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    Arquivo: Edição de 31-10-2012

    SECÇÃO: História


    O último 5 de Outubro – a comemoração “envergonhada”

    Ainda está bem viva na nossa memória a celebração festiva do Centenário da República, há apenas dois anos, que ficou marcado por iniciativas que tiveram lugar um pouco por todo o país, independentemente da cor política de cada município. Bem dentro do espírito republicano, de há 102 anos atrás, o povo foi chamado à festa e participou, porque a vitória de 1910, só foi possível por ter representado a união de praticamente todo o povo, esperançado em melhores dias para os portugueses e para a sua Pátria, sobretudo quando os monárquicos quiseram voltar ao poder, com as violentas incursões de Paiva Couceiro ou a dramática Monarquia do Norte.

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    O triunfo da Revolução não foi fácil e estima-se que morreram nos confrontos de 4 e 5 de outubro de 1910 cerca de 200 pessoas. A sua iniciativa ficou a dever-se, conjuntamente, ao Partido Republicano, à Carbonária e à Maçonaria. Entre os operacionais da Rotunda, o destaque vai para o Comissário Naval Machado Santos, considerado, por isso mesmo, o “pai da República” que está para o “5 de Outubro” como Salgueiro Maia esteve para o “25 de Abril”.

    A decisão de se dar início à Revolução foi tomada cerca das 20 horas do dia 3 de outubro, quando José Relvas se dirigiu, com cerca de 50 revolucionários, militares e civis, à Rua da Esperança, 106, 3.º andar, não muito longe da atual Praça do Município. Reunidos em casa do advogado republicano Eusébio Leão, ficou decidido começar a Revolução à 1 hora da madrugada de 4 de outubro. Cândido dos Reis terá afirmado: “A Revolução ou se faz esta noite ou não se faz!». A Comissão de Resistência reuniu-se nessa mesma noite no Centro de S. Carlos, e ficou definitivamente resolvido que a Revolução se iniciasse no dia 4 de outubro à uma da madrugada.

    E depois, apesar de alguns momentos de hesitação, a verdade é que a Revolução se fez e o povo português veio para a rua, regozijar-se com o êxito, confirmado na manhã do dia 5 de outubro, quando o novo regime foi solenemente proclamado por José Relvas à multidão que se juntou na Praça do Município, em Lisboa. Em quase todos os outros concelhos do país, nos dias seguintes, se repetiu a proclamação da República sempre com a presença de muito povo e manifestações de alegria e de festa.

    É por tudo isto que as últimas decisões do poder político acerca da comemoração do 5 de Outubro são uma vergonha.

    A primeira decisão crítica foi a de abolir este feriado nacional. O atual regime é uma República, a Bandeira e o Hino nacionais nasceram com ela; o povo não pode esquecer que a República significou a politização do povo, ou seja, a chamada do povo à co-responsabilidade da gestão da “coisa pública”. Mas se alguns portugueses mantêm o gosto pela folclórica monarquia, também para esses, como para todos os portugueses, o 5 de Outubro, mas de 1143, é data importante porque marca o início oficial da portugalidade, com a assinatura do Tratada de Zamora, entre D. Afonso VII e, seu primo, D. Afonso Henriques. Assim, o 5 de Outubro é duplamente importante para a memória coletiva do povo português! Como se pode terminar com o feriado do dia 5 de Outubro, um dia tão importante para a História da nossa Pátria? Porque não se há-de continuar a lembrar festivamente a data do Tratado de Zamora, que marca o início de Portugal como Reino independente? Porque não se há-de festejar, com o povo, o triunfo da República?

    A última decisão errada foi comemorar o “último” 5 de Outubro, ainda como feriado nacional, às escondidas do povo, no “Pátio da Galé”, um novo espaço nos corredores do poder, junto ao Terreiro do Paço! O 5 de Outubro e a República significam que numa democracia é o povo, previamente instruído e politizado no seu todo, que detém o poder, não aqueles em quem ele delega temporariamente esse poder.

    No último 5 de Outubro que começou com humilhação de se hastear a Bandeira Nacional às avessas, quando o povo tanto precisava de “falar” com os seus políticos, foi-lhe vedado o poder de dar opinião, de transmitir recados diretos aos seus governantes, de dizer que começa a chegar o momento de dizer basta. Basta de aumentar impostos, basta de continuar a privilegiar os poderosos, é tempo de refletir sobre a situação real que já é dramática para muitos. O povo português é o “melhor do mundo”, é verdade, mas também já é tempo de que o povo mereça dizer o mesmo dos seus políticos!

    Por: Manuel Augusto Dias

     

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