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Edição de 31-07-2020
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    Arquivo: Edição de 30-04-2016

    SECÇÃO: História


    Recordando o “25 de Abril de 1974” em Ermesinde

    A propósito de mais um aniversário da Revolução de Abril

    Na última edição recordámos a "Revolução dos Cravos" a nível nacional, hoje evocamo-la a nível local, com o seu impacto na vida da autarquia local e nas coletividades ermesindenses, tendo por base o livro de atas da Junta de Freguesia, nomeadamente a ata de 4 de maio de 1974; e o jornal "A Voz de Ermesinde", edição de maio de 1974.

    Foto ARQUIVO MAD
    Foto ARQUIVO MAD
    A revolução do 25 de Abril de 1974 poria ponto final ao Estado Novo, que se convencionou ter tido início com o plebiscito "favorável" à Constituição de 1933. Sobre o 25 de Abril de 1974, o executivo da Junta da Freguesia de Ermesinde presidido há sete anos por Joaquim Alves de Oliveira, tomou a seguinte posição, que consta em ata da reunião de 4 de maio (Livro n.º 22, fls. 143v. e 144):

    "1.º Apoiar incondicionalmente as Forças Armadas rendendo-lhe as suas homenagens, bem como à Junta de Salvação Nacional a quem se dirigem com todo o respeito e admiração;

    2.º Não se podendo desafectar do facto de terem servido durante a vigência do anterior regime, pedem aceitem o que com toda a sinceridade expressam no n.º um;

    3.º O facto de formarmos o corpo administrativo da Junta de Freguesia de Ermesinde é devido à proposta de paroquianos, que nos fizeram eleger e a nossa expressa vontade de servir o país nesta parcela do continente Português, pondo à consideração de Vossas Excelências, tanto as nossas personalidades, como as das pessoas que nos proposeram a sufrágio;

    4.º O expresso no n.º três não é com o fim de nos ser tributada a continuidade das funções que vimos exercendo, pois muito bem aceitamos e concordamos em absoluto com uma completa remodelação geral de todos os corpos administrativos;

    5.º Pedimos nos seja relevada a nossa discordância pelo que, numa reunião política, levada a efeito no passado dia 2, nesta Vila de Ermesinde, em que foi sugerida a "Tomada" da Junta de Freguesia, Bombeiros Voluntários de Ermesinde, Clube de Propaganda da Natação, Casa do Povo e Ermesinde Sport Clube, pois embora e como dissemos acima, estamos de absoluto acordo com uma remodelação geral de todos os corpos administrativos, achamos essa atitude penosa e leviana, o que denegride e desrespeita os bons e sábios intentos da Junta de Salvação Nacional;

    6.º Apresentamos a nossa mágoa pelo quase "ultimatum" que nos foi dirigido, "ultimatum" esse deliberado aquando da reunião a que nos já referimos e cujo texto transcrevemos:

    "Ex.mo Snr. Presidente da Junta de Freguesia de Ermesinde / Um Grupo de Democratas de Ermesinde vem informar V. Ex.ª de que deliberou reunir no edifício da junta a que V.ª Ex.ª preside, no próximo dia sete do corrente pelas vinte e uma horas. Para tal fim, solicita a V.ª Ex.ª se digne ordenar para que o referido edifício esteja aberto a partir das vinte e trinta horas. Saudações Democráticas: - Pela Comissão: Fernando António Vaz de Faria Sampaio".

    Uma vez que, anteriormente e de toda a boa vontade já tínhamos posto à disposição do referido grupo as instalações do edifício desta Junta.

    Renovamos as nossas saudações, o nosso incondicional apoio e a nossa admiração (...)".

    Há um apoio inequívoco, da parte da Junta de Freguesia de Ermesinde ao triunfante Movimento das Forças Armadas e à sua Junta de Salvação Nacional, mas, ao mesmo tempo, manifestam alguma mágoa pela forma como a Comissão de um Grupo de Democráticos de Ermesinde pretende controlar, desde logo, a autarquia e algumas das instituições mais importantes da vila.

    Quanto ao jornal, "A Voz de Ermesinde", dirigida por Eduardo da Costa Gaspar, na primeira edição a seguir ao "25 de Abril", com a data de "Maio de 1974", o próprio diretor escreve, na 1.ª e última páginas, o texto que, a seguir, se transcreve; e, no final, publica uma foto elucidativa do apoio popular à Revolução Democrática - a Avenida dos Aliados (Porto) completamente cheia.

    O MOMENTO

    HISTÓRICO

    QUE ATRAVESSAMOS

    "Todo o país está a passar por um momento de esperança num futuro desanuviado, e, porque Ermesinde é parte de Portugal, também no nosso ambiente se vive intensamente esse clima de euforia.

    É por isso que "A VOZ DE ERMESINDE"" no seu objectivo de pugnar pelo progresso de Ermesinde apela junto dos seus assinantes e leitores para, de mãos dadas, trabalharmos por um Portugal melhor, e, no nosso cantinho, por um Ermesinde renovado.

    Em Dezembro de 1972, afirmámos nas colunas deste jornal que "A VOZ DE ERMESINDE" como órgão do Centro de Assistência Social, não é um jornal político, mas sim, da defesa dos interesses regionais e da protecção dos menos favorecidos.

    Este foi e será o lema que nos animou e anima para darmos ao Jornal toda a colaboração ao nosso alcance.

    Agora, mais do que nunca, Ermesinde precisa do seu Jornal; o facto de já não haver censura coloca-nos num campo mais responsável.

    A frase não é nossa mas apoiamo-la inteiramente: "trabalhemos com o máximo de liberdade, mas com o máximo de responsabilidade".

    Em vários escritos meus aparecia a frase "A UNIÃO FAZ A FORÇA"; agora, nessa mesma linha de pensamento, mas parafraseando uma mais moderna expressão do povo, eu direi: "ERMESINDENSES UNIDOS JAMAIS SERÃO VENCIDOS".

    Embora possa supor-se que só aos eleitos compete trabalhar por um Portugal novo, aqui deixamos a expressão do nosso sentir, para depois apresentarmos uma conclusão:

    A política terá que ser moral, mas não é apenas isso, ela é uma arte que tem como objectivo o bem comum numa sociedade. A colaboração que todos poderemos dar, terá que estar na linha de respeito e promoção dos direitos e deveres da pessoa humana.

    Tal promoção Social está enquadrada nos seguintes princípios: No respeito pelos pobres; Na defesa dos fracos; Na protecção aos estrangeiros; Na desconfiança perante as riquezas; Na condenação do domínio pelo dinheiro; Na destruição dos poderes totalitários; Este é o lema que anima a equipa que trabalha graciosamente no Centro de Assistência Social; pede-se aos mais favorecidos para ajudarem os menos favorecidos, amparando os pobres e defendendo os fracos.

    O momento tem que ser de ordem, de trabalho, de respeito mútuo.

    Todos colaboremos com o GOVERNO DA NAÇAO se começarmos por exigir de nós próprios o BOM SENSO.

    Bom senso. Nas reivindicações - não pedirmos o impossível; bom senso nas afirmações - não fomentarmos os boatos que a ninguém convém nem trazem quaisquer vantagens; bom senso nas acções - não alimentando discórdias, mas trabalhando sempre e cada vez mais por um Portugal melhor."

    Por: Manuel Augusto Dias

     

     

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