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Edição de 31-10-2019
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    Arquivo: Edição de 31-01-2014

    SECÇÃO: Desporto


    ENTREVISTA

    De Valongo para o Mundo, eis a Federação Portuguesa de Matraquilhos

    Longe vão os tempos em que os matraquilhos não passavam de um mero passatempo popular praticado por grupos de amigos que ao fim do dia se juntavam num qualquer café para usufruir de umas horas de convívio. Hoje, os matraquilhos são muito mais do que isso, sobressaindo – cada vez mais – no panorama do desporto português como uma modalidade bem estruturada (sob diversos aspetos) que tem trilhado os caminhos do sucesso desportivo tanto a nível nacional como internacional. Estatuto alcançado sob a égide da Federação Portuguesa de Matraquilhos (FPM), mas… a esta altura perguntar-se-ão os nossos leitores que terá a haver esta história com a nossa realidade local? A resposta é curta e simples: tudo. Pois esta é uma história que foi iniciada há precisamente 7 anos em Valongo. E foi para conhecê-la de perto que o nosso jornal se deslocou à sede do nosso concelho, onde se encontra localizada a casa da FPM.

    Fotos FPM
    Fotos FPM
    À partida o facto de Valongo acolher a sede de um organismo desportivo nacional é merecedor de alguma admiração e curiosidade, que subirá de tom se acrescentarmos que esse dito organismo tutela uma modalidade que tem dado muitas alegrias – o mesmo será dizer títulos, medalhas, entre outras distinções – ao nosso país. Como todas as histórias também esta tem um início, e é aqui que entra o nosso interlocutor, Vítor Bessa, um valonguense de gema, que se notabilizou nos bilhares nacionais e internacionais. As suas tacadas alcançaram títulos europeus para Portugal, e por várias vezes esteve às portas de conquistar o título de campeão do Mundo. E foi precisamente num Campeonato do Mundo de Bilhar, decorrido por volta de 2002 em Las Vegas, que Vítor Bessa tomou conhecimento dos matraquilhos enquanto modalidade de competição. «No local onde decorreu o Campeonato do Mundo havia uma mesa de matraquilhos encostada a um canto para quem quisesse jogar. Soube posteriormente que dali a pouco tempo iria decorrer um campeonato de matraquilhos, e…», porque não criar algo do género em Portugal? «Sim. Amadureci a ideia durante uns anos, inteirei-me sobre a modalidade, foram criados os regulamentos, as regras. Digamos que não quis entrar às cegas neste projeto, ou seja, queria iniciá-lo com bases sólidas, assente no desenvolvimento de uma organização competente, e foi o que foi feito, e o que tem sido feito, e bem, em meu entender, até aqui».

    A 7 de fevereiro de 2007 nasce pois oficialmente em Valongo a FPM, pela mão de Vítor Bessa e de um punhado de outros amantes de uma modalidade muito querida no nosso país. E de lá para cá o que se tem assistido é um crescimento notável da modalidade sob a batuta de uma federação que até nem requereu, por assim dizer, o estatuto de utilidade pública, como a maior parte das suas congéneres. «Ser utilidade pública tem fatores positivos, mas tem outros que penso serem negativos. Desde logo obriga a que FPM tenha de cobrar taxas altas de filiação, além de que obriga igualmente a que os cafés, que é onde se encontram a maior parte dos jogadores, tenham de se tornar clubes desportivos, o que implica um acrescento financeiro na ordem dos 500 euros, e convenhamos que nem todos os cafés estarão disponíveis financeiramente para investir na criação de clubes. Por isso, preferimos mantermo-nos assim, sem estatuto de utilidade pública, e sem os consequentes apoios estatais».

    Mas, e verdade seja dita, a ausência dos subsídios estatais está longe de ser um entrave na ascensão meteórica rumo ao sucesso, tanto ao nível organizativo como desportivo, que a FPM tem tido. No primeiro aspeto a federação conta com já com 14 membros distritais espalhados pelo continente e pelos arquipélagos da Madeira e dos Açores. Cada associação agrega já cerca de 20 clubes, e em números redondos os jogadores federados são por esta altura cerca de 600. «Em 7 anos de existência penso que este foi um crescimento muito bom, mas está ainda longe de ser totalmente satisfatório, até porque temos consciência de que há muito mais praticantes em Portugal. Nesse ponto as associações têm de fazer o seu trabalho de captação, e isso é algo que ainda está um pouco no início». Vítor Bessa sublinha que esta é mesmo uma das metas imediatas da federação, ou seja, ajudar a atrair não só mais atletas mas também mais patrocínios, porque de resto a FPM tem tudo. «Temos uma logística impressionante, temos uma boa imagem já implantada, temos tido muita comunicação social interessada em conhecer o nosso trabalho». O que falta então para atingir o patamar máximo do sucesso? A resposta é simples: «Talvez termos uma Sport tv a fazer a cobertura de uma competição nossa, e posso dizer que esse é o tal passo que queremos dar a seguir, já que vamos apresentar uma proposta à Sport tv para acompanhar os campeonatos nacionais de 2014. Com a presença desta estação de televisão julgo que podemos não só captar a atenção de potenciais novos atletas como também novos patrocinadores, até porque neste momento contamos quase só com o apoio monetário da Scorpion Sport, o nosso principal sponsor».

    PORTUGAL É JÁ UMA POTÊNCIA MUNDIAL

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    No plano desportivo o êxito tem sido um sinónimo deveras repetitivo quando se fala na FPM. Portugal é mesmo tido no plano internacional como uma potência da modalidade, e a provar este facto estão as brilhantes prestações que as diversas seleções nacionais têm tido nos campeonatos do Mundo. Portugal que, diga-se, é uma presença habitual no evento mais importante tutelado pela International Table Soccer Federation (ITSF) desde 2009, ano em que se filiou no organismo máximo da modalidade a nível planetário. Desempenho que tem sido, como já foi referido, brilhante, a julgar pelos muitos títulos mundiais já obtidos desde então, medalhas de prata, de bronze, distinções honrosas, etc.. Os feitos mais recentes foram alcançados no Campeonato do Mundo de 2013, em Nantes (França), onde Portugal foi campeão mundial de doubles (duplas) na categoria de juniores, por intermédio de Filipe Barreira, e Leandro Pires, e vice-campeão por equipas também no escalão júnior. Aliás, os lusos têm sido nos últimos anos um dos países que maior número de atletas têm levado aos Campeonatos do Mundo (em diversos escalões), residindo aqui uma prova do sucesso que a modalidade tem tido em solo lusitano.

    A ELITE DOS MATRAQUILHOS

    NO NOSSO PAÍS

    Com a evidente visibilidade de Portugal no universo dos matraquilhos é impiedoso colocar a seguinte questão: para quando a realização de um grande evento mundial no nosso país? Um desejo difícil mas não impossível de cumprir, segundo o presidente da FPM. Difícil porque em termos financeiros fazer um Mundial em Portugal teria um custo na ordem dos 100 000 euros, «e sem apoios financeiros este é um número que assusta. No entanto, e volto a repetir, tendo a visibilidade da Sport tv num evento nacional próximo, penso que podermos angariar mais patrocinadores, e dessa forma construir as bases para que no futuro tenhamos aqui o Campeonato do Mundo», aponta como meta o líder da federação. No entanto, e apesar de para já o evento máximo da modalidade ser um sonho difícil de concretizar, o nosso país vai ser este ano palco de alguns acontecimentos internacionais de grande relevo. Um deles é o congresso internacional que a ITSF vai realizar em Lisboa entre os próximos dias 3 e 6 de abril, em que estarão reunidos os membros oficiais das principais federações mundiais para debater aspetos relacionados com o desenvolvimento da modalidade. O outro é o Pro-Tour ITSF, o primeiro evento de cariz internacional a ser realizado em terras lusas, que trará a três distritos nacionais (Setúbal, Lisboa, e Porto) alguns dos melhores jogadores mundiais da modalidade. No Porto a prova vai mesmo ser realizada em Valongo, na Academia Scorpion Sport, a 8 de março.

    MÁGOA COM A CÂMARA DE VALONGO

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    E por falar em Valongo a nossa conversa não pôde deixar de saber o ponto da situação da modalidade no seio do nosso concelho, até porque é aqui que se situa, como já vimos, a sede de toda a estrutura da modalidade em Portugal. No que concerne ao plano desportivo Vítor Bessa desvenda que Valongo é um concelho com grande potencial, apontando a existência de cerca de 30 atletas com grande valor, entre eles Ricardo Dias. No entanto, o concelho, ou neste caso quem o gere, é merecedor de uma certa mágoa por parte do presidente da FPM. Como já foi dito, Vítor Bessa é um valonguense de gema, arrecadou títulos de gabarito internacional enquanto jogador de bilhar, edificou a FPM que tem catapultado a modalidade e o país no plano internacional, e até hoje «nunca tive uma palavra de reconhecimento por parte da Câmara Municipal de Valongo (CMV). Nem reconhecimento nem apoios, quer como jogador de bilhar, quer agora como dirigente federativo. Ao contrário da Junta de Freguesia de Valongo, que sempre me apoiou (financeiramente) quando ia aos campeonatos da Europa ou do Mundo, e continua a apoiar mesmo agora na FPM, a Câmara nunca me deu nada. Ainda agora (dezembro) quando a Seleção Nacional chegou de França enviamos um e-mail à Câmara a dar conhecimento da nossa prestação no Campeonato do Mundo, sendo que até hoje nem um elogio tivemos da parte deles! Custa muito».

    Apoio camarário que é fundamental para que provas de âmbito nacional e internacional tenham lugar no nosso concelho. Aliás, neste aspeto a FPM tem em vista organizar a Liga dos Campeões (prova de cariz nacional) em Valongo, tendo já contactado a Câmara no sentido de obter da parte desta alguma ajuda, mas até agora nenhum feedback chegou da parte da autarquia.

    E se Valongo não apoia nem reconhece o trabalho que a Federação tem feito ao longo destes 7 anos de vida outras autarquias nacionais fazem-no, como é o caso da Maia. «Posso dizer que já fomos contactados por parte da Câmara da Maia para sairmos daqui. Eles oferecem-nos não só apoios logísticos (instalações) mas também algum apoio financeiro. Vamos ver…».

    Maia que aliás já mostrou também interesse em apoiar um dos próximos projetos da FPM, agendado para 2015, e que passa pela edificação de um Campeonato Nacional de Escolas, projeto que visa fomentar a formação no seio da modalidade a nível nacional.

    Uma coisa é certa, com ou sem apoios camarários, a FPM tem levado a “água ao seu moinho”, e com elogios internacionais, o que para Valongo é um orgulho, mesmo a Câmara local fazendo “ouvidos de mercador”!

    Por: Miguel Barros

     

     

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