Subscrever RSS Subscrever RSS
Edição de 31-01-2020
  • Edição Actual
  • Jornal Online

    Arquivo: Edição de 10-12-2011

    SECÇÃO: Destaque


    14ª MOSTRA INTERNACIONAL DE TEATRO

    As visões do explicável (e do inexplicável) analisadas num complexo jogo de palavras

    Um mero verso pode acorrentar a si inúmeras interpretações. E então se alterarmos a ordem de uma simples palavra essas mesmas interpretações baralham-se e multiplicam-se. Ou não! Um verso pode ser inexplicável e só o seu autor saberá desvendar o seu real significado. Mas o senhor Eliot parece encarar este quebra cabeças como o seu jogo favorito e lança-se a um mar de análises a quatro pequenos versos que protagonizam a primeira parte de “CircOnferências”, a peça que subiu ao palco do Centro Cultural de Campo na noite de 2 de dezembro, no quadro da 14ª edição da Mostra Internacional de Teatro do ENTRETanto.

    Fotos MANUEL VALDREZ
    Fotos MANUEL VALDREZ
    Recorrendo a meios audiovisuais rudimentares, o Sr. Eliot promove a sua própria conferência na tentativa de analisar e explicar; sim, porque na sua voz ninguém é feliz com algo que não compreende; os versos de Joseph Brodsky, Cecília Meireles, Sylvia Plath, e Marin Sorescu. Faz perguntas e dá respostas num autêntico jogo de palavras que pretende levar a clareza à mente daqueles a quem os versos são apresentados. E enquanto o senhor Eliot, no seu ar intelectual, procura desbravar os caminhos dos versos, a sua mulher é a assistente da conferência, a cobaia se preferirem, ela dá vida aos meios audiovisuais rudimentares usados pelo conferencista, ela própria é um desses meios rudimentares, conferindo dessa forma uma pitada de humor a esta primeira parte de “CircOnferências”.

    E a segunda parte da peça é toda dela, da cobaia, da mulher, ela é a conferencista e ele é unicamente o marido, o tema da conferência dela que gira em torno da visão de dois mundos, o deles e o delas, um mundo que pode ser explicado... ou não.

    “CircOnferências” apresentou dois monólogos de uma certa complexidade interpretativa, um jogo de palavras complexo extraído a partir de dos textos das “Conferências de Sr. Eliot”, da autoria de Gonçalo M. Tavares, e de “Dicotomias”, de Hélia Correia, interpretado por dois brilhantes atores – só assim podia ser perante textos desta complexidade – que levaram à cena uma peça cujo interesse foi na verdade cozinhado em... lume brando. Sem querer colocar mais uma frase para a análise do senhor Eliot diríamos que “CircOnferências” foi: interessante, mas tenuemente massador e arduamente complexo.

    foto

    FICHA TÉCNICA:

    “CircOnferências”:

    Trigo Limpo Teatro ACERT

    Texto a partir de “As Conferências do Sr. Eliot”,

    de Gonçalo M. Tavares e “Dicotomias”, de Hélia Correia.

    Encenação: Pompeu José.

    Interpretação: Ilda Teixeira e Pompeu José.

    Assistência: Gil Rodrigues e Sandra Santos.

    Cenografia: Pompeu José e Zé Tavares.

    Desenho e luz: Luís Viegas.

    Figurinos: Ruy Malheiro.

    Sonoplastia: Cajó Viegas.

    Operação técnica: Paulo Neto.

    Serralharia: Rui Ribeiro.

    Desenho gráfico: Zé Tavares.

    Fotografias: Carlos Teles e Eduardo Araújo.

    Registo vídeo: Zito Marques.

    Por: Miguel Barros

     

     

    este espaço pode ser seu Este espaço pode ser seu Este espaço pode ser seu
    © 2005 A Voz de Ermesinde - Produzido por ardina.com, um produto da Dom Digital.
    Comentários sobre o site: webmaster@domdigital.pt.