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Edição de 31-07-2020
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    Arquivo: Edição de 15-04-2011

    SECÇÃO: Destaque


    MOSTRA DE TEATRO AMADOR

    A terceira “Invasão”

    Foto URSULA ZANGGER
    Foto URSULA ZANGGER
    Não haveria melhor maneira de finalizar a edição deste ano da Mostra de Teatro Amador, mesmo se, por razões alheias à organização, em vez da anunciada “Sexo em Paz” foi levada à cena, mais uma vez a peça de Júnior Sampaio “A Invasão”.

    Mas ainda bem!

    Na segunda versão, portátil, da peça, levada à última Mostra Internacional de Teatro (MIT), tínhamos lembrado a primeira versão da seguinte maneira (“AVE”, 30 Novembro): «Quando, em 2009, esta peça foi mostrada ao público escrevemos (“AVE”, 30 Abril):

    «(...) Tomando por tema as Invasões Francesas de há precisamente 200 anos – [“Invasão”] exprime bem essa volúpia de fazer teatro (...) de uma forma a um tempo rigorosa e apaixonada, engenhosa e altamente insidiosa, na construção do gosto (lenta lentamente) do público do município, e na reposição de uma verdade além da conveniência dos poderes estabelecidos.

    É certo que esta peça assenta muito no texto do dramaturgo – que conta a estória de um professor de História próximo da jubilação – e cuja fidelidade aos acontecimentos do passado lhe exige mostrar aos seus alunos não apenas um Napoleão arrogante (isso aqui e fácil), mas também um D. João VI acobardado, uma D. Maria I néscia e beata, além de outras personagens que representam muito bem o estado das relações das pessoas entre si e destas com o planeta (como são o Índio Comelambe, o Feijão Escurinho, ou o Piolho de Cabeça Real)» e por aí fora (ver http://www.avozdeermesinde.com/noticia.asp?idEdicao=164&id=5396&idSeccao=1603&Action=noticia).

    O que Júnior Sampaio agora fez foi tornar o espectáculo mais portátil e “fácil”. Mas com um preço, para nós, elevado, é que lhe retirou alguma acutilância, e se acomodou de forma mais conveniente a um certo gosto “patriótico” que antes até se podia sentir ofendido!...».

    Pois bem! Nesta terceira versão, que conserva em absoluto a portabilidade do espectáculo, nada temos a apontar à sua verdade, que agora foi resgatada, sendo de novo rigorosamente irreverente. E mais: Júnior Sampaio inventa agora um final litúrgico, celebratório da humanidade, que é a cereja no cimo do bolo, e a combina, com sabedoria, a tudo o resto.

    Estamos aqui no melhor teatro, aquele que à escassez de recursos responde com a inventiva e a redescoberta.

    Exemplo desta inventiva é o tapete que se transforma em tricórnio de Napoleão, ou o piassaba que é, simultaneamente a pena do Índio Comelambe, a escova do Feijão Escurinho e a bigodaça e Piolho de Cabeça Real de D. Carlota Joaquina.

    O texto não está ao alcance de qualquer um, convenhamos, por, sem vergonha, vir aqui um brasileiro (Júnior) dar-nos lições de história.

    Por: LC

     

     

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