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Edição de 31-10-2019
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    Arquivo: Edição de 30-04-2016

    SECÇÃO: Destaque


    42º ANIVERSÁRIO DO 25 DE ABRIL

    Juventude conferiu cor e brilho às comemorações do 25 de Abril em Ermesinde

    Há já algum tempo que as comemorações do 25 de Abril em Ermesinde não tinham uma presença tão massiva de jovens a conferir à histórica data a cor e o brilho de que esta é merecedora. Sobretudo, na sessão solene da Assembleia de Freguesia de Ermesinde, quiçá o ponto alto destes comemorações, a qual foi presenciada por um elevado número de jovens oriundos de diversos estabelecimentos de ensino da nossa cidade. Para além desta sessão solene, o programa das comemorações do 42º aniversário do 25 de Abril levado a cabo pela Junta de Freguesia de Ermesinde, integrou a Corrida Juvenil, a Caminhada da Liberdade, o Concurso de Cartazes alusivo ao tema e ainda a exibição da peça de teatro "O Tesouro" - História do 25 de Abril", pela Companhia de Teatro Cafinvenções, seguida de um debate entre Campos Garcia e alunos da Escola Secundária de Ermesinde.

    Fotos MANUEL VALDREZ
    Fotos MANUEL VALDREZ
    Se em 2015 a sessão solene da Assembleia de Freguesia de Ermesinde (AFE) foi desenrolada diante de uma desoladora plateia despida de cidadãos, este ano a cerimónia que se constituiu como o ponto alto do programa de comemorações do 42º aniversário do 25 de Abril levado a cabo pela Junta registou uma agradável e muito aplaudida afluência de público, sobretudo de jovens, muitos jovens.

    A manhã (do dia 25) de comemorações teve início com o tradicional hasteamento das bandeiras, ao qual se seguiu a sessão solene no auditório da Junta de Freguesia de Ermesinde (JFE). Foi então diante de uma plateia bem composta que as diversas forças partidárias com assento na AFE fizeram os seus habituais discursos alusivos à histórica data que ali se comemorava.

    De uma forma geral, todas bancadas se referiram ao 25 de Abril como a conquista da liberdade, de um conjunto de direitos de cidadania, da democracia, valores que foram conquistados por um grupo de militares que em abril de 1974 libertaram o país das amarras da ditadura e do fascismo, conforme ali foi recordado. No entanto, foi igualmente sublinhado pela maior parte dos intervenientes desta sessão, que muitos dos valores conquistados em 25 de Abril de 1974 são hoje por vezes esquecidos, ignorados, por diversos motivos (tendo neste ponto sido registadas críticas à classe política que dirige, ou dirigiu num passado recente, os destinos do país), sendo pois urgente voltar a evocá-los, e sobretudo, respeita-los.

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    A primeira intervenção da sessão coube a José Carlos Gomes, do Bloco de Esquerda, que começou por recordar que ali se estava a comemorar a ousadia de um grupo de militares que saiu dos quartéis para «pôr fim à longa noite de 48 anos de ditadura fascista e para dar esperança a Portugal». Esperança que 42 anos depois da histórica data volta a fazer parte do quotidiano dos portugueses, «após alguns anos em que nos mandaram calar perante os algozes de Bruxelas, em que nos tentaram convencer que vivíamos acima das nossas possibilidades, em que nos aconselharam a emigrar e a sair da zona de conforto, voltámos a ter esperança», disse o bloquista. Acrescentou que finalmente Portugal tem um Governo que respeita a Constituição da República Portuguesa, nascida, há 40 anos, da Revolução dos Cravos, dando em seguida exemplos de medidas, positivas na sua voz, levadas a cabo pelo atual elenco governativo, mais concretamente a subida de rendimentos de quem trabalha ou quem trabalhou, e o aumento do salário mínimo.

    O que foi o 25 de Abril? Foi a pergunta formulada pela representante da CDU, Sílvia Silva, no arranque da sua intervenção. A resposta foi no sentido de que a histórica data aludia à conquista da liberdade e da democracia. «Naquela madrugada libertadora (de 24 para 25 de abril de 1974) os portugueses iniciaram uma nova vida», referiu a representante da coligação de esquerda, sustentando esta constatação com o facto de o movimento popular ter crescido a partir de então a um ritmo alucinante, com a formação de partidos políticos, de associações culturais, de comissões de moradores, de comissões de trabalhadores e muitas outras organizações. «Mas a democracia conquistada não se pode restringir ao formalismo de atos eleitorais regulares.

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    A democracia tem também de se estender ao campo económico. Nesse aspecto, o progresso social obtido nos anos seguintes a 1974 foi incomensurável. Medidas como a implementação do salário mínimo nacional, subsídio de férias e férias pagas e subsídio de Natal tomadas pelo então 1º ministro Vasco Gonçalves tiraram da miséria milhões de portugueses e deram um impulso gigantesco à economia nacional. De então para cá, temos andado para trás, com sucessivos governos empenhados na retirada de direitos e rendimentos aos trabalhadores, com especial destaque para os últimos quatro anos de troika estrangeira e nacional a arrasarem o país com uma austeridade fundamentalista e retrógrada. E democracia sem soberania e independência de pouco nos serve», disse Sílvia Silva.

    Sublinhou em seguida que Abril trouxe a descentralização de poderes, fazendo com que Poder Local tivesse ganho preponderância, na tentativa de aproximar as pessoas do centro de decisão. Mas neste ponto, e no que toca à nossa freguesia, a CDU diz que muito mais poderia ter sido feito no que diz respeito ao trabalho em parceria com o movimento associativo e na promoção da participação da população.

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    Para o PS, cuja intervenção foi feita por Diva Ribeiro, o 25 de Abril é um marco na vida dos portugueses, um símbolo permanente da esperança de um povo e fonte inspiradora a que sempre «recorremos quando no presente não é vislumbrada a esperança no futuro». Ressalvaria que para lá das diferenças, há valores que se sobrepõem, valores que deveriam estar presentes em todos os momentos, sobretudo quando as dificuldades pairam sobre a sociedade portuguesa, acrescentando que nenhuma crise política ou social se pode resolver renegando a democracia e a Constituição da República.

    «A democracia é fundamental, mas é preciso mantê-la, é preciso trabalhar muito por ela, é preciso aprofundá-la, criar compromissos, construir proximidades», disse. Recordou que Portugal vive tempos complicados, dando como exemplo mais vincado a crise financeira que no passado recente devastou a economia e os mercados mundiais, e que consigo arrastou o nosso país.

    Facto que atirou muitos jovens para o desemprego, ou para uma situação profissional precária, tendo outros sido forçados a emigrar, recordou Diva Ribeiro. Lançou em seguida uma crítica ao Governo PSD/CDS-PP, «que nos atirou para um caminho de empobrecimento, de desrespeito pelos nossos direitos sociais», e que o caminho da austeridade que então foi seguido revelou-se uma decisão errada, pois não só diminui os rendimentos das famílias, como encerrou empresas e atirou os portugueses para a pobreza. Política de empobrecimento «que agora foi colocada de parte pela atual governação socialista, que veio provar que os portugueses merecem o respeito que a sua história e os valores de Abril lhes conferiram», frisou.

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    Apesar de ainda não ser nascida aquando do 25 de Abril de 1974 - como, aliás, a esmagadora maioria dos elementos da AFE que usaram da palavra nesta sessão - Ângela Bragança, do PSD, referiu-se a essa histórica data como o dia que tornou possível aquela que é hoje não só a sua realidade como a de outros jovens como ela, um Mundo onde impera a vida em liberdade, a democracia, e os direitos de cidadania que são fulcrais para a vivência do ser humano. «Celebramos hoje a força do sonho, o poder da vontade, a esperança, e acima de tudo a liberdade de nos podermos projetar de diferentes formas, de podermos exprimir a nossa individualidade, e mais importante de tudo podermos construir as nossas próprias grelhas de leitura do Mundo, não ficando presos a formas de pensar, de agir, ou de ser», disse.

    Ângela Bragança frisaria posteriormente que apesar destas conquistas ainda hoje existem liberdades que teimam em não ser exercidas, questões de cidadania que, na sua voz, ainda possuem amarras ao passado, sendo o exemplo mais concreto o da igualdade entre homens e mulheres. «Permanecem hoje, infelizmente, muitas situações de descriminação de género, que surgem de forma evidente no trabalho, pelas dificuldades diferenciadas no acesso ao emprego, pelas desigualdades salariais face a tarefas em tudo semelhantes, pela baixa representatividade das mulheres em funções com acessos privilegiado à gestão e à tomada de decisão».

    A social-democrata reconheceu que um longo caminho já foi percorrido desde abril de 74 até aqui, mas ainda há muito por percorrer neste exemplo concreto da igualdade de género, formulando o desejo de que no futuro próximo outros jovens como ela possam dizer que não se imaginam a viver num Mundo em que as desigualdades de género existam.

    LUÍS RAMALHO:

    DEMOCRACIA

    PRECISA

    AMADURECER

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    Prometendo desde logo um discurso curto e suave, no sentido de não tornar aquela cerimónia num momento depressivo que fizesse com os que os muitos jovens ali presentes não voltassem a marcar presença nestas comemorações no futuro próximo, o presidente da JFE, Luís Ramalho, começaria por dizer que o 25 de Abril está hoje cada vez mais distante do que deveria ser, já que no presente é olhado como um facto histórico ao invés de nos lembrar como era antes o país dessa data. Utilizando uma linguagem metafórica, o autarca frisaria que «se compararmos a democracia a uma pessoa de 42 anos, vemos que 42 anos é tempo suficiente para crescer e amadurecer. A nossa democracia ainda se comporta como um adolescente inconsequente, ávido por experiências e aventuras. Não foi por isto que Abril aconteceu».

    Recordaria posteriormente o que era Portugal antes do 25 de Abril de 1974, um país onde, por exemplo, não havia regime de proteção para os mais desfavorecidos e onde o povo vivia oprimido e sem perspetivas, principalmente os jovens e as mulheres. Na sua visão, o 25 de Abril abriu novas oportunidades, como o acesso à educação, a proteção na saúde, ou a igualdade de oportunidades. Mas, segundo Ramalho, a ascensão a níveis sócios-económicos mais confortáveis - em comparação com o antes do 25 de Abril de 1974 -, sobretudo nas décadas de 90 e 2000, «deu-nos uma falsa sensação de poder, pois era baseada numa ilusão que nos últimos anos demonstrou ser um sonho mau, e infelizmente, em muitos casos, um verdadeiro pesadelo. Vimos famílias perder o esforço de uma vida. Sonhos a serem destruídos por sustentarem um regime que ainda não amadureceu, e graças a essa imaturidade todos os dias assistimos a novos golpes na nossa democracia: os offshores, as fraudes, a corrupção, os atos de gestão fraudulenta e bancos falidos, que nos levam a pôr em causa tudo aquilo que Abril representa», sublinhou. Ainda nas suas palavras, a democracia tem agora 42 anos, idade mais do que suficiente para sair de «casa dos pais», amadurecer e assumir o rumo que lhe permita cuidar de si e de todos aqueles que representa. Endereçou ainda uma crítica aos representantes do povo nos órgãos de soberania, dizendo que estes não podem continuar tratar das nossas vidas de forma «tão leviana», e que as questões económicas, sociais e de género deveriam ser discutidas e resolvidas a fundo. «Portugal precisa de uma liderança que faça valer o que Abril representa e que garanta à nação um futuro estável e com esperança. Se cada um de nós fizer a sua parte o país poderá voltar a sorrir», concluiu.

    RAUL SANTOS:

    EXISTE ALTERNATIVA

    À AUSTERIDADE

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    Por último, usaria da palavra o presidente da AFE, Raul Santos, que enalteceu a presença massiva de jovens na cerimónia, mesmo que essa presença fosse por outros motivos (mais concretamente para visionar os seus trabalhos que foram submetidos ao concurso de cartazes) que não ouvir os tradicionais discursos políticos sobre o 25 de Abril. Já no seu discurso, disse não concordar com o facto de hoje em dia haver quem defenda que estas comemorações já não fazem sentido, pois os valores alcançados há 42 anos estão já solidificados e as novas gerações não atribuem qualquer significado à data, já que nasceram e cresceram em liberdade. «Respeito, mas não concordo. Os militares de Abril merecem o nosso reconhecimento e nunca será demais repetir todos os anos o que eles fizeram por Portugal e para os portugueses», disse. Relembrou depois que na última década o nosso país tem passado por momentos difíceis, como consequência da crise mundial, a qual levou a quedas de Governo, pedidos de resgate, «a entrada da troika a controlar um plano de ajustamento para além do que estava acordado e era exigido. E que nos levou a quatro penosos anos de enorme austeridade que ainda hoje se refletem, mais concretamente com as marcas de pobreza e de desemprego». Frisaria que com a entrada em funções do atual Governo, foram já repostas algumas perdas provocadas pela austeridade que vigorou no país ao longo desses últimos quatro anos, medidas que vieram provar que existe uma alternativa ao caminho da referida austeridade, e que contrariamente ao que algumas vozes vindas da União Europeia dizem, o país pode, e está, a cumprir com os compromissos honrados ao mesmo tempo em que dá esperança ao seu povo. Elogiou também Marcelo Rebelo de Sousa enquanto Presidente da Repúblico, um conhecedor profundo da realidade do país, um defensor da Constituição, um comunicador nato e um homem de consensos, «não teve o meu voto, mas reconheço que é a pessoa certa no lugar certo».

    CONCURSO

    DE CARTAZES

    E CORRIDA JUVENIL

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    Terminados os discursos, foi altura de proceder à divulgação dos nomes dos vencedores do Concurso de Cartazes do 25 de Abril que a JFE levou mais uma vez a cabo no âmbito do seu programa de comemorações desta data histórica. Este ano, o concurso atraiu muito perto de uma centena de participantes - 99 para sermos mais precisos - oriundos de diversos estabelecimentos de ensino da freguesia. Todos eles receberam das mãos dos membros da Junta certificados de participação. Quanto aos vencedores eles foram os seguintes: Escalão A - Os Sonhadores (pseudónimo); Escalão B - João Carvalho; Escalão C - Ricardo Melo.

    Na véspera desta cerimónia decorreu nas imediações do edifício da JFE mais uma edição da Corrida Juvenil 25 de Abril. A prova reuniu 103 jovens, e os vencedores foram: António Pimenta (no escalão pinguins masculinos), Matilde Oliveira (pinguins femininos), José Nogueira (benjamins masculinos), Beatriz Pereira (benjamins femininos), Eduardo Silva (infantis masculinos), Ana Silva (infantis femininos), Sofia Penides (iniciados femininos), Diogo Branco (juvenis masculinos) e Henrique Ferraz (juniores masculinos). No mesmo dia 24 de abril decorreu ainda a Caminhada da Liberdade, evento que reuniu um total de 154 participantes.

    Por: Miguel Barros

     

     

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