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    Arquivo: Edição de 18-06-2014

    SECÇÃO: Arte Nona


    – DO “SPLAFT” # 10 – PROGRAMA DO FESTIVAL INTERNACIONAL DE BD DE BEJA

    A Volta ao Mundo em Banda Desenhada

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    E pronto. Já são precisos os dedos de ambas as mãos para contar as edições do Festival. Chegámos enfim à décima! Dez anos que foram (e ainda são) uma incrível aventura...

    Este ano voltamos a tentar dar notícia do que se vai fazendo um pouco pelo Mundo, abraçando todo o género de estilos e de temáticas.

    Do Brasil, país que todos temos no coração, chega-nos uma verdadeira embaixada: André Diniz, José Aguiar e Laudo Ferreira Jr., três dos mais promissores autores da BD brasileira contemporânea (ou HQ, como se diz do outro lado do Atlântico); e ainda Laerte Coutinho (há muito tempo que aguardávamos o seu regresso a Portugal!) e Klévisson Viana, que nos mostra como a BD pode ser um elemento identitário inestimável para a cultura de uma região. É com um enorme prazer que os recebemos em Beja! E faz falta conhecer (ainda melhor) o Brasil.

    Mas a nossa língua, que é coisa da alma, não ganha apenas expressão desenhada com estes autores! Que o digam os autores representados na colectiva BDLP (Banda Desenhada de Língua Portuguesa): várias mãos cheias de autores de Angola, do Brasil, de Cabo Verde, de Moçambique e de Portugal. Um projecto assombroso que foi inclusivamente nomeado para o Prémio da BD Alternativa do Festival Internacional de Banda Desenhada de Angoulême, este ano. Um grande orgulho para todos nós. Muitas pronúncias, uma só voz, vários países irmãos.

    Regressando ao continente americano, chega-nos também o mexicano Tony Sandoval: um autor com um estilo único, que promete transformar-se num verdadeiro gigante da BD Mundial nos próximos anos...

    Deixando a América e a África, detemo-nos agora na Europa: dos frios gelados da Finlândia, Tommi Musturi, com as suas bandas desenhadas poéticas, a mostrar que a vanguarda da BD também se faz a Norte. Do Sul, mais propriamente de Itália, chega-nos Fabio Pochet, um talentoso autor que coloca toda a sua arte ao serviço dos mais pequenos (ele sabe como poucos que existem milhões de crianças em todo o Mundo para quem o rato Mickey não é apenas uma personagem de BD, mas um amigo sempre disponível. Uma grande responsabilidade!). Ainda de Itália, um autor que revolucionou a banda desenhada da segunda metade do século XX e que já pertence à esfera dos "monstros sagrados da BD": Guido Crepax! Uma honra, receber a sua exposição na nossa cidade!

    De França, Etienne Davodeau, dono de uma sensibilidade rara e de uma capacidade pouco comum para agarrar com as suas histórias e com o seus desenhos tudo aquilo que nos faz humanos: as pequenas invejas, algum ridículo, a grandeza de coração (ou o seu contrário)... Um profundo conhecedor da alma humana...

    E como é da Volta ao Mundo que falamos, especial referência à colectiva Comix4= (comics for equality): autores de todos os continentes e países, do Quénia, à Grécia, passando pelo Chile, pela Letónia, pela Rússia, ou pela Austrália, para nos falarem precisamente da emigração e das várias emigrações. Uma questão mais do que actual, que a banda desenhada não podia deixar de abordar.

    De Portugal, como seria de esperar, chega a maior representação. E que representação! A banda desenhada portuguesa é fresca e vibrante. E também diversificada, como se pode constatar facilmente pelo conjunto de exposições reunidas em Beja, onde pontuam autores tão distintos como Penim Loureiro (regressado finalmente à BD - não nos podemos dar ao luxo de perder estes talentos), com o seu traço cuidado, ou José Smith Vargas, que desenha como um inspirado à mesa do café (não é por acaso que ganhou este ano o Prémio Geraldes Lino, prémio instituído pela Bedeteca em 2013 também como forma de reconhecimento a um homem ímpar para a História da BD nacional). Tão distintos ainda, como Ana Biscaia, com o seus desenhos e pranchas encharcados de poesia e improviso, ou Jo Bonito (a servir o texto de Nuno Amado), uma incrível desenhadora (rigorosa nas anatomias), nascida de propósito para recuperar a saudosa Zakarella (como talvez mais ninguém o conseguisse fazer tão bem no nosso país). Ou tão distintos ainda como Miguel Mendonça, com o seu traço minucioso, ou André Coelho (a servir o texto de Manuel Neto), a rasgar as pranchas com manchas de negro e pinceladas certeiras: semelhantes apenas na quantidade de talento que colocam no seu trabalho.

    Aliás, para atestar da diversidade e riqueza da BD portuguesa, basta dar um pulo ao Castelo e passar os olhos pela meia centena de autores reunidos na colectiva Desenhos, Inks & Rabiscos, ou pela Cafetaria da Casa da Cultura, onde se encontram em exposição os autores da colectiva Hellboy por cá. Não é necessário dizer mais... Por fim, a encimar este grupo de incríveis autores, Pedro Leitão. É a terceira vez que Pedro Leitão nos visita com uma exposição no Festival. Mas As Aventuras de Zé Leitão e Maria Cavalinho mereciam muito mais: mereciam ser conhecidas no Mundo inteiro! Ao Pedro só lhe temos a agradecer por continuar a fazer sonhar tantas crianças com as suas histórias mágicas...

    Tempo ainda para referir as exposições Romanos na Banda Desenhada (entre clássicos e modernos, muitos foram os artistas que retrataram - e retratam - este período histórico), e as Mostras Álvaro (quem não o conhece?) e Tributo a Guido Crepax (que reúne autores brasileiros, italianos e portugueses numa homenagem sentida a Crepax). Para além desta selecção verdadeiramente espantosa de exposições e autores, interessa ainda referir a presença entre nós de Antonio e Caterina Crepax, David Lloyd, e Paul Gravett. E também a presença de Geraldes Lino ou de Luiz Beira, entre muitos outros autores, editores, especialistas e jornalistas que não podemos agora enumerar. É um prazer enorme receber-vos a todos!

    Exposições

    CASA DA CULTURA

    – A Quadrinhofilia de José Aguiar | Brasil

    – André Diniz e Laudo Ferreira – Dois Nomes para o Século XXI | Brasil

    – As Aventuras de Zé Leitão e Maria Cavalinho, de Pedro Leitão | Portugal

    – Étienne Davodeau | França

    – Hellboy por Cá | Portugal

    – José Smith Vargas | Portugal

    – Klévisson Viana | Brasil

    – Laerte Coutinho | Brasil

    – Miguel Mendonça | Portugal

    – O Universo Disney de Fabio Pochet |Itália

    – Terminal Tower, de André Coelho e Manuel Neto I Portugal

    – Tommi Musturi | Finlândia

    – Tony Sandoval | México

    – Zakarella: Prelúdio a Infernus, de Nuno Amado, Jo Bonito, Gisela Martins e Sara

    Ferreira | Portugal

    CASTELO - CASA DO GOVERNADOR

    – Desenhos, Inks & Rabiscos... | Portugal

    CONSERVATÓRIO REGIONAL DO BAIXO ALENTEJO

    – Penim Loureiro | Portugal

    INSTITUTO POLITÉCNICO DE BEJA

    – COMIX4= Alemanha / Itália, Argentina / Eslovénia, Austrália / Letónia, Canadá / Letónia, Chile / Portugal, Dinamarca / Finlândia, França, Grécia / Finlândia / Reino Unido, Itália / Reino Unido, Malta / Reino Unido, México, Quénia / Itália, Roménia / Hungria, Rússia / Bulgária e Turquia / Suécia

    MUSEU JORGE VIEIRA - CASA DAS ARTES

    – Ana Biscaia | Portugal

    MUSEU REGIONAL DE BEJA - CONVENTO DA CONCEIÇÃO

    – BDLP – Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique e Portugal

    MUSEU REGIONAL DE BEJA/IGREJA DE SANTO AMARO

    – Romanos na Banda Desenhada | Argentina, Bélgica, Canadá, Estados Unidos da América, França, Itália e Portugal.

    MUSEU REGIONAL DE BEJA - NÚCLEO DA RUA DOS INFANTES

    – Guido Crepax | Itália

    Mostras

    BEDETECA DE BEJA

    – Álvaro – Portugal

    – Tributo a Guido Crepax

    MUSEU REGIONAL DE BEJA - NÚCLEO DA RUA DOS INFANTES

    – Brasil, Itália e Portugal.

     

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