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Edição de 30-04-2022
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    Arquivo: Edição de 15-12-2012

    SECÇÃO: Editorial


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    Natal - tempo de esperança

    Neste país onde a esperança se vai esgotando, faz falta o Natal.

    Precisamos de uma luz que nos conduza para bons caminhos, que nos aqueça e nos dê alento.

    As mensagens de Natal da Igreja Católica são bem significativas da época que vivemos e foram dedicadas à crise e à ajuda aos mais necessitados.

    Os principais líderes da Igreja Católica em Portugal deixam um apelo à partilha – «que os gestos de entreajuda, solidariedade e partilha se multipliquem», à força da família apelando à reconciliação da mesma, à oportunidade de troca de calor humano, à necessidade de cultivar a esperança.

    D. Jorge Ortiga vai mais longe e afirma – «é preciso inquietar os políticos, obrigando-os a refletir sobre o papel que devem ter como legítimos representantes do povo».

    Esta crise que começou nos Estados Unidos e que rapidamente se instalou na Europa, onde as primeiras vítimas foram a Grécia, a Irlanda e Portugal, tem vindo a agravar-se.

    O Governo de Portugal optou por ser um bom aluno da chanceler Merkel, seguindo uma austeridade cega «e que tem deixado impunes os mercados usurários e os mais poderosos, aceitando que cresça a recessão e, avassaladoramente, o desemprego». (1)

    Como dizia Carvalho da Silva, «para a Troika e para o Governo, tudo isto são “riscos” ou “sacrifícios necessários”; o programa é perfeito e está a ser executado de forma exemplar, mesmo que se recorra a um austeritarismo nacional de empobrecimento». (2)

    Neste Natal os portugueses estão mais pobres, mais tristes, e sem esperança.

    Helena Marujo considera que a esperança resulta da integração de três atitudes:

    Ter objetivos, acreditar que se consegue atingi-los e possuir a “capacidade de desenhar caminhos para chegar a essas metas”.

    Será que os portugueses, neste contexto em que vivemos, conseguem assumir qualquer uma destas atitudes?

    «O que se faz sem horizontes para fazer caminhos?

    A Vida sem esperança é um deserto árido ou um deambular perdido e sonâmbulo». (3)

    Precisamos de cultivar a esperança, mas é necessário que quem nos governa não seja autista, que sinta o seu povo, que aponte caminhos credíveis, que crie condições para que todos possam viver com dignidade e justiça.

    Num tempo em que as sociedades democráticas estão em crise é tempo de nos unirmos em torno de causas, de nos organizarmos a nível local na luta pela justiça, pelos direitos humanos, na ajuda aos mais fracos, porque a sobrevivência do nosso país dependerá em muito desta nossa capacidade de sermos fraternos.

    Neste Natal de 2012 vamos procurar a estrela que nos ajude a encontrar a esperança!

    (1) Boaventura Santos, citado por Mário Soares em “Crónicas de um Tempo Difícil”.

    (2) Carvalho da Silva, citado por Mário Soares em “Crónicas de um Tempo Difícil”.

    (3) “Natal: Cultivar esperança, resistir à crise”, Agência Ecclesia.

    Por: Fernanda Lage

     

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