o clube, e para isso temos de criar pontos de interesse. E claro, outro dos objetivos passa por continuar a obter grandes êxitos desportivos em todas as modalidades. Basicamente, é isto que eu peço.

    Por: Miguel Barros

     

     

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