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Edição de 31-01-2021
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    Arquivo: Edição de 30-10-2011

    SECÇÃO: Cultura


    Manuel António Pina em Ermesinde a convite do blog “Poesia & Poesia”

    O Prémio Camões 2011, Manuel António Pina, poeta, dramaturgo, jornalista, autor de literatura infanto-juvenil, esteve na passada sexta-feira, dia 28 de outubro, no restaurante do Parque Urbano de Ermesinde, como convidado especial, numa sessão – “Tomai lá Poesia” – organizada pela página do facebook “Poesia & Poesia”, animada por Manuel Valdrez, animador cultural ermesindense, fotógrafo do jornal “A Voz de Ermesinde” e vicepresidente da Associação Cultural Ágorarte.

    Fotos URSULA ZANGGER
    Fotos URSULA ZANGGER
    Na sessão estiveram também presentes, além do homenageado, o poeta Aurelino Costa e outros convidados, que disseram poesia de Manuel António Pina e outros autores, elementos do jovem grupo “Sabor a Teatro”, da Ágorarte, que interpretaram um sketch à volta da figura de Fernando Pessoa e seus heterónimos – de que adiante falaremos mais um pouco –, e o Dueto de Guitarra Portuguesa constituído por Rocha Ferreira (guitarra portuguesa) e o próprio Manuel Valdrez (guitarra clássica), que interpretaram peças de Gonçalo Paredes, iniciador de uma dinastia de grandes cultores da guitarra, pai do também famoso Artur Paredes, e avô do genial Carlos Paredes, do qual também se ouviram duas ou três peças.

    Entre os diseurs estavam Amílcar Mendes – que, de entre outros, disse textos de Pina e Wilson Azevedo Soares –, Maria de Lourdes dos Anjos e Fernanda Cardoso.

    Entre outros, de Manuel António Pina, Amílcar Mendes recorreu à literatura infanto-juvenil, para apresentar trechos de “Gigões & Anantes”, uma das primeiras obras publicadas pelo escritor, de 1974, e que, segundio o próprio poeta confidenciou à reportagem de “A Voz de Ermesinde”, embora dirigida à infância e, por isso, aparentemente menos substancial, assentava num jogo de palavras que a resgatava enquanto obra com potencial relevância.

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    Vinha isto a propósito da forma como Amílcar Mendes antes a apresentara ao admitir, ao escolhê-la modestamente, ser obra de menor substância que outras que ali seriam afloradas, textos mais densos que deixaria para outros diseurs.

    Maria de Lourdes dos Anjos faria também uma saudação ao cronista Manuel António Pina, de quem compra as crónicas e tem o JN de graça. Nas suas palavras o elogio revestiu-se também da sua habitual cota de malha da cruzada portuense e anti--capital do império. Fernanda Cardoso disse textos de gosto mais popular e pendor mais propenso às emoções.

    Quanto a Aurelino, além de ter sido o principal diseur de Manuel António Pina, retomaria um tema abordado por Maria de Lourdes da obra do Prémio Pessoa para lembrar o mesmo tema da pena de Eugénio de Andrade. E, mais tarde, a um desafio do próprio Pina, diria mesmo um poema da sua própria autoria, e que foi, a par de toda a poesia do homenageado, um dos momentos altos desta noite dedicada sobretudo à poesia.

    Com direção de atores de Diana Costa, as jovens Ana Tavares, Márcia Azevedo e Telma Lopes, do grupo “Sabor a Teatro”, da Ágorarte, traçaram, com vivacidade, as personalidades do engenheiro Álvaro de Campos, do médico Ricardo Reis e do rústico e tuberculoso Alberto Caeiro. Houve ainda momentos mais à solta, e lugar para ouvir textos de outros poetas, entre eles António Gedeão, Rosa Lobato Faria, Vasco Lima Couto, Vinícius de Moraes, Tóssan.

    VADIAGENS

    SEDENTÁRIAS

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    Manuel António Pina agradeceria toda a atenção prestada e relataria, com algum humor como, em consequência das obras nas ruas de Ermesinde, tinha dado por si, depois de alguma atrapalhação, sem querer, de novo a caminho do Porto quando se dirigia para a sessão, pedindo, por isso, desculpas pelo atraso.

    Depois, ainda com o mesmo espírito, comentou como os poemas dele, lidos na voz doutras pessoas, até lhe tinham parecido bons.

    E, em jeito de agradecimento aos organizadores desta sessão, brindou os presentes com um original inédito, para o qual pediu desculpa se num ou noutro verso pudesse haver alguma imprecisão de memória.

    Relatou os seus esforços para a glicínia do poema (que é também a do seu jardim) não fosse uma espécie de aberração botânica, já que ao contrário do comum, parece florir duas vezes por ano, mas se conformasse com os standards esperados da espécie, evitando a estranheza dos leitores mais ilustrados em matéria de glicínias.

    Falou das circunstâncias em que títulos como “Como se Desenha uma Casa” podem passar simplesmente a “Casa”, na reinterpretação de um editor. Casa que, para Manuel António Pina, é simultaneamente um símbolo maternal, mas também um lugar opressivo.

    E contou do seu quase desprazer em viajar, feliz dos regressos a casa, o que, aliás testemunhou em texto para uma revista de viagens, levando o seu editor a comentar gostosamente que assim ainda lhe estragava o negócio!

    E por fim, agradeceu também a riqueza do texto de Aurelino.

    No final houve ainda um espaço para o agradecimento a todos os que com a sua intervenção tinham feito ali florir a poesia.

    E já depois do final, em conversas meio vadias, o Prémio Pessoa saltaria ainda por cima de alguns muros como a Filosofia, a Física Quântica, a Teoria das Cordas, Deus e singularidade, justiças e mercantilizações, livros e bichos... e pessoas, pessoas, pessoas...

    Por: LC

     

     

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