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    Arquivo: Edição de 25-07-2012

    SECÇÃO: Destaque


    XIX FEIRA DO LIVRO DO CONCELHO DE VALONGO

    VI Conferências de Ermesinde – José Régio

    Fotos MANUEL VALDREZ
    Fotos MANUEL VALDREZ
    A noite de sábado, dia 7 de julho, teve como motivo de maior interesse, a realização das VI Conferências de Ermesinde, organizadas pela associação cultural Ágorarte que, ao contrário de anos anteriores, ao invés de realizadas no interior do Fórum Cultural de Ermesinde, tiveram lugar no palco da Feira do Livro instalado no Parque Urbano de Ermesinde.

    Estiveram na mesa Carlos José Faria, presidente da Ágorarte, que abriu o evento e saudou particularmente os conferencistas Isabel Ponce de Leão, e António Ventura Pinto/Maria Manuel Pinto e, além deles o Rotary Clube de Valongo, cujo presidente se achava presente. Presente à conferência esteve também o presidente da Junta de Freguesia de Ermesinde, Luís Ramalho, que participou, no final, numa entrega de lembranças aos participantes da conferência.

    No final o poeta e diseur Aurelino Costa disse poesia de Régio.

    Isabel Ponce de Leão começou por apresentar Régio como um «ser conflituoso», no sentido em que as suas facetas abrangiam uma grande conflitualidade interna, bem patente nas questões religiosa, existencial e amorosa, seguindo na esteira de Luiz Piva, investigador brasileiro, autor de “José Régio – O Ser Conflituoso”, livro editado pelo Clube de Poesia de Brasília, em 1975.

    Recorrendo a muitos exemplos da obra escrita e aos desenhos de Régio, muito ilustrativos do seu pensamento e das suas angústias, Ponce de Leão foi apontando binómios, entre outros, como divino e demoníaco, céu e inferno, ascese e queda, para mostrar essa mesma tragicidade de Régio.

    Esta atitude conflitual irresolúvel estaria bem patente, apontou a conferencista, por exemplo no livro “Sarça Ardente”.

    A sua atitude em relação à mulher, ao ato sexual («animalesco e dececionante, repugnante...»), a repugnância por uma vida a dois, a confissão do seu (des)amor – «só a mim amo» –, tudo isto mostra a dilaceração do pensar e do sentir de Régio.

    António Ventura Pinto, o segundo conferencista da noite, pegou precisamente na questão religiosa em Régio apontando o problema de Deus como o tema central da sua obra.

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    Explicando muita da sua reação e evolução mental pela origem na burguesia católica minhota (numa família que diariamente rezava o terço), Ventura Pinto apontou uma inicial aceitação resignada de Régio do mundo que lhe foi dado viver, para passar depois a uma fase racional, arrastado pela dúvida, período mais crítico da religiosidade de Régio que, contudo, nunca chega a ser ateu, pois não entende a Humanidade sem a presença de Deus, ainda que se afaste da ritualidade católica, acusada por vezes de «grosseira religião». A religiosidade de Régio é mais voltada para o seu íntimo. Por exemplo, em “Relógio” assume a necessidade de um Tudo, para não se cair no nada nada.

    Ao valorizar o Além, Régio desvaloriza então a vida, como passagem, assumindo que é estranho a esta.

    No final, o poeta Aurelino Costa disse poemas de Régio, ancorado num fundo musical que deu mais tensão à poesia já de si procelosa do autor do “Cântico Negro”.

    Também o grupo Sabor a Teatro, da Ágorarte, mas durante a tarde, e antecedendo a Conferência, realizou uma performance artística à volta da poesia de José Régio. Performance esta que foi reposta na tarde do dia seguinte, antecedendo uma “aula aberta” de representação teatral do grupo.

    De salientar que a VI Conferência de Ermesinde foi ainda acompanhada de uma exposição sobre a vida e obra de José Régio, a qual esteve patente durante a Feira do Livro, no corredor do 1º andar do Fórum Cultural de Ermesinde.

     

     

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