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Edição de 31-07-2020
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    Arquivo: Edição de 17-07-2012

    SECÇÃO: Saúde


    NO ÂMBITO DO DIA MUNDIAL DOS AVÓS

    Estenose aórtica – doença cardíaca dos mais idosos subdiagnosticada em Portugal

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    A estenose aórtica é uma das doenças cardíacas mais comuns na terceira idade e uma das patologias mais subdiagnosticadas e subvalorizadas junto da população com mais de 75 anos. O alerta é dado pelo Grupo de Trabalho das Válvulas Aórticas Percutâneas da Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (Grupo VAP-APIC) da Sociedade Portuguesa de Cardiologia e surge no âmbito do Dia Mundial dos Avós, que se celebra no dia 26 de julho.

    Ainda de acordo com o grupo de especialistas, este subdiagnóstico está muitas vezes relacionado com o facto dos sintomas da estenose aórtica (fadiga, dificuldade em respirar e desmaios) serem confundidos com sinais naturais do avançar da idade. É por isso importante sensibilizar as famílias, em particular os familiares mais novos, para estarem atentos à saúde dos mais idosos.

    Numa altura em que os avós assumem muitas vezes um papel central na educação dos netos é essencial que a sociedade compreenda a importância de um envelhecimento saudável e que se desmistifique as principais patologias associadas a esta idade e sobretudo informe acerca dos tratamentos disponíveis que contribuem para a melhoria da qualidade de vida dos mais velhos.

    «Até há pouco tempo, a estenose aórtica grave só podia ser tratada através de um procedimento cirúrgico de peito aberto para substituição da válvula aórtica por uma prótese cirúrgica (biológica ou mecânica). Contudo, hoje em dia, já é possível devolver qualidade de vida aos mais idosos, através da técnica de implante percutâneo da válvula aórtica, um procedimento minimamente invasivo que acelera a recuperação e que permite tratar com sucesso os doentes com estenose aórtica grave, em idade avançada, que têm alto risco para cirurgia ou inoperáveis», explica Rui Campante Teles, cardiologista de intervenção e coordenador do Grupo VAP-APIC.

    «O tratamento percutâneo é uma das mais importantes inovações da cardiologia, uma vez que não sendo necessária a abertura da caixa torácica os doentes recuperam de forma célere a sua autonomia e qualidade de vida, o que ajuda a salvaguardar o papel dos avós na estrutura familiar», conclui o especialista.

    SOBRE A ESTENOSE AÓRTICA GRAVE

    A estenose aórtica é uma doença que se caracteriza pelo aperto da válvula aórtica, cuja função é evitar que o sangue bombeado pelo coração volte para trás. Quando existe este estrangulamento o sangue passa com dificuldade, provocando cansaço, dor no peito e desmaios. As melhorias produzidas pelos medicamentos são limitadas e não evitam as complicações mais graves provocadas pela exaustão cardíaca que, após os primeiros sintomas e nos apertos de alto grau, conduz à morte de metade dos doentes no primeiro ano.

    Em todo o Mundo, mais de 300 mil pessoas sofrem de estenose aórtica grave e, em Portugal, estima-se que esta patologia possa afetar cerca de 20000 pessoas.

    O implante percutâneo da válvula aórtica permite a substituição não-cirúrgica da válvula aórtica em doentes com um risco muito elevado para a cirurgia de coração aberto.

     

     

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