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    Arquivo: Edição de 30-05-2011

    SECÇÃO: Crónicas


    Charles Chaplin, “O Lago dos Cisnes” e a tecnologia

    Das inúmeras traduções que li sobre o “último discurso” de Charlie Chaplin, extraída do seu primeiro filme falado, “O Grande Ditador”, escolhi a seguinte citação curta:

    «Não sois máquina! Homens é que sois! Lutai pela liberdade! Sendo homens, tendes o poder até de criar máquinas. O poder de criar felicidade e fazer da vida uma aventura maravilhosa».

    E foi isso que aconteceu ao longo dos tempos, a tecnologia avançou de tal forma que por vezes não dá tempo para reagir. Quando pensamos que estamos a comprar uma máquina, um carro, um computador, um telemóvel, tentamos esperar sempre pelo último modelo que, sabemos, se torna obsoleto logo a seguir.

    Sem nos darmos conta cada vez somos mais dependentes das máquinas que criamos e se as concebemos com o intuito de exercer o controlo sobre elas, passamos a ser nós controlados.

    Somos curiosos e andamos sempre a “inventar”. Fazemos bem, pois isso exercita-nos e leva-nos a aumentar o conhecimento. Foi a nossa ambição que nos levou a passar do fogo para a roda, da roda para a roda dentada, para a máquina a vapor, para a eletricidade, para a computação, para a robótica.

    Agora já temos robots que constroem robots. O mundo já faz acordos para controlo das ogivas nucleares e, certamente que hoje, a bomba atómica que atingiu Hiroshima seria de uma maior eficácia no seu objetivo e possivelmente com um tamanho muito reduzido e com menos peso.

    Numa viagem que fiz com um dos meus irmãos, a minha perícia como “pendura” a ler mapas foi substituída pelo GPS, considerado mais fiável.

    Há algum tempo atrás assistia a uma notícia onde era apresentado um novo modelo de telemóvel: continha um chip que permite aumentar o controlo a nível de localização, e isso incluía a porta de casa.

    Eureka… só faltava mais esta já que, no outro dia, ouvia uma pessoa dizer que tinha que filmar o local onde estava para fundamentar uma justificação que lhe estavam a pedir do outro lado da linha. Privacidade, onde estás?

    Agora, com a necessidade de otimizarmos o tempo, já não precisamos de caminhar tanto, pois nem tempo temos para apreciar a paisagem, rentabilizamos o nosso tempo de tal forma que nos há de dar para acumular mais tarefas de tal forma que encurtamos o… tempo.

    Para desanuviar fui ao You Tube e ouvi a música de “O Lago dos Cisnes”, que faz o encerramento do filme “Billy Elliot” e percebi que podia consultar pequenos trechos, graças à evolução da tecnologia. Assim visionei no tempo as cenas que considerei importantes neste filme, que considero de rutura e que retrata de forma terna e sensível a vida de uma família humilde, situada nos anos 80, e numa localidade inglesa onde era predominante a profissão de mineiro, e o desporto de eleição era o boxe, cujo ringue estava localizado num pavilhão que era partilhado com uma professora que ensinava ballet a meninas.

    Billy Elliot, nos treinos de boxe, começa a sentir atração pelo ballet, que começa a praticar às escondidas da família e dos amigos, pela incompreensão e preconceito que esta opção ia gerar no meio da cultura onde estava integrado, com exceção do seu melhor amigo, que partilha consigo a sua tendência para a homossexualidade, facto com o qual ele aprende a lidar, instalando-se entre estes dois amigos o respeito pelas diferenças.

    Neste filme é possível ver a força dos sindicatos na orientação dos trabalhadores para as conquistas de melhores condições de trabalho, e o espírito de camaradagem que é possível ver-se quando, finalmente a família aceita a opção de Billy e se quotizam todos contribuindo com o dinheiro necessário para que este possa ir a uma audição numa escola de ballet.

    Eu sei que podia “sacar” este filme na net, o que seria impensável há uns anos e dei por mim a pensar que efetivamente são importantes as evoluções tecnológicas!, mas onde para a magia de ir ao cinema e comer o meu balde de pipocas? Eu sei que agora até já temos pipocas que são feitas no microondas mas tenho a certeza que não têm o mesmo sabor.

    Acho que em 1940, quando produziu filme, Charles Chaplin tinha razão; contudo, atualmente não pensamos como homens, mas agimos como máquinas.

    Praticamente não temos tempo para ser felizes ou então não temos tempo para pensar como somos felizes com as nossas pequenas ou grandes conquistas, que efetivamente nem nos damos conta de como, por vezes, são aventuras maravilhosas!

    Por: Glória Leitão

     

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