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Edição de 31-01-2021
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    Arquivo: Edição de 31-01-2013

    SECÇÃO: Destaque


    FORMAÇÃO e EDUCAÇÃO DE ADULTOS

    Formação de adultos – o menosprezo por uma missão essencial

    Neste número de “A Voz de Ermesinde”, e através do depoimento de alguns técnicos comprometidos com a missão social de promover o conhecimento e a ânsia do conhecimento num público adulto, deixamos aos nossos leitores uma reflexão sobre o estado do mundo aqui e agora e sobre o obscuro projeto, assumido ou não, de promover a estratificação social, dessa forma supostamente estimulando as condições ótimas para um desenvolvimento desumanizado e assente em premissas de sucesso económico que, pelo contrário, mais não fazem do que extremar as condições da exclusão e a promoção de uma ainda maior desigualdade – este sim, um índice em que Portugal vem sendo exímio.

    Se as condições concretas da formação de adultos, aqui ou ali, poderão estar (ou dever estar) sob vigilância – veja-se a referência que a ela é feita neste número de “A Voz de Ermesinde” pelo presidente da Junta de Freguesia local, Luís Ramalho – não deixa de notar-se que recursos fraudulentos por parte de formandos beneficiam de níveis de tolerância bem diversos se o são por parte de sujeitos excluídos, no âmbito das novas oportunidades que lhes são criadas pela educação de adultos – seja qual for o programa que a promove –, ou se o são no quadro da escola oficial e regular, onde são de sobejo conhecidos os recursos com que muitos estudantes torneiam o défice de conhecimento, já que os métodos livrescos, impessoais e competitivos, isso permitem, quando não o fomentam.

    E não é, naturalmente, por que um aluno copia no teste ou até por que um ministro, de forma inaceitável, consagra o seu estatuto académico, que a escola ou mesmo o ensino universitário é logo, de imediato, no seu conjunto, considerado de exigência, qualidade ou idoneidade duvidosas.

    A acumulação de uma bolsa de competências, de uma massa crítica transformadora da sociedade que a envolve, deveria ser orgulho e recurso precioso e inalienável das instituições que se movem no campo da solidariedade social, ultrapassada a visão serôdia de uma ação meramente destinada ao socorro dos moribundos sociais. Excluídos a quem em breve a marginalidade cívica que lhes resta há--de arrastar como desperados e fazer cobrar à sociedade a distração de que deu mostras, por falta de uma visão holística e de uma determinação em transformar o mundo.

    A reflexão sobre a educação e formação de adultos, que remete para uma reflexão sobre os processos de exclusão social, remete também, como vimos, para os processos educativos, no seu conjunto, para a conceção e finalidade educativa, para processos pedagógicos que são em si mesmos libertadores de energias e de visão crítica – fazendo mover a arte, a ciência e a organização e olhar sobre o mundo e já em si os contendo como agentes de transformação interna dos formandos –, ou para processos educativos cujo projeto não ultrapassa o de reproduzir, no melhor e no pior, aquilo que é vigente e... dominante.

    A perceção crítica de que dão mostras estes atores/autores dos processos de educação de adultos, questionando o seu próprio papel, exige naturalmente que eles próprios se questionem enquanto agentes de transformação – a missão a que se referem – que desbravem caminhos, e que percebam ainda que o seu mundo-ilha não é o universo, e que a “realidade” se encarrega de estabelecer os critérios prioritários de intervenção.

    Por: LC

     

     

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