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    Arquivo: Edição de 30-03-2012

    SECÇÃO: História


    Portugal na Guerra dos Sete Anos

    Há precisamente 250 anos, em pleno reinado de D. José I, Portugal estava em Guerra. O nosso país havia sido invadido, a 5 de maio de 1762, por 40 mil soldados espanhóis e franceses, no âmbito da Guerra dos Sete Anos, que foi um dos primeiros conflitos a ter algumas características mundiais, dado o número de países envolvidos e as regiões do mundo onde se registaram combates.

    MURALHA DO CASTELO DE MIRANDA DO DOURO, ONDE SE VERIFICOU O MAIOR NÚMERO DE VÍTIMAS DESTA GUERRA NO ESPAÇO PORTUGUÊS
    MURALHA DO CASTELO DE MIRANDA DO DOURO, ONDE SE VERIFICOU O MAIOR NÚMERO DE VÍTIMAS DESTA GUERRA NO ESPAÇO PORTUGUÊS
    Os principais contendores eram a Inglaterra e a França, envolvendo-se, no entanto, muitos outros países europeus, tendo-se combatido na Europa e na América, onde aqueles e outros países europeus tinham interesses coloniais. Portugal, como sempre, estava ao lado da sua velha aliada Inglaterra e, por isso, tinha contra si, a França e a Espanha, apesar do rei espanhol (Carlos III) ser irmão da rainha portuguesa, D. Mariana Vitória.

    Portugal, quando a 1 de abril de 1762, os embaixadores de França e Espanha pressionam o governo português para que entre na guerra contra a Inglaterra, prefigurando o que havia de acontecer na conjuntura napoleónica, meio século mais tarde, ameaçando mesmo com a invasão de Portugal caso o nosso país não proíba a utilização dos nosso portos pelas embarcações inglesas, recusa tal coação rejeitando definitivamente, a 25 de abril de 1762, o “Pacto de Família” (acordo, assinado no ano anterior, entre os reis da Europa, descendentes da família dos Bourbons, contra a Inglaterra) e, dez dias depois, vê-se invadido por soldados espanhóis e franceses.

    A maior parte dos nossos leitores nunca terá ouvido falar desta guerra, que ficou conhecida na nossa história por “Guerra Fantástica”, precisamente porque não houve qualquer batalha ou confronto direto entre os dois exércitos (o espanhol e francês, com cerca de 40 mil militares, comandado pelo Marquês de Sarriá; e o português e inglês com apenas metade dos efetivos, sob o comando do Conde de Lippe). Registaram-se simplesmente casos de resistência de milícias populares à invasão dos estrangeiros que se limitou a ocupar algumas cidades próximas da fronteira.

    O exército inimigo entrou pela fronteira transmontana ocupando Miranda do Douro. Aqui se registaria o pior incidente no território português, tendo provocado 400 mortos, em resultado da explosão de um paiol durante um bombardeamento o que levou à rendição da praça.

    O castelo de Miranda do Douro é de origem medieval, tendo sido totalmente reedificado no séc. XVII, na conjuntura das Guerras da Restauração, dada a sua localização na fronteira com Espanha, restando ainda alguns panos de muralha a rodear a parte histórica da cidade. O seu maior desaire na Idade Moderna foi mesmo este de 1762 quando ficou parcialmente destruído.

    Mais tarde, e na sequência da perda de Miranda do Douro, render-se-iam ao invasor, as cidades de Bragança e Chaves. O exército franco-espanhol deslocou-se depois pela Beira Interior, vindo a ocupar Almeida e Castelo Branco.

    O exército português preocupou-se, sobretudo, com a defesa de Lisboa, concentrando-se no vale do Tejo, a partir de Abrantes, onde o Conde de Lippe tentou recrutar mais homens, organizá-los, fardá-los e armá-los, enquanto Sebastião José de Carvalho e Melo (futuro Marquês de Pombal), tentava obter o apoio britânico com o envio de tropas para Portugal, o que veio a suceder.

    Contudo, antes de qualquer encontro frente-a-frente a Guerra era declarada por finda, em novembro de 1762, tendo, no entanto, servido para que o Conde de Oeiras (futuro Marquês de Pombal) tomasse consciência da ineficácia e desorganização do exército português. Por isso, encarregou o Conde de Lippe, como General do Exército Português para se encarregar da reorganização do Exército Português, o que fez nos anos seguintes.

    Antes da Guerra aqui ter terminado, abria-se outra frente de hostilidades entre Portugal e Espanha, a 5 de outubro de 1762, na América do Sul, mais concretamente, na colónia portuguesa do Sacramento, no estuário do Rio da Prata, que foi invadida e ocupada pelo exército espanhol estacionado em Buenos Aires.

    Felizmente, a 3 de novembro de 1762, em Fontainebleau é assinada a paz provisória entre Portugal, Inglaterra, França e Espanha, confirmada a 1 de Dezembro de 1762 e ratificada pelo Tratado de Paris de 10 de fevereiro de 1763, vendo-se a Espanha obrigada a restituir a Portugal as praças de Chaves e Almeida bem como a Colónia do Sacramento.

    Por: Manuel Augusto Dias

     

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