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    Arquivo: Edição de 15-04-2014

    SECÇÃO: História


    Revolta da Sé foi há 55 anos - uma tentativa para depor o regime

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    Quando nos aproximamos do 40º aniversário do “25 de Abril” recordamos uma das tentativas de depor o regime de Salazar! Esteve programada para o dia 12 de março de 1959 – fez agora 55 anos! Só que, mais uma vez, a PIDE mostrou-se bastante eficiente ao ponto de fazer abortar o “movimento” antes mesmo de ele ter tempo de sair à rua.

    Ficou conhecida como “Revolta da Sé” porque muitas das reuniões preparatórias tiveram lugar na Sé Catedral de Lisboa, e alguns dos revoltosos estavam ligados à Igreja Católica, sobretudo à Juventude Operária Católica.

    Entre as várias dezenas de pessoas mais diretamente implicadas neste movimento revolucionário estavam militares, como o Capitão Vasco Gonçalves (bem conhecido dos portugueses no pós 25 de Abril), ligado ao General Humberto Delgado, o Capitão Carlos Vilhena, o Major Pastor Fernandes e, entre outros, o Capitão Almeida Santos, oficial ligado a Craveiro Lopes (que no ano anterior tinha terminado o seu mandato presidencial sem que Salazar lhe tivesse proposto a continuação no cargo).

    Esta revolta esteve planeada para dezembro do ano anterior mas acabou por ser adiada. Entre os civis, merece destaque Manuel Serra (dirigente da Juventude Operária Católica, que estaria ligado, aliás, a uma série de intentonas), Asdrúbal Pereira, Horácio Queirós, Eurico Ferreira, Raul Marques, Jaime Conde, Amândio da Conceição Silva, que, dois anos mais tarde, também se envolveria no desvio do avião da TAP em 1961, e várias figuras ligadas à Igreja Católica, a começar pelo Pároco da freguesia da Sé de Lisboa, João Perestrelo de Vasconcelos.

    É uma das primeiras vezes que, em Portugal, se envolvem, de uma forma muito direta, pessoas ligadas à Igreja Católica. Talvez isso justifique a seguinte passagem no livro Portugal Amordaçado, de Mário Soares, acerca desta tentativa revolucionária: «um movimento de clara inspiração católica, embora com a participação importante de elementos não católicos, democratas de diferentes correntes oposicionistas».

    Esta intentona surgiu na sequência da conjuntura da derrota oficial de Humberto Delgado para a eleição presidencial de 1958. Embora a história pormenorizada desta tentativa revolucionária ainda não esteja concluída, já se sabe que a polícia política portuguesa, apesar da sua eficácia, nunca conseguiu descobrir todos os envolvidos. Alguns chegaram a fazer contactos com pessoas ministeriáveis para o novo governo que haveria de gerir o país nos primeiros tempos, logo após o triunfo revolucionário.

    No Relatório da PIDE sobre esta tentativa revolucionária, os polícias concluíram que os “revolucionários” pretendiam «libertar o país do regime de força e ditadura pessoal a que se encontra sujeito, obrigando o governo a abandonar o poder, pela efetuação de um golpe militar». Mais – segundo a Pide – pensava-se colocar no poder uma “Junta Militar Nacional” cujos membros seriam afetos ao Movimento Militar Independente e os revolucionários já tinham técnicos preparados para assegurar, no caso de vitória, o funcionamento das rádios, correios, telefones, centrais elétricas, transportes públicos e todos os meios de informação.

    A investigação da PIDE apurou ainda que, desde o início do ano, os revolucionários haviam trabalhado num plano que dividia a cidade de Lisboa em quatro partes, em cada uma das quais atuaria um grupo operacional, constituído por cinco homens, sob as ordens de um oficial miliciano. A principal missão de cada um desses grupos era prender os membros do governo e outras autoridades, que, posteriormente, seriam entregues às autoridades militares revolucionárias, e após a vitória seria da responsabilidade desses mesmos grupos operacionais a manutenção da ordem.

    Tudo ficou marcado para as 23 horas do dia 11 de março, e o movimento ainda se iniciou, mas, durante as primeiras movimentações, os dirigentes souberam que o Governo já estava informado da intentona (devido a fuga de informações) e abortaram, de imediato, a sua sequência.

    Seguiram-se as prisões de militares e civis. Em 14 de janeiro de 1961, o Tribunal chegava ao veredicto final, que impôs penas não muito graves, uma vez que oscilaram entre os três e os vinte e dois meses de prisão, cumpridos nos estabelecimentos prisionais de Caxias, Aljube, Trafaria e Elvas.

    Por: Manuel Augusto Dias

     

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