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Edição de 31-12-2021
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    Arquivo: Edição de 15-02-2013

    SECÇÃO: Crónicas


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    Quarta-feira de Cinzas

    É quarta-feira de Cinzas, o dia amanhece muito cedo frágil e mirrento, mas depois recompõe-se como diz um grande amigo meu, «O Irmão Sol resolveu iluminar esta Quarta-Feira de Cinzas. Ó Glória!». Dia de fazer uma boa ação para comigo e para com os meus "capitães das descobertas". Oferecer uma catrefada de livros à biblioteca da minha cidade, a minha biblioteca de sempre em Portugal. Lindo dia, fresco, eu com a minha saca cheia de livros a entrar no espaço onde melhor me formei, onde li livros impossíveis para a minha idade, onde descobri valores e sentimentos valiosos, criando a minha imaginação.

    Que bonito, 15 anos depois de te conhecer, espaço de luz quebrada, escura e até, em certos dias, dando-me arrepios, estás renovada, livre, organizada.

    15 anos depois de entrar pela primeira vez, com a minha Mãe, já venho sozinho, já escolho pela minha cabeça.

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    15 anos depois, sou eu quem dá livros que tem em casa, parados, como novos, livros que nunca li, que nunca lerei, que já li, que nem sabia que tinha.

    Hoje vou deixar o espaço vazio em casa de meus Pais, amanhã limpo o pó, preencho com novas leituras, novos discos, novas paixões.

    Hoje quero ter a memória tingida na perfeição, nesse "buraco", do que é olhar para as crianças que estão na biblioteca e lembrar-me, nos seus olhos, o que é a alegria de saber o significado de letras ordenadas de uma certa maneira.

    Quem diria, meu menino, que um dia serias tu, adulto, a preencher os "buracos" das prateleiras da tua mais que estimada biblioteca.

    Se não fossem homens e mulheres amantes da leitura que gostassem de partilhar essa alegria, eu e todos os meus colegas de leituras não teríamos tido a sorte de formar a nossa consciência, quando voltávamos da escola e a biblioteca até estava aberta até mais tarde, ou quando pedíamos emprestados "à senhora dos livros amarelos" e nos sentávamos tardes sem fim no seu jardim lindíssimo.

    Mesmo quando se mudou de ares, enquanto era renovado o edifício antigo, continuei fiel.

    Em boa hora os meus Pais me inscreveram como sócio. Foi das melhores coisas que fizeram.

    Bastou uma ida para se dar início de uma grande aventura na minha vida.

    Por: Filipe Cerqueira

     

     

    este espaço pode ser seu Este espaço pode ser seu Este espaço pode ser seu
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