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Edição de 31-01-2024
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    Arquivo: Edição de 01-03-2014

    SECÇÃO: Destaque


    ENTREVISTA - ESCOLA SECUNDÁRIA DE ERMESINDE

    Uma escola... teimosa

    Esta escola não tem razão de ser. Ela serve uma comunidade de “apenas” 65 mil pessoas. Logo podem aprovar-se para ela todos os projetos, desde que nunca se executem. Os alunos podem abandoná-la e ir para Águas Santas, Rio Tinto, Porto, podem fazer-se todos os estudos geológicos que se queira, abrir os buracos e deixá-los ficar, e prometer intervir sempre para o ano que vem.

    Degrada-se?, e depois!? é a lei da vida. Não há nada a fazer. Um pequeno lapso, certamente, permitiu substituir a cobertura do ginásio, dar-lhe mais luz natural, não se percebe com que intenção..., foi mais despesa!

    Fotos URSULA ZANGGER
    Fotos URSULA ZANGGER
    Álvaro Pereira, diretor do Agrupamento de Escolas de Ermesinde, há muitos anos à frente da Escola Secundária, recebe-nos sem saber bem onde nos pôr, de tão exíguo o gabinete da Direção da escola que partilha com os outros elementos da Direção. Por fim lá nos arranja um pequeno canto onde cabe uma mesinha e umas três cadeiras, e é lá que nos fala da saga desta escola e da sua revolta ao vê-la tratada de forma tão injusta após a constatação de não haver recursos financeiros para avançar com a terceira fase de uma requalificação que dotou outras de meios às vezes desmesurados.

    Não pede luxos, apenas condições de trabalho com que a escola possa ser dotada, de forma idêntica a tantas outras para onde, agora, fogem alguns dos seus alunos. Por exemplo, os devidos 250 computadores, 50 projetores de video (um por sala), 15 a 20 quadros interativos.

    Logo ali ao lado e muito bem, a EB 2,3 de S. Lourenço recebeu 150 computadores –Rosa Calçada, diretora das bibliotecas escolares espantou-se mesmo pela má qualidade dos computadores ainda em uso na ESE, lembra o histórico diretor... os históricos computadores.

    Álvaro Pereira regista a compreensão com que sempre é acolhido por quem pode decidir. Sempre sensibilizados, mas nunca há calendário.

    Em breve irão reiniciar-se as obras em algumas das escolas em que não foram terminadas. A ESE e outras 30, da terceira fase, continuarão à espera.

    O sinistro de tudo isto é o que revela a sua história, quando o novo projeto foi aprovado em dezembro de 2010. Então, convidado aquando dos 40 anos da Escola Secundária de Ermesinde (ESE), o então diretor geral da DREN anunciou pomposamente a prenda de anos – uma escola nova para Ermesinde! E chegou a ser feita uma muito linda maquete.

    Escolas muito mais recentes que a ESE (que agora tem cerca de 43 anos), como a do Castêlo da Maia, foram praticamente deitadas abaixo para se fazer uma escola nova. Mas a realidade aqui, chocante e «caricata», é bem diferente. Hoje, em 2014, quando a ESE pediu à DGEST autorização para a requalificação da portaria da escola – um cubículo com pouco mais de meio metro de espaço onde os funcionários quase nem podem esticar as pernas, a resposta é não!, por qualquer razão imbecil (isso dizemos nós), como sempre são as razões da sempre arbitrária burocracia.

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    A requalificação que agora Álvaro Pereira reclama nada tem a ver com a escola “nova”, ou com o projeto à altura apresentado pela Parque Escolar – pede-se sobretudo uma remodelação da caixilharia e vidros, da iluminação, pintura e persianas, isto é o necessário para poder tornar a escola confortável em dias de maior frio ou de maior calor – o isolamento térmico é fundamental.

    Álvaro Pereira, de qualquer modo, recorda: gastaram-se aqui, só em projetos de arquitetura, qualquer coisa como 250 mil euros, mais 1 milhão de euros (!) de estudos geológicos – dos quais ficaram ainda alguns buracos abertos!

    De qualquer modo Álvaro Pereira assinala a pequena luzinha ao fundo do túnel que foi a substituição da cobertura do ginásio, agora com muito mais luz natural, e o arranjo dos balneários – obras estas que orçaram os 100 mil euros.

    Confiante no apoio da autarquia municipal, o diretor relembra os esforços que têm vindo a ser feitos desde o mandato de João Paulo Baltazar, que com a vereadora da Educação de então, se mobilizaram duas vezes para falar com o secretário de Estado da Educação, João Casanova em Lisboa, além da reunião havida aquando da inauguração da Escola Básica do Mirante de Sonhos com o já atual ministro Nuno Crato.

    E tem também plena confiança que o atual vereador da Educação, Orlando Rodrigues, que aliás foi seu colega na direção de um estabelecimento escolar no concelho (em Campo), prossiga este esforço, aliás prometido aquando de uma mais recente conversa com ele.

    Valongo – recorde-se –, é o único concelho sem qualquer escola requalificada.

    A situação atual da ESE contempla ainda situações como esta: a existência de vários pré-fabricados já com 40 anos de idade (mas infelizmente ainda úteis), ou coberturas de cerca de 4 000 m2 de fibrocimento para serem retiradas.

    A QUALIDADE

    DO ENSINO

    NA ESE

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    No meio deste sombrio quadro e ao invés do que naturalmente haveria a esperar, a ESE continua a mostrar bons resultados pedagógicos na comparação com as escolas próximas, embora as condições referidas prevaleçam e levem muitos alunos a acabar por preferir ir para Águas Santas, Rio Tinto, Maia, ou qualquer externato.

    Mas de forma geral, aponta Álvaro Pereira – e cremos, com verdade – os alunos, de forma geral, continuam a gostar desta escola. Porque uma escola não são só paredes!

    «Há aqui uma cultura de escola!», aponta orgulhoso o diretor, que faz ressaltar o seu lema “Conhecimento e Humanismo”.

    Há uma excelente relação entre os elementos da comunidade escolar e uma relação estreita com a comunidade exterior.

    A escola é mesmo uma referência, a nível do Secundário, no capítulo das Artes, mesmo não sendo escola de vocação exclusivamente artística, isso mesmo o reconheceram perante os pares, autoridades tutelares.

    Foram alunos da ESE que fizeram o painel exterior da Escola do Mirante de Sonhos, o painel da antiga passagem inferior da estação ferroviária de Ermesinde, e muitos muitos recantos da Escola Secundária foram decorados com murais, azulejos e outras intervenções artísticas, que fazem deste estabelecimento de ensino uma espécie de belo “jardim florido” ou galeria, numa linguagem mais realista. Movimento esse que é contínuo e entusiasmado.

    Álvaro Pereira fala também das várias parcerias que a escola mantém, por exemplo com a Faculdade de Arquitetura, com a Universidade Aberta, com a Faculdadede Letras da Universidade do Porto, e muitas outras.

    O cartão de controlo do acesso à escola não foi um dispêndio para esta, porque resultou do apoio de empresas, como o Instituto de Línguas.

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    E na comunidade exterior em que se insere, a ESE mantém parcerias com instituições como a Junta de Freguesia de Ermesinde e várias associação culturais.

    Os alunos são motivados a participar em projetos como a Agenda 21 ou a Amnistia Internacional. Um exemplo recente, no quadro do Projeto Vida e Saúde, foi possível organizar uma ação de Educação Sexual dirigida aos pais.

    Há também um balanço muito positivo no que respeita aos cursos profissionais. Por exemplo, os cursos de design gráfico e vitrinismo irão colaborar numa iniciativa destinada a reavivar o comércio tradicional em Ermesinde, tendo já encontrado diversos parceiros interessados.

    Entre os curos ministrados na ESE podem encontrar-se “coisas” como o curso de auxiliar protésico.

    Há também cursos EFA (ensino e formação de adultos de Práticas Comerciais, e de matérias como Fotografia, Eletricidade e Informática. De rececionista de hotel, de Geriatria. 28 estrangeiros das mais diversas nacionalidades frequentam este ano a escola no curso de Português para Todos.

    O balanço que faz dos cursos Novas Oportunidades é também muito positivo, tendo alguns técnicos muito bons saído com mágoa do projeto extinto, que neste, como noutros casos, era um projeto de rigor.

    O Agrupamento de Escolas de Ermesinde conta com 2 561 alunos, sendo 1 600 do ensino básico e pré-escolar. O Agrupamento acolhe, assim, alunos desde os 3 aos 80 anos.

    A gestão é assegurada por três elementos da Secundária e três da EB 2,3 D. António Ferreira Gomes, no que tem sido uma muito boa experiência, qualifica o diretor, Álvaro Pereira, que faz o elogio público desta equipa de trabalho.

    A escola não merecia o que lhe fizeram. A paciência foi ilimitada, mas para tudo há um patamar de dignidade que não pode ser ultrapassado. Não se pode esperar sempre!

    Por: LC

     

     

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