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Edição de 31-03-2021
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    Arquivo: Edição de 18-06-2014

    SECÇÃO: Crónicas


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    A Parúsia

    No ano cósmico de 15 Mil Milhões de translações da Terra à volta do Sol, no início do Sétimo

    Dia bíblico, quando Deus descansa e o Homem asneira, debruço-me para escrever...

    Sempre que um novo milénio se aproxima tecem-se as mais extraordinárias previsões, nas quais geralmente entram acontecimentos catastróficos como o Fim do Mundo e outros de esperança, como a vinda novamente dum novo Messias como Jesus Cristo, isto é a Parúsia. Assim aconteceu aquando da chegada do ano 1000 e também antes da chegada do segundo milénio, há uns anos atrás. Durante muito tempo, ouvíamos dizer que dos mil passarás mas aos dois mil não chegarás, talvez pelos augúrios do ano 1000 terem falhado. Na Faculdade, tive que elaborar um trabalho sobre o ano Mil e todos os presságios, superstições que essa meta temporal inspirou na mentalidade da época e eu fui um dos privilegiados que passaram o ano 2000 e que desdenhei sempre dos maus augúrios que se desenharam na passagem desse segundo milénio. De facto, ficou tudo na mesma ou ainda pior. Mas o certo é que, depois de muitos medos e receios, no ano 2000, voltaram a falhar, embora uma vinda à Terra do Filho de Deus novamente seria muito oportuna e útil, dada a falta de Fé e Moral que grassa neste tão maltratado planeta, o que estará, por certo, na base do mais que censurável comportamento que se verifica entre muitos humanos. E isto é muito grave, porque a própria vida do planeta está em risco e talvez até o próprio Universo, dadas as forças poderosíssimas de que os homens dispõem e que não dominam integralmente, numa altura em que se encontram completamente alienados pela Economia, pelos lucros e pelo dinheiro, aquilo a que se chamava o esterco do demónio. Quando os valores virtuais da Economia já se sobrepõem ao bem-estar, saúde e à própria vida humana, tudo é de esperar, até sentimentos suicidas ao não se respeitar aquilo de que a vida do nosso planeta depende e consequentemente a própria Humanidade. Chegamos a uma alienação total e vivemos num mundo paranoico, irreal, onde soltámos os pés da terra e não conseguimos aterrar. Há que haver novamente intervenção divina no tempo da opressão dos banqueiros, como houve no tempo da opressão romana, para ensinar de novo o caminho da salvação (física), equilibrar as irracionalidades que se manifestam nas mentes dos humanos ainda incipientes. Contudo, se um novo Profeta, Messias, ou Enviado de Deus, como Jesus Cristo, encarnasse novamente no Homem, seria muito diferente do que aconteceu há dois mil anos, dadas as exigências do atual conhecimento humano. Nasceria talvez em Roma, antiga capital do Império, e hoje do Cristianismo, onde Pedro fundou a sua Igreja e não na Palestina que, nas condições atuais, seria um desastre. O seu nascimento ocorreria novamente no seio duma família humilde, atualmente talvez dum funcionário público, uma classe a caminho da pobreza. Falaria inglês, a atual linguagem universal e não o aramaico que já ninguém conhece. Como homem prático e senhor de si, vestiria jeans, blusão e t-shirt e calçaria ténis. Em adulto, apresentar-se-ia ao Papa, seu representante na Terra, como o novo Messias. Grandes debates e conferências com Sua Santidade e sua Cúria Romana, onde o Messias provaria ser um Ser superior, de sabedoria inesgotável, o que não seria suficiente para ser reconhecido como uma nova encarnação de Deus. Para além das dificuldades que iria ter para ser acreditado e embora se impusesse pela sua sapiência, isso não evitaria ter que fazer grandes milagres, uma das condições ainda exigidas para um santo ser canonizado. Naturalmente que não seria ressuscitar um morto, no seu túmulo, como aconteceu, da outra vez, com Lázaro, nem a multiplicação dos pães e dos peixes, o que poderia ser levado para o campo dos truques, mas algo mais difícil e atual, como resolver o problema financeiro de Portugal e da Grécia, eliminando de vez o despótico défice orçamental ou levar a União Europeia a defender o Estado Social em vez dos interesses dos banqueiros e, talvez mais difícil ainda, transformar Portugal no país mais avançado e civilizado do mundo, expulsando a barbárie que se alapou no Governo.

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    O novo Messias seria personalidade mediática, mais global, universal, dados os meios de comunicação atuais, e teria que ser menos metafórico e mais científico, pois teria que provar cientificamente o que afirmava nos grandes centros de saber mundiais, centros culturais, universidades como Oxford, Cambridge, Bolonha, Paris, Coimbra, Harvard, Yale, etc.; estaria presente em debates televisivos, seria personalidade mediática e teria que responder às perguntas mais bizarras e menos oportunas como: com que finalidade o Criador criou todo este complexo cósmico e um ser que O sente e O venera? Para que foram criados seres conscientes e finitos? Apenas para sofrerem, padecerem, alegrarem-se, gozarem, guerrearem-se e morrerem?! Só para isto? Só para morrerem e serem castigados ou premiados pelos seus atos durante a sua vivência física, dependendo da Sua Vontade, dum Ser que tudo sabe? Isso seria sadismo e egoísmo ou simplesmente crueldade, criar um ser para sofrer e ser castigado eternamente no fim da vida que está cheia de armadilhas e aliciantes para pecar? Isso seria uma submissão medieval, antiquada e um Deus superior, civilizado e moderno, não faria isso por vontade própria, apenas pela autoridade do próprio Homem. De facto, nós é que decidimos do nosso futuro, mesmo para lá da vida material. Deus só intervém se for essa a nossa vontade senão todo o processo correria o risco de abortar. Qual está mais lotado, o Céu ou o Inferno? Se for o Inferno, toda esta Criação foi um fracasso! Será o Inferno uma espécie de sucata para onde é atirada a obra com defeito, que não serve para o fim em vista que seria povoar o Céu? E o Purgatório uma reciclagem onde a obra, com pequeno defeito, está à espera de ser reciclada?

    As críticas e reivindicações também surgiriam: o Céu pertence a alguns privilegiados onde os Santos e alguns Clérigos formam uma classe superior. Há que democratizar o Céu para deixar de haver privilegiados. Há seres, criados por Deus, que são marginalizados e não vão para o Céu. São entregues a demónios que os martirizam eternamente, o que não parece ser justo nem possível. É óbvio que se esqueceram de que estão a falar de espíritos e não de seres materiais e, naturalmente, que existiriam respostas, até com algum humor, para estas subjetividades.

    Embora os humanos, na Terra, nunca consigam a explicação para tudo o que existe nem a compreensão íntima de Deus que lhe permitiria saber o porquê de ser tudo como é, aproveitariam a presença física do Messias para tentar saber algo mais e testar os seus conhecimentos, pois já sabem o suficiente para saberem que existe essa explicação. Nada no Universo é arbitrário (exceto a Arte), todo o Cosmos é inteligível por ser obra duma Inteligência, mas não totalmente acessível aos humanos que ainda não poderão, embora tentem, encontrar explicação final para tudo. A intervenção direta do Messias seria mais científica do que foi na primeira vinda, quando os homens ainda se encontravam num estádio científico muito rudimentar para compreenderem a estrutura básica do Universo e a sua dimensão. Para isso, teriam que sondar os mistérios da mente divina. Mas também não seria desta vez que saberiam tudo, porque não atingiram ainda a compreensão necessária, o Último Grau. Como dizia Einstein, o que está para lá de toda a compreensão discernível, algo subtil, inatingível e inexplicável que provoca a religiosidade. Quanto mais sabemos, sabemos que nada sabemos.

    Assim, só utilizaria a metáfora quando abordava assuntos ainda inescrutáveis para a capacidade da mente humana. Provocaria grandes alterações na Teologia, profundas perturbações nas religiões e seus dogmas e novamente arranjaria inimigos que até lhe chamariam impostor e aventureiro. Contudo, embora se referisse a um Pater Criador e na finalidade cósmica, de forma matemática e científica, os seus seguidores acabariam por desunir-se novamente em milhentas seitas e religiões com as mais diversas interpretações da sua mensagem. E, por mais incrível que pareça, teria mesmo que ser assim. Para desaparecer, teria que morrer segundo as leis que criou e, mais uma vez, a sua morte seria um exemplo. Mas o mais certo, no estádio em que se encontra ainda a Humanidade, será não haver condições para que um novo Messias apareça por cá novamente.

    Por: Reinaldo Beça

     

     

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