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Edição de 31-07-2019
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    Arquivo: Edição de 20-09-2013

    SECÇÃO: Desporto


    ENTREVISTA COM O PRESIDENTE DA DIREÇÃO DO ERMESINDE SPORT CLUBE 1936

    O recém-nascido Ermesinde 1936 quer voar alto… com os pés bem assentes no chão

    «O Ermesinde Sport Clube 1936 nasce com o objetivo de dotar a cidade de Ermesinde de um clube que para além de fomentar a prática desportiva generalizada, promova a aquisição de hábitos de vida saudável entre os mais jovens, contribuindo para uma educação fundada em princípios de urbanidade e desportivismo, tornando o clube num agente nevrálgico da cidade, promotor cultural, recreativo, económico e desportivo». Foi desta forma que na noite de 2 de agosto último a mais jovem coletividade desportiva da nossa freguesia se apresentou oficialmente à comunidade local, dando assim o primeiro passo de uma caminhada que se sonha ser de glória, tal como outrora aconteceu com o velhinho e hoje moribundo Ermesinde Sport Clube.

    Com o intuito de ficar a conhecer um pouco melhor o projeto do Ermesinde 1936 o nosso jornal esteve à conversa com Jorge Costa, o presidente da Direção do recém-nascido emblema local.

    Fotos MANUEL VALDREZ
    Fotos MANUEL VALDREZ
    Travado o conhecimento com a dura e praticamente incontornável realidade do septuagenário Ermesinde Sport Clube, cuja viabilidade de continuidade foi testemunhada na Assembleia Geral (AG) que o clube levou a efeito a 21 de junho passado como uma missão impossível, um grupo de sócios do emblema verde e branco, incrédulo com a situação logo tratou de encontrar uma solução para que a prática e promoção desportiva – com o futebol à cabeça – na nossa cidade não fizesse definitivamente parte do passado. E essa solução, a única mediante os acontecimentos vividos naquela noite, passava pela criação de um novo clube. Jorge Costa foi um dos muitos sócios do agora “antigo” Ermesinde Sport Clube que marcou presença na citada AG, e recorda hoje a tristeza vivenciada nessa noite ao constatar que o seu clube estava perto do fim. «Todos os que lá estiveram, e principalmente aqueles que gostavam do Ermesinde, ficaram tristes pelos acontecimentos ali verificados. Tristes pelo facto de ver que as anteriores gestões deixaram o clube chegar ao estado ao qual chegou, impossibilitado de continuar, com dívidas muito grandes, com as Finanças a suspender a atividade do clube», relembra A partir dessa noite criou-se um grupo de pessoas com dinâmica, segundo o nosso interlocutor, que foram conversando e, num curto espaço de tempo, um novo clube viu a luz do dia. O nascimento oficial do Ermesinde Sport Clube 1936 ocorreria a 18 de julho, e porquê 1936 no “nome de batismo”? «Foi uma espécie de homenagem ao anterior clube, que foi fundado precisamente em 1936», decifra a curiosidade Jorge Costa. Tentar manter o espírito do anterior clube mas crescer de uma forma sustentada, «sem correr os riscos do passado. Temos uma Direção jovem, com ideias, um grupo de pessoas com dinâmica, como já referi, que pretende fazer uma gestão responsável e que possa fazer crescer o clube de uma forma autossustentável, e que não se repitam os erros do passado verificados com o antigo clube, o qual – volto a dizer – chegou ao estado a que chegou por culpa dos erros das anteriores gestões. Nós queremos fazer uma gestão transparente, onde os sócios possam ver e analisar as contas, e fazer com que este projeto possa evoluir de forma positiva e sem contratempos. Esse é o caminho», sublinha Jorge Costa.

    Com apenas dois meses de vida o Ermesinde 1936 ainda dá naturalmente os primeiros passos em diversos sentidos, ainda está a criar as suas bases, digamos assim, como salienta o seu presidente. Um dos objetivos que está a ser levado a cabo no presente é conseguir angariar o maior número de associados possível, de forma a levar avante os projetos em carteira. Atualmente o Ermesinde 1936 conta com cerca de 250 associados, sendo que centena e meia transitaram, por assim dizer, do antigo clube (que tinha cerca de 1000 associados), ao passo que os restantes 100 são atletas da formação. E aqui reside uma novidade na “política” de angariação de novos associados, pois todos os atletas dos escalões de formação são “feitos” sócios do Ermesinde 1936, isentos do pagamento de quotas. «É uma forma de os fazer sentir mais o clube», explica o dirigente, que frisa ainda que neste momento se estão a fazer esforços para cativar mais sócios do “antigo” Ermesinde para o “novo” Ermesinde. Cativar parece ser mesmo a palavra de ordem no imediato, com a jovem Direção a trabalhar muito no sentido de aproximar mais o novo clube da cidade, e vice-versa, uma ligação que para Jorge Costa não se fazia notar em relação ao “velho” Ermesinde. «Queremos que exista uma maior interatividade entre o clube e a cidade. Neste momento estamos a trabalhar através das redes sociais, a dar a conhecer o clube através desses meios. Em breve vamos ter online também a nossa página oficial na internet, e estamos ainda a fazer uma série de contactos com o comércio local de forma a que eles nos possam ajudar, ao colocar aqui no estádio publicidade. No fundo estamos a dar a conhecer o clube à cidade».

    APOSTA NA FORMAÇÃO

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    Jorge Costa não se cansa de dizer que neste momento o Ermesinde 1936 está a criar bases para crescer, para concretizar os projetos que tem em mente, e por falar em bases é de sublinhar que o novo clube irá fazer uma aposta forte no setor da formação. Neste ponto o dirigente frisa o facto de o Ermesinde 1936 possuir todos os escalões de formação, desde a academia (batizada de Argolinhas 1936) até aos juniores. Escalões que por esta altura iniciaram no Complexo Desportivo dos Montes da Costa os seus trabalhos de preparação com vista à nova temporada. «É muito importante para o clube apostar na formação, fazer com que os atletas cresçam e mais tarde possam vir a ser apostas na equipa principal. Aliás, cerca de 50 por cento dos jogadores do atual plantel sénior é oriundo da formação do anterior clube (Ermesinde Sport Clube). No setor da formação posso dizer ainda que estamos a apostar em equipas técnicas com experiência, para que no futuro este setor possa dar os seus frutos», diz Jorge Costa.

    Neste momento, e como já dissemos, as equipas de formação do clube já dão os primeiros pontapés na bola, mas com uma ou outra dificuldade pela frente, a mais saliente a questão dos espaços para trabalhar. O único campo para desenvolver esses trabalhos tem sido o do Complexo Desportivo dos Montes da Costa, retângulo de jogo que presentemente alberga todos os escalões do futebol ermesindista, inclusive o plantel sénior, pelo facto do relvado do Estádio de Sonhos estar a ser recuperado e nos termos visto obrigados a trabalhar nos Montes da Costa. «Temos tido algumas dificuldades na gestão do espaço, e por isso aproveito a oportunidade para pedir alguma paciência aos pais dos atletas da formação, no sentido de que compreendam que, por vezes, temos a necessidade de adiar, ou cancelar, um ou outro treino, porque na verdade estamos condicionados ao espaço que temos, insuficiente para todos os escalões».

    MUNICIPALIZAÇÃO DOS SONHOS

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    Situação que pode ser colmatada, ou atenuada, com a reutilização do Estádio de Sonhos, cujo relvado nunca é demais relembrar se encontra a ser substituído. Obra esta que está a ser suportada financeiramente pela Câmara Municipal de Valongo, que, como é público, é a nova proprietária do recinto, na sequência do acordo – também do domínio público – celebrado com um dos principais credores do antigo Ermesinde Sport Clube, Abílio de Sá, com a solução do desbloqueamento da penhora do estádio a passar pela permuta dos terrenos do campo dos Montes da Costa, que ficarão com capacidade construtiva, e do Estádio de Sonhos ser municipalizado e requalificado. Atualmente essa requalificação passa pela substituição do relvado, mas na visão de Jorge Costa ainda muito há a fazer na reabilitação dos Sonhos, estando certo que, a seu tempo, a Câmara vai proceder a esses melhoramentos de modo a que possam existir as mínimas condições para que ali se desenvolvam espetáculos de futebol.

    Questionado sobre se a municipalização do Estádio de Sonhos foi ou não a melhor solução Jorge Costa é perentório em afirmar que «preferia que o estádio se mantivesse na posse do clube. Agora chegado ao ponto a que o anterior clube chegou era praticamente impossível manter o estádio na sua posse. As dívidas eram tão grandes que a única solução foi a municipalização do estádio». E sobre perder o Complexo Desportivo dos Montes da Costa, que tem sido tão importante para o desenvolvimento dos trabalhos das camadas jovens, e que na sequência do acordo entre a autarquia e o construtor Abílio de Sá daqui a dois anos irá desaparecer, o presidente da Direção do Ermesinde 1936 também é direto ao opinar que «se me perguntassem se gostaria de manter os Montes da Costa enquanto complexo para as camadas jovens trabalharem, diria que sim, o espaço é importante, pois suprimia algumas debilidades ao nível de falta espaços desportivos na cidade. Mas por outro lado o estádio estava de alguma forma hipotecado a um construtor civil, e o mais provável era no futuro desaparecer para dar lugar a algum empreendimento. O que era uma pena, pois este recinto é uma referência no desporto, aliás, uma referência da própria cidade. Agora, entre ter o estádio reabilitado, com um relvado sintético no futuro (nota: projetado para daqui a dois anos), com condições para todas as equipas do clube aqui trabalharem, ou ter o atual Complexo dos Montes da Costa, sem dúvida que prefiro ter o estádio, porque o estádio tem muito melhores condições para criar um bom complexo desportivo do que os Montes da Costa», refere convictamente.

    SUBIDA DE DIVISÃO SERIA BEM VINDA

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    Como é óbvio a conversa mantida com Jorge Costa direcionou-se a determinada altura para o plano desportivo, mais em concreto para o futebol, e no que poderá fazer o novo Ermesinde 1936 no ano de estreia nas provas oficiais da Associação de Futebol do Porto. O recém-nascido emblema da nossa cidade irá competir no escalão mais baixo da dita associação, isto é, a 2ª Divisão, mas nem isso impede a nação ermesindista de sonhar com uma subida logo no ano de estreia! Antes do mais Jorge Costa sublinha que a Direção não colocou objetivos rígidos à equipa sénior, mas que face ao bom grupo construído a subida é a meta que todos gostariam de alcançar. «O plantel está construído para que possamos fazer um bom campeonato. Temos um grupo de atletas que nos dão essa garantia. Construímos um plantel para ganhar, e o que lhes pedimos é que vençam jogo a jogo. É claro se as coisas correrem bem gostaríamos já na primeira época de subir de Divisão, isto sem criar qualquer tipo de pressão seja a quem quer que seja, atenção! Até por que quem anda no futebol sabe que muitas vezes as coisas não correm como se deseja».

    CLUBE ECLÉTICO

    “O Ermesinde Sport Clube 1936 nasce com o objetivo de dotar a cidade de Ermesinde de um clube que para além de fomentar a prática desportiva generalizada…” –palavras introdutórias aquando da apresentação pública do clube a 2 de agosto último no auditório da Junta de Freguesia de Ermesinde, e que demonstram desde logo que este novo clube é mais do que um… mero clube de futebol. Outras modalidades para além do “desporto rei” foram projetadas pelos fundadores do novo emblema, modalidades que outrora fizeram parte do “ADN” do “anterior” Ermesinde, como por exemplo o boxe, ou o atletismo. O futsal também poderá ser uma novidade já a partir da próxima temporada, mas para já ainda está tudo no papel, pois primeiro há que criar bases para colocar esses projetos em andamento a médio prazo.

    A terminar Jorge Costa faria um apelo à comunidade de Ermesinde. «Gostava que todos se aproximassem deste novo clube, que se inscrevessem como associados, e que nos ajudassem a que todos estes projetos pudessem vir a ser concretizados, para que no futuro próximo possamos estar num patamar mais alto, onde a cidade merece que o seu clube esteja».

    Por: Miguel Barros

     

     

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