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Edição de 31-01-2020
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    Arquivo: Edição de 01-03-2014

    SECÇÃO: Desporto


    DAMAS

    Entrevista com o homenageado José Pereira

    Pode não ter os (muitos) títulos – e a consequente fama – daquele que de forma unânime é considerado no planeta das damas como o melhor jogador português de todos os tempos, o doutor Vaz Vieira, mas não deixa de ser também uma figura histórica da modalidade, uma personagem que tem de forma reconhecida desenvolvido um trabalho notável em prol das damas lusitanas. Dedicação essa merecedora de um forte aplauso na nossa freguesia, pouco antes do início oficial do II Open Nacional de Damas “Cidade de Ermesinde”, na sequência de uma homenagem levada a cabo pelos organizadores do evento. O seu nome é José Pereira, praticante, entusiasta, dinamizador, e agora também professor de uma modalidade com a qual se prendeu de amores há mais de três décadas. Ao nosso jornal José Pereira traduziu em palavras a emoção vivida com surpresa na sequência desta vénia pública do mundo das damas à sua figura.

    Foto NDE
    Foto NDE
    A Voz de Ermesinde (AVE): Sucede a Vaz Vieira na lista das grandes figuras das damas a merecer uma homenagem por parte da família damística nacional...

    José Pereira (JP): Sinceramente não contava com esta homenagem. Recebi-a primeiro com surpresa, pois como disse não estava à espera, já que em meu entender não sou jogador que tenha um nível para receber uma distinção como esta. Em toda a minha carreira venci apenas dois campeonatos nacionais do Inatel, e por aqui logo se vê que nem de longe nem de perto me posso comparar ao doutor Vaz Vieira, figura ilustre que referiu na pergunta. Nunca vou chegar ao nível dele. No entanto, considero-me uma pessoa que sempre trabalhou em prol das damas, ando aqui há muitos anos, tenho ajudado a organizar vários torneios por esse país fora, inclusive fui eu que meti na cabeça ao Sérgio (Bonifácio) criar este torneio, que hoje é já uma prova com muita qualidade, a qual reúne os melhores jogadores nacionais...

    AVE: É um torneio com argumentos para ser uma referência no calendário da Federação Portuguesa de Damas?

    JP: Claramente. É um torneio que veio para ficar, não tenho dúvidas. E não sou só eu que digo isso, mas também a maioria dos jogadores nacionais. Pela qualidade que apresenta julgo já ser o segundo maior torneio nacional da modalidade, e não é o primeiro porque eu organizo um – em São João da Madeira – que por agora ainda consegue ser superior, pois tem o dobro dos jogadores que este hoje aqui apresenta, mas, e volto a repetir, este tem muita qualidade, pois são poucos os torneios, ou opens, como lhe chamam agora, que conseguem reunir um lote tão bom de damistas. Posso dizer que os grandes jogadores portugueses estão cá todos, como se pode ver.

    AVE: Voltando agora a centrar-nos na sua figura, disse-nos que apesar de não se considerar um vulto da modalidade é uma figura que tem trabalho em prol da mesma...

    JP: Sim, e já lá vão 35 anos desde que me iniciei nas damas. Tudo começou como uma brincadeira quando estava na tropa, quando certo dia o meu grupo foi castigado com uma “estadia” de um mês no Cuito Cuanavale, em Angola. Um dos meus camaradas de grupo jogava damas, e certo dia desafiou-me para uma partida, e foi assim que comecei. A partir dai fui evoluindo, inclusive cheguei a ser campeão distrital lá em Angola. Durante estes anos todos tenho ajudado, como disse, a organizar vários torneios, não só o de S. João da Madeira, que é considerado o maior do país, mas também o de Romariz, Lobão, Penafiel, Fajões, e vou iniciar este ano o de Vizela.

    AVE: Como figura tão ativa e profundamente conhecedora do mundo das damas, como é que hoje vê a modalidade em Portugal?

    JP: Na minha perspetiva tem havido um decréscimo em termos de adesão, por dois motivos. Primeiro, os jovens de hoje não ligam a isto, têm os computadores e outras ferramentas tecnológicas que os afastam de modalidades como esta. Segundo, o custo de vida atualmente é caro, e quer queiramos quer não, andar aqui tem os seus custos, as deslocações para torneios em vários pontos do país por vezes são avultadas, o que de alguma forma condiciona as pessoas a participar mais vezes neste tipo de provas. O que é pena, pois cientificamente está provado que as damas são uma modalidade que evita uma série de doenças do foro mental.

    AVE: Como assim?

    JP: Todas as pessoas a partir da casa dos 30 ou dos 40 anos deviam começar a jogar, pois desta forma exercitam o cérebro, evitando assim doenças como o alzheimer, por exemplo. No entanto, e infelizmente, como já referi, há cada vez menos pessoas a praticar damas, pelas razões que atrás citei, e como tal reconheço que é uma modalidade que hoje está envelhecida. Tenho tentado de certa forma contrariar esta tendência, até porque fui convidado a dar aulas de damas a crianças de uma escola primária e a jovens do ensino secundário (da zona de S. João da Madeira), de modo a ver se consigo “extrair” um ou dois jogadores para o futuro. A ver vamos. Agora tenho de ir jogar (risos). Obrigado.

    Por: Miguel Barros

     

     

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