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Edição de 31-03-2021
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    Arquivo: Edição de 12-07-2014

    SECÇÃO: História


    EFEMÉRIDES DE ERMESINDE - JULHO

    Há 182 anos, na Formiga, deu-se uma das batalhas que provocou mais baixas entre liberais e absolutistas

    REPRODUÇÃO DA INSCRIÇÃO DA LÁPIDE TUMULAR QUE SE ENCONTRA NO EXTERIOR DA IGREJA DE SANTA RITA
    REPRODUÇÃO DA INSCRIÇÃO DA LÁPIDE TUMULAR QUE SE ENCONTRA NO EXTERIOR DA IGREJA DE SANTA RITA
    Um dos combates mais trágicos da guerra civil entre liberais e absolutistas (1832-1834) teve lugar nas proximidades do Convento da Mão Poderosa (atual Colégio de Ermesinde e Igreja de Santa Rita).

    Depois de desembarcar em Arnosa do Pampelido, em 8 de julho de 1832 (Praia da Memória), o exército liberal, estimado em cerca de 8 mil homens (alguns dos quais mercenários estrangeiros), comandados por D. Pedro (que, entretanto, abdicara do trono imperial brasileiro), instala-se na cidade do Porto, no dia seguinte.

    As tropas absolutistas de D. Miguel haviam deixado a cidade, não oferecendo a menor resistência à entrada do exército libertador.

    No entanto, os liberais, pouco a pouco, iam ficando cercados na cidade do Porto pelas forças miguelistas, constituídas por cerca de 80 mil homens, comandados pelo General Álvaro Xavier Póvoas e pelo Visconde de Santa Marta. Para evitar que o cerco se tornasse demasiado constrangedor, D. Pedro mandou os seus homens ir ao encontro do exército inimigo. No dia 18 de julho trava-se o combate de Penafiel e nos dia 21 e 22 de julho o da Ponte Ferreira.

    No dia 23 de julho, de acordo com o que é noticiado na imprensa afeta aos liberais (cf. Crónica Constitucional do Porto, de 28.7.1832), as tropas de D. Pedro marchavam ao encontro do inimigo, acantonado na Serra de Valongo, por três itinerários diferentes: pela estrada de S. Cosme (Gondomar), pela estrada de Rio Tinto e pela estrada de Valongo (via Formiga). Esta última coluna liberal era comandada pelo Coronel Hodges. Seriam cerca de onze horas da manhã, quando os homens mais adiantados do Coronel Silva da Fonseca, que seguia por Rio Tinto e que, perante a Serra, terá mandado algumas forças pela estrada de Baguim do Monte, aproximando-se das tropas de Hodges, atingem as primeiras colinas mais pronunciadas da Serra, talvez na área hoje ocupada pelos terrenos do Seminário do Bom Pastor, na encosta do lado oposto ao edifício do Convento da Mão Poderosa. Logo os absolutistas, ocupando as melhores posições de combate, começaram a disparar, obrigando a entrar também na luta as forças liberais do Coronel Hodges, ao mesmo tempo que reforçavam com infantaria o seu ataque. O combate prolongou-se ao longo de 7 horas, e fez-se em terreno arborizado e em campo descoberto, provocando grande número de mortos e de feridos nos dois lados.

    Os liberais contaram, entre os seus, mais de 300 baixas, entre mortos, feridos e desaparecidos, e, no que respeita aos absolutistas, mais de 1 200 baixas. Por seu turno, fonte absolutista estima as suas baixas em pouco mais de 300 homens, entre mortos e feridos. Certo é que, de acordo com as várias fontes, estes parecem ter sido os combates mais violentos das guerras também cohecidas como os combates do Cerco do Porto.

    Ainda hoje existe, no lado direito da escadaria que leva à Igreja de Santa Rita, uma lápide que assinala o sarcófago onde repousam os restos mortais desses soldados que tiveram a desdita de cair na luta fratricida que cobriu de luto muitas famílias portuguesas.

    Os liberais, embora às vezes tenham tido a sensação de vitória por contarem mais mortos do lado absolutista do que do seu, acabaram quase sempre por ser rechaçados e terem de voltar ao Porto. Era o cerco que se apertava cada vez mais.

    Durante longos meses, os liberais e os portuenses vivem uma situação verdadeiramente desesperada, onde ocorrem epidemias, fome, indisciplina, revolta, deserções, atrasos no pagamento dos soldados.

    Como sabemos o liberalismo acabou por triunfar, embora o progresso do país só se tornasse efetivo após a Regeneração, em 1851.

    Por: Manuel Augusto Dias

     

     

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