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    Arquivo: Edição de 30-09-2011

    SECÇÃO: Crónicas


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    Todas as empresas deviam ter um speaker

    Uma das coisas que a vida me tem provado é que não precisamos efetivamente de ter dinheiro para ter amigos e da lista de tudo o que tenho conseguido com um orçamento disponível muito reduzido foi o facto de, pela primeira vez, ter entrado há pouco tempo num estádio de futebol e que só foi possível pelo privilégio de poder contar com a mão invisível da amizade.

    Era realmente a primeira vez que o fazia e então não queria perder nada do espetáculo a que ia assistir e que, para mim e pela minha curiosidade em aprender, começava muito antes do jogo: a chegada das pessoas, o entusiasmo que transportavam, a festa e todo o colorido de que se revestia.

    Certo é que uma hora antes do jogo começar lá estava eu sentadinha num estádio ainda muito vazio e que me dava a sensação de estar “tudo por minha conta” até ao momento em que lentamente se foi enchendo de pessoas, alegria e cor enquanto eu saboreava um balde de pipocas.

    Quem me facultou esta conquista dizia-me posteriormente que me imaginava lá a extravasar o meu clubismo e eu disse-lhe que não, porque de facto eu estava a tentar registar e absorver tudo o que me rodeava, percebendo como reagiam as pessoas num jogo ao vivo a que eu me fui entregando pouco a pouco, e como estava sozinha a assistir a este espetáculo de futebol que em nada se compara a vê-lo na televisão uma das pessoas que me foi orientando em relação à distribuição de jogo foi o speaker

    Lentamente fui-me dando conta da importância do speaker na movimentação das “massas”, e ele com arte e perícia orientava um estádio inteiro na motivação necessária para a força que os adeptos incrementavam nos jogadores.

    Num jogo que poderia ser igual a tantos outros, este particularmente foi rico em golos: três para cada lado e eu lembro-me que quando se deu o golo do empate o estádio ficou em “suspenso” e eu, que também estava frustradíssima, fiquei atenta para ver de que forma a motivação não caía por terra e, de repente, lá surgiu a voz do speaker que fez um trabalho tão bem feito que numa fração de segundos, os adeptos que enchiam aquele estádio se esqueciam do tal empate e reagiam voltando a sentir acesa a chama que os fazia estar lá.

    Arte e engenho mas também trabalho de equipa, sintonia, porque tudo isto favorecia o treinador, fazendo distrair as atenções dos adeptos e isso ajudava a que se concentrasse na estratégia de jogo.

    Era um jogo de final de campeonato e tive a sorte de, como adepta e pelo acto de ter entrado pela primeira vez num estádio de futebol ter assistido também à apoteose da festa da consagração.

    Quando fiz as ponderações a que me habituei como exercício de reflexão, dei por mim a pensar que as empresas deveriam ter um speaker, um auxiliador, uma pessoa que ajudasse a direcionar os colaboradores para os objetivos da organização.

    Aquele “empurra para a frente” faz falta a todos nós, pessoas, que não passando de seres humanos é legitimo reconhecer todos termos dias menos bons, frustrações que muitas vezes se prendem com o trabalho, com a forma como comunicam connosco e também muitas vezes com fases menos boas da nossa vida.

    Lógico que, como qualquer colaborador que trabalha por objetivos, o speaker tinha que mostrar resultados e que, produzindo-os com níveis de eficiência igualmente altos tinha uma forma de ser avaliado pela sua competência: a ausência de assobios, e que neste caso seriam à chefia ou ao treinador da equipa quer fossem Mourinhos, Paciências, Jesus, Villas Boas, etc..

    Devíamos interiorizar que eles, numa distribuição de jogo o mais próximo possível da perfeição, colocando os jogadores certos, nos lugares certos e mais ajustados ao seu perfil, usam o rigor, a disciplina mas também e fundamentalmente a motivação porque mesmo eles sabem que do resultado da equipa depende o sucesso do clube e, a falharem, passam rapidamente de bons a “bestas”, pois se há coisa que o ser humano também tem é a memória muito curta.

    Contudo, o speaker tem limitações e ainda será muito útil no caso de, num ou outro empate, algumas vezes numa ou outra derrota, mas nem sempre poderá impedir a cobrança que todos fazemos a resultados que todos queremos ver para o nosso clube ou para a nossa empresa: a vitória do coletivo!

    A única diferença é quem paga as favas pela falta de resultados – num clube de futebol normalmente é o treinador e numa organização ou empresa será toda a equipa porque também devemos ter sempre em conta que, se para a sobrevivência do grupo tiver que ser dispensado o outro, o colega de trabalho, hoje é ele e amanhã seremos nós, porque tal com diz o povo, “não te rias do teu vizinho porque o mal lá te vem pelo caminho”.

    Por: Glória Leitão

     

     

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