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Edição de 31-07-2020
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    Arquivo: Edição de 08-06-2012

    SECÇÃO: Destaque


    CÂMARA MUNICIPAL DE VALONGO

    Ciclo Fernando Melo chegou oficialmente ao fim

    Perante um salão nobre dos Paços do Concelho repleto de funcionários da autarquia – vislumbrando-se entre estes os rostos de alguns munícipes habituais frequentadores das sessões públicas camarárias – Fernando Melo renunciou, no passado dia 31 de maio, de forma oficial, ao seu mandato de presidente da Câmara Municipal de Valongo (CMV). Na hora do adeus o edil fez uma retrospetiva das quase duas décadas em que esteve à frente dos destinos do concelho, sublinhando – com factos – a noção de ter contribuído para o crescimento deste e para a melhoria da qualidade de vida da sua população. Divergências políticas à parte Melo recebeu da oposição votos de felicidades e agradecimentos pela disponibilidade com que serviu o concelho ao longo dos últimos 18 anos, e até alguns elogios pela maneira democrática e aberta como se relacionou com essa mesma oposição. Sentidos agradecimentos e rasgados elogios foram proferidos – naturalmente – pelos elementos do executivo social-democrata que trabalharam de perto com Fernando Melo ao longo do atual mandato, com particularidade para Maria Trindade Vale e João Paulo Baltazar – autarca que enalteceria as qualidades humanas e de liderança de Fernando Melo, a quem se referiu como o professor por quem teve o privilégio de ser liderado ao longo destes últimos dois anos e meio.

    Fotos MANUEL VALDREZ
    Fotos MANUEL VALDREZ
    Tendo como único ponto na Ordem de Trabalhos o pedido de renúncia de mandato do presidente da autarquia, a sessão de 31 de maio quase pode ser encarada como uma espécie de cerimónia oficial de despedida de Fernando Melo do cargo que ocupou ao longo de quase duas décadas. Com muito mais gente do que é habitual, o salão nobre dos Paços do Concelho ouviu as últimas palavras de Melo na qualidade de presidente da CMV. O edil começou por sublinhar a paixão e determinação com que exerceu o cargo ao longo dos últimos 18 anos, acrescentando que sai agora com a convicção de ter contribuído para o crescimento do concelho e para a significativa melhoria da qualidade de vida da sua população. Sustentando esta sua convicção com factos (dando os seguintes exemplos: hoje em dia a água não falta em Ermesinde, a Serra de Santa Justa é um património natural valorizado, foram construídos diversos parques e jardins, melhorou-se o acesso à cultura – de que é exemplo a biblioteca municipal –, e ao desporto – que se faz em todas as freguesias, e as crianças do concelho frequentam escolas condignas e habilitadas para uma melhor aprendizagem). Melo acrescentaria que Valongo é hoje um concelho cuja melhoria do património é evidente. Recordando que no atual mandato delegou mais e maiores responsabilidades aos seus colaboradores diretos, Fernando Melo confessou, por assim dizer, que havia deixado de reunir as condições físicas necessárias para o exercício eficaz das funções que desempenhava a tempo inteiro, funções, em seu entender, absorventes, e desgastantes. As suas últimas palavras seriam pois de agradecimento a todos os que o acompanharam ao longo deste seu percurso, desde os vereadores, passando pelos membros da Assembleia Municipal de Valongo, presidentes das juntas de freguesia, membros das assembleias de freguesia, trabalhadores da Câmara, estruturas da Administração Central sedeadas em Valongo, à sociedade civil valonguense, e ainda aos munícipes do concelho, a quem deixou uma palavra de profundo agradecimento pela confiança nele depositada ao longo destas quase duas décadas.

    AS DECLARAÇÕES DA OPOSIÇÃO…

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    A renúncia de mandato por parte de Fernando Melo a cerca de um ano e meio das próximas eleições autárquicas provocou naturalmente uma análise por parte dos membros da oposição do executivo camarário. Uma análise de certa forma compreensiva com as razões evocadas pelo presidente da Câmara, mas que mesmo assim não deixou de lado as críticas quanto ao trabalho por este realizado nos últimos anos. Para o Partido Socialista (PS), na voz de Afonso Lobão, o concelho tem hoje uma comunidade que sofre com os tempos atuais. É o desemprego que afeta as famílias, e a consequente diminuição dos rendimentos das pessoas, são os apoios no âmbito da proteção social e da saúde a serem reduzidos, etc. Perante este quadro o PS não tem dúvidas de que a qualidade de vida dos munícipes está a diminuir. E é precisamente olhando para este quadro que analisam a saída de Fernando Melo, compreendendo, e respeitando, contudo, as razões que o levaram a tomar aquela decisão nesta altura. Evocando um espírito humanista, os socialistas dizem saber separar a apreciação pessoal da apreciação política que o gesto de renúncia merece. «A história se encarregará de fazer a apreciação dos seus mandatos. O positivo e o muito de negativo que aconteceu ao longo dos vários mandatos. Em nome da nobreza que deve existir na política, cumprimentamo-lo pela disponibilidade para servir o concelho e as populações e desejamos as maiores felicidades», remataram os socialistas.

    A Coragem de Mudar saudou também a decisão de Melo, considerando-a no entanto… tardia, atendendo ao prolongado estado agonizante da gestão municipal. E perante isto os vereadores independentes propuseram-se a fazer um breve balanço do desempenho de Fernando Melo ao longo do atual mandato. Um balanço assente em dois níveis, conforme Maria José Azevedo referiu. «O primeiro, o nível político, em relação a cujo desempenho sempre estivemos, genericamente, em desacordo. Foi por essa razão, aliás, que encabeçámos uma lista independente, nas últimas eleições. Tal desacordo prende-se com o desempenho de Vossa Excelência, sobretudo no último mandato, desempenho que teve inegáveis consequências no atual, e que se repercutirá no futuro, tal como manifestámos, sempre que tal se revelou necessário e oportuno.

    Não podemos deixar de assinalar, no entanto, que ao longo destes 18 anos houve, também, momentos positivos.

    Queremos, ainda, realçar que Vossa Excelência neste mandato, primou a sua atuação política por uma maior abertura e relacionamento mais democrático com as oposições, que o facto de neste mandato o partido que representa estar em minoria, não deslustra», sublinharam os independentes pouco antes de agradecer a forma gentil e atenta com que Melo sempre os distinguiu, desejando-lhe em seguida votos de felicidade na sua vida pessoal.

    … E DOS COMPANHEIROS DE VEREAÇÃO

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    E se a oposição não perdeu a oportunidade de lembrar direta ou indiretamente a responsabilidade de Fernando Melo no atual estado do concelho, os seus companheiros de executivo optaram por enaltecer a sua passagem pela CMV. Maria Trindade Vale fez uso da história para lembrar o momento em que há vários anos atrás travou conhecimento com Fernando Melo. Desde logo lhe reconheceu a garra e a vontade de mudar o Mundo, e atribuiu-lhe o mérito da obra que fez em Valongo, que faz com que o seu nome fique ligado ao concelho para sempre.

    Por sua vez, Arnaldo Soares diria que apesar das recentes divergências mantidas com o presidente que ali fazia a sua despedida, reconheceu que ao longo dos 18 anos em que este esteve à frente da CMV muito havia sido feito. Em seu entender o concelho sofreu profundas alterações pela mão de Melo, desde a cultura, desporto, entre outras áreas, e foi pois na qualidade de munícipe que agradeceu o empenho que este teve ao longo da sua passagem por Valongo.

    Por fim, João Paulo Baltazar, o sucessor de Melo na cadeira da presidência, um lugar de que o até agora vicepresidente da Câmara não esconde o desejo nem a honra – como frisou – de ocupar, um lugar que no entanto não esperava ocupar nas circunstâncias em que agora o faz. Seguidamente confessou perante a sala ter sido uma honra ser liderado por Fernando Melo, «uma pessoa com claras competências, mas, acima de tudo, com qualidades humanas e de liderança exercidas sempre de uma forma ponderada e com uma preocupação especial para com as pessoas enquanto indivíduos. Aprendi muito no que a relações humanas diz respeito durante estes dois anos e meio, e foi um privilégio ter um professor como o Dr. Fernando Melo. Obrigado por tudo o que deu ao Concelho de Valongo. O senhor tem um lugar de honra na história do nosso concelho e será sempre recordado pela qualidade das suas decisões, mas sobretudo pelo carinho que sempre demonstrou para com as instituições e com as pessoas», salientou Baltazar.

    Usando de novo da palavra, Fernando Melo voltou a endereçar agradecimentos a todos os presentes, lembrando novamente que estava de partida, mas que levava o concelho consigo, e que jamais iria esquecer o que este lhe havia dado ao longos dos 18 anos em que esteve à sua frente.

    Por: Miguel Barros

     

     

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