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Edição de 31-01-2021
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    Arquivo: Edição de 16-05-2014

    SECÇÃO: Destaque


    Sessão política comemorativa dos 40 anos de Abril demasiado morna no auditório da Junta de Freguesia em Ermesinde

    Fotos URSULA ZANGGER
    Fotos URSULA ZANGGER
    Talvez prejudicada pela emergência das novas comemorações municipais, a sessão pública das autarquias ermesindenses comemorativa dos 40 anos do 25 de Abril foi este ano muito mais pálida do que as comemorações de Abril dos anos anteriores.

    Não só a cerimónia decorreu célere e a despachar, como todo o seu enquadramento parece ter ofuscado a vivacidade da cerimónia cívica central das comemorações. Nesta, mais uma vez intervieram os partidos políticos representados na Assembleia de Freguesia, bem como os autarcas Luís Ramalho, presidente da Junta, e Raul Santos, presidente da Mesa da Assembleia de Freguesia de Ermesinde.

    AS INTERVENÇÕES

    PARTIDÁRIAS

    José Carlos Gomes, pelo Bloco de Esquerda, foi o primeiro orador da sessão, abordando na sua intervenção vários aspetos de Abril, entre eles a esperança de se erguer uma sociedade solidária através do Estado Social.

    Hoje, apontou o representante do Bloco de Esquerda, assiste-se ao regresso da Sopa dos Pobres salazarista, ainda que renomeada de Banco Alimentar ou de Cantinas Sociais.

    Numa sociedade em que as classes sociais excluídas são obrigadas a pagar os desmandos do capital, só os banqueiros nada pagam.

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    E quanto a um dos aspetos mais relevantes de Abril, a liberdade, lembrou que hoje já nem livremente podemos falar, como o demonstram as reações ao manifesto dos 74, que defendia a renegociação da dívida – estejam caladinhos para não aborrecer os mercados!...

    E muito crítico acerca do mais alto magistrado da Nação: «Portugal, hoje, não tem um Presidente da República, tem um aposentado!», que apela ao consenso entre todos, esquecendo que a democracia é feita de diferenças.

    O 25 de Abril nunca se teria feito a bem do consenso, apontou ainda.

    E terminou expressando claramente a sua posição de protesto: «Os Portugueses estão a ser roubados ignobilmente!».

    Seguiu-se-lhe Avelino Almeida, da CDU, que apontou o 25 de Abril como uma grande realização histórica do Povo Português, culminando «uma longa e heroica luta». O representante da CDU apontou que a aliança da classe operária e demais trabalhadores e dos militares progressistas conduziu à aliança Povo-MFA, e à nova Constituição da República.

    Como resultado da revolução – levantamento militar de imediato seguido de um poderoso levantamento popular, pôs-se fim à guerra colonial e foi reconhecida a independência das colónias, realizando-se «profundas transformações democráticas – políticas, económicas, sociais e culturais – que, alicerçadas na afirmação da soberania e independência nacionais, abriram a perspetiva de um novo período da história dos trabalhadores e do povo, apontando o Socialismo para o futuro de Portugal».

    Entre as conquistas alcançadas figuraram «a liberdade de reunião, a liberdade sindical, de associação, de expressão, de Imprensa, o direito à greve, a livre formação de partidos políticos, as eleições livres, o Direito de voto aos 18 anos, o Poder local democrático», e ainda um conjunto de conquistas económicas fundamentais para as classes populares, como a «instituição de um salário mínimo, do subsídio de Férias e de Natal, do subsídio de desemprego, de pensões e reformas generalizadas, a igualdade de direitos para as mulheres e o real início da sua emancipação, o direito à saúde e à educação para todos», entre outras tantas conquistas de Abril «que o capital procura hoje pôr em causa, tentando fazer regressar o país a um passado que a todos nos devia envergonhar».

    O País vive hoje uma grave e profunda crise económica, social e até moral, considerou, mas afirmando finalmente a esperança e confiança que sempre foi apanágio dos comunistas. E acreditando em melhores dias para o direito de todos à Saúde, Educação, Habitação, Cultura, respeito pela Natureza, em que prevaleça «o governo das coisas pelo Homem e em proveito de todos e em que a Democracia tenha o seu significado mais pleno, que é o de ser o poder do Povo, exercido e participado pelo Povo, de forma por inteiro livre e consciente».

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    Foi depois a vez de Daniela Costa, que interveio em nome do PS. A jovem socialista começou por apontar que a história mais recente de Portugal lembrava a todos e até aos mais novos a falta de liberdade. O 25 de Abril tinha marcado uma nova era para o Povo Português, mas agora «cabe-nos manter vivo esse legado» – da Democracia, da liberdade de expressão e de manifestação, do direito ao voto, do Poder Democrático e Local.

    E referindo-se a recentes episódios da vida política nacional apontou que «não podemos concordar com o desrespeito aos capitães de Abril».

    «Vivemos momentos difíceis», considerou também, com o «tratamento cruel dos reformados», e em que «a juventude não vislumbra o futuro».

    Está a eclodir um surto enorme de emigração, num «fenómeno inverso ao ocorrido com o 25 de Abril, em que muita gente voltou à Pátria».

    Hoje assiste-se à formação de quadros para o estrangeiro e à deterioração da produção de cereais, das pescas, etc..

    Abandonou-se o esforço feito com a promoção das energias renováveis e contribui-se finalmente para uma grande descredibilização dos órgãos políticos, lamentou.

    Outro jovem, Gonçalo Melo, proferiu a intervenção em nome do PSD, sendo as suas primeiras palavras para aqueles que trabalham para a população. Para os que participam na vida pública, e que têm um papel cívico.

    Referindo-se depois à sua experiência pessoal, reconheceu que pertencia a uma geração que não viveu o 25 de Abril, mas que isso não a tornava menos responsável da defesa dos valores nessa data consagrados.

    «A celebração de hoje não deve ser condicionada ao passado», sublinhou depois, e apontou de seguida também alguns dos condicionamentos que pesam sobre a nossa vida, como os resultantes da dívida pública que «condiciona o bem-estar social».

    O 25 de Abril é um momento de passado e de futuro, e nos seus valores deve estar contido o propósito de melhorar a vida dos Portugueses – «celebramos o que já não temos, o que temos e o que deveremos ter!», concluiu.

    AS INTERVENÇÕES

    DA JFE E AFE

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    Seguiram-se as intervenções dos dois presidentes. Primeiro Luís Ramalho, da Junta de Freguesia de Ermesinde, que referiu ser este um dia de parabéns – de memórias para uns e histórias para outros.

    O que há 40 anos não tínhamos hoje é banal, apontou, pondo o foco na questão das liberdade, apesar de um primeiro momento de «tempos conturbados de exagero». E prosseguindo no mesmo tom considerou que «hoje ainda não sabemos lidar com a liberdade, exigindo-se o que já não podemos ter».

    A ditadura de outrora foi culpa do exagero de muitos, que obrigaram a que a nossa liberdade fosse posta em causa, defendeu, preparando a justificação das políticas governativas atuais.

    Passamos a ter figuras que substituíram a PIDE e precisamos de um novo paradigma para o 25 de Abril, para que Portugal deixe de viver como vive. «Fomos donos de meio mundo», e hoje vivemos curvados. Temos que viver Abril doutra forma, concluiu.

    Raul Santos, presidente da Mesa da Assembleia de Freguesia de Ermesinde, foi o último orador, e começou por afirmar que «nunca é demais lembrar os capitães de Abril».

    Debruçando-se depois sobre a realidade atual do País apontou que se «as estatísticas podem ter várias leituras, a realidade fala por si – uma carga brutal de impostos, cortes inaceitáveis nas pensões dos reformados, os mais novos a emigrar, as políticas feitas para agradar ao capital».

    E falando da sua vivência e testemunho, indicou que via com cada vez maior frequência pessoas a esgravatar no lixo, pessoas à espera junto dos postos de recolha de roupa usada...

    Não estarão os valores da Constituição que celebramos em risco?

    E apontou que queria acreditar que a indignação nos levasse a um novo rumo.

    O combate à pobreza é prioritário, asseverou, defendendo o papel das instituições de solidariedade social, há muito a trabalhar e bem, nesta área. Há necessidade de prestar atenção à pobreza envergonhada, lembrou também. A autarquia tem que reforçar o apoio social, mesmo em detrimento de áreas com uma maior visibilidade, concluiu, dando quase de seguida a cerimónia por encerrada.

    Por: LC

     

     

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