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Edição de 31-07-2019
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    Arquivo: Edição de 31-12-2012

    SECÇÃO: História


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    Recordando a 2ª ocupação inglesa da Madeira

    Há 205 anos, os portugueses tinham todas as razões para ainda se sentirem em pior maré do que aquela que hoje nos envolve. Os franceses invasores estavam cá há um mês (desde Novembro), tinha o mesmo tempo a fuga da Família Real e da Corte para o Rio de Janeiro (Brasil) e, praticamente, em simultâneo, os nossos aliados ingleses vieram apoderar-se de Portugal, com o argumento de virem defender o império português, correspondendo ao apelo de ajuda da casa reinante portuguesa.

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    Há 205 anos, os portugueses tinham todas as razões para ainda se sentirem em pior maré do que aquela que hoje nos envolve. Os franceses invasores estavam cá há um mês (desde Novembro), tinha o mesmo tempo a fuga da Família Real e da Corte para o Rio de Janeiro (Brasil) e, praticamente, em simultâneo, os nossos aliados ingleses vieram apoderar-se de Portugal, com o argumento de virem defender o império português, correspondendo ao apelo de ajuda da casa reinante portuguesa.

    Mas o mais grave de tudo foi a segunda ocupação britânica da Ilha da Madeira. Sem qualquer aviso prévio às autoridades portuguesas, na véspera de Natal de 1807, uma esquadra britânica aportou ao Funchal e apoderou-se da Ilha, pelos vistos jogando na antecipação estratégica à presumida investida napoleonica naquele arquipélago atlântico. Já no início do Verão de 1801 havia sucedido algo muito semelhante.

    A esquadra inglesa que ancorou na capital madeirense, naquele dia 24 de dezembro de 1807, era comandada pelo almirante Samuel Hood, e compunha-se de 4 naus, 4 fragatas e 16 navios de transporte, transportava 2 regimentos de infantaria (cerca de 2 mil soldados) mais duas companhias de artilharia, sob o comando do nosso, mais tarde, bem conhecido general Beresford (terá sido durante a sua permanência de pouco mais de meio ano na Madeira que este general britânico aprendeu a falar português).

    Feito o desembarque, sem qualquer reação por parte da presença militar portuguesa naquele arquipélago, o general inglês dirigiu-se, de imediato, ao Governador português na Ilha, o Capitão-general Pedro Fagundes Bacelar de Antas e Meneses, que intimou a entregar-lhe o Arquipélago, e este não que não viu como resistir, acabou por capitular. Logo no 1º artigo do Auto de Capitulação, assinado a 26 de dezembro de 1807, pode ler-se o seguinte: «A Ilha da Madeira e suas dependências serão entregues aos comandantes das forças de sua majestade britânica para serem conservadas e governadas por sua dita majestade com os mesmos direitos, privilégios e jurisdições com que até agora as gozou a coroa de Portugal». No dia 30 de dezembro seguinte, Beresford fez uma Proclamação à população madeirense, obrigando-a a reconhecer como seu legítimo rei, o monarca inglês, Jorge III.

    Esta ocorrência causou grande surpresa e consternação, quer no Reino, quer na Corte, no Rio de Janeiro, que mandatou o representante diplomático de Portugal em Londres, Domingos António de Sousa Coutinho, para fazer todos os esforços no sentido da devolução do Arquipélago a Portugal.

    Graças ao seu talento e prometendo à coroa britânica que Portugal aceitaria em troca da restituição da administração da Madeira às autoridades civis portuguesas, a entrega da superintendência de todos os assuntos militares a Beresford, Londres assentiu na devolução de toda a administração civil do território madeirense aos portugueses (Tratado de Restituição da Madeira, assinado em Londres, a 16 de março de 1808), reassumindo, assim, 4 meses depois (finais de abril de 1808), Pedro Meneses as suas funções de Governador da Madeira, voltando à sua residência oficial no Palácio de S. Lourenço, donde havia sido despojado por Beresford que aí passou a residir, e onde fez hastear a bandeira do Reino Unido, bem como em todas as fortalezas da Ilha. Os ingleses ocuparam ainda o Convento da Encarnação e o Quartel do Colégio.

    Enquanto Beresford ocupou o Palácio de S. Lourenço, resolveu fazer algumas obras de “beneficiação” que modificaram a estrutura do edifício, fazendo desaparecer o último piso da residência, ao altear a altura das salas de receção.

    O Forte de S. José, no outro lado do porto do Funchal, foi o quartel-general da ocupação britânica e, mais tarde, serviu-lhes também de cadeia.

    Mas a presença militar britânica foi uma realidade no Arquipélago Madeirense até 3 de outubro de 1814. Em 17 de agosto de 1808, Beresford segue para Lisboa, levando consigo apenas metade dos soldados ingleses. Os restantes só saíram da Madeira, na sequência da assinatura do Tratado de Paz, entre a Inglaterra e a França, em setembro de 1814.

    Há muito que se conhece a especial “simpatia” dos ingleses pela “Pérola do Atlântico” e esta presença militar inglesa na Ilha da Madeira durante 7 anos, acabou por ter as suas repercussões até aos nossos dias, quer no número de apelidos britânicos ainda em uso, sobretudo em famílias da elite madeirense, quer no peso da comunidade britânica na economia madeirense, quer ainda em alguns vocábulos e no número de turistas ingleses que ali afluem regularmente.

    Por: Manuel Augusto Dias

     

     

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