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Edição de 31-05-2019
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    Arquivo: Edição de 15-04-2011

    SECÇÃO: Desporto


    ENTREVISTA COM O MESTRE JOAQUIM FERREIRA, TREINADOR DE KICKBOXING DO PALMILHEIRA

    Clube Desportivo Palmilheira: Um caso de sucesso no kickboxing português

    Os títulos, só por si, induzem-nos à primeira vista, que estamos perante um autêntico viveiro de campeões numa modalidade que em Portugal ainda trilha caminhos de algum amadorismo. Mas mais admirável se torna se ao olharmos com mais atenção constatamos que esses títulos são a consequência de um trabalho árduo e apaixonante realizado com parcos meios e apoios nulos.

    O nosso jornal foi conhecer essa realidade, uma realidade de um clube pequeno mas com uma vontade enorme em triunfar, a realidade do Clube Desportivo Palmilheira e em particular da sua secção de kickboxing, cujas portas nos foram abertas pelo seu treinador, o mestre Joaquim Ferreira.

    Fotos MANUEL VALDREZ
    Fotos MANUEL VALDREZ
    Falar dos títulos conquistados só por si exigiria um espaço extra nesta curta entrevista mantida com Joaquim Ferreira, um apaixonado pelas artes marciais que há sete anos chegou à família do Palmilheira para tomar as rédeas da secção de kickboxing. Exigência essa resultante da enorme lista de conquistas que o clube ermesindense tem vindo a traçar no seu impressionante currículo dentro desta modalidade, uma lista que na verdade não pára de crescer e que é composta por títulos regionais, nacionais e internacionais! É verdade, o nome do Palmilheira e consequentemente da própria Cidade de Ermesinde tem sido entoado bem alto em competições além fronteiras nos tempos mais recentes. Estes são alguns dos factos que levam Joaquim Ferreira a rotular o seu trabalho no seio do Palmilehira de excepcional. «Temos uma turma excelente que tem dado muitos títulos ao clube. Só para citar alguns desses títulos posso dizer que temos medalhas de bronze em campeonatos da Europa de full-contact e de low-kick (ndr: duas variantes do kickboxing), primeiros lugares em campeonatos nacionais, etc.. Neste momento já estamos ao nível dos melhores clubes nacionais, e em termos regionais, em certos pesos e em certas disciplinas, penso mesmo que não existem atletas para combater com os do Palmilheira, pois já nos encontramos num nível muito superior», afirma o mestre de 38 anos de idade.

    Neste aspecto refere que o clube tem nos seus quadros dois atletas neo-profissionais, o nível mais elevado de uma modalidade que em Portugal ainda não possui “estatuto” de profissional. E recorda que «aqui há uns tempos atrás estive em França com um atleta meu, o Tiago Lima, que foi vencer o campeão francês no 2º assalto por KO! Já temos mais convites para ir novamente a França, e a parada desta vez vai subir um pouco mais, pois vamos fazer K1, que é aquilo que já se vê na Eurosport».

    Mas a estrela de campeões não se resume a Tiago Lima e ao seu irmão Marco Lima, dois dos atletas que têm levado o nome do clube bem longe, pois jovens como Márcia Azevedo, que no seu currículo conta já com um título de campeã nacional de full-contact, ou Joana Pinheiro, Rui Teixeira e Daniel Teixeira também têm contribuido, e muito, para o engrandecimento do kickboxing do Palmilheira. E por este andar outros certamente o farão num futuro não muito distante, pois a julgar pelo que vimos na pequena sala do Pavilhão Gimnodesportivo de Ermesinde, onde todas as segundas, quartas e sextas-feiras o grupo treina, a “torneira” dos títulos não irá tão cedo fechar, já que atletas de tenra idade começam a dar as primeiras passadas na modalidade. «Temos aqui muitos miúdos que começaram esta época, e por isso vamos dar-lhes um pouco mais de tempo para ver se eles ganham mais maturidade no desporto e ver se na próxima época pelo menos já os colocamos a combater um pouco de modo a perceber se eles dão ou não alguma coisa».

    DIFICULDADES

    NÃO IMPEDEM

    SUCESSO

    foto
    Ao todo a família do kickboxing do Palmilheira é composta por 25 elementos com idades compreendidas entre os 7 e os 45 anos anos de idade. E se mais espaço e condições existissem mais elementos fariam parte deste grupo, mas com estas limitações ao nível de infraestruturas e apoios «é difícil ter mais gente aqui», frisa Joaquim Ferreira. Dificuldades que por esta altura não atingem apenas o Palmilheira mas também todo o kickboxing português, uma modalidade que nas palavras do mestre ainda é trabalhada de uma forma um pouco amadora. E assim o é porque «as condições de treino são fracas, e os apoios financeiros são inexistentes, e na maior parte das vezes somos nós que temos de pagar do nosso bolso para podermos ir participar num campeonato nacional no sul do país. Aliás, nessas ocasiões sou eu que crio um fundo para “patrocinar” as idas lá abaixo. Como tal penso que devia haver um pouco mais de ajuda monetária. Aqui, por exemplo, e por aquilo que sei, em termos de ajuda da autarquia só nos dão a sala de treino aqui no pavilhão».

    Mas mesmo com problemas ao nível de apoios Joaquim Ferreira vai dizendo que não tem dificuldades em formar campeões. «Se tivéssemos mais apoios se calhar não tinhamos os campeões que temos pois eu vejo outros ginásios onde há muito luxo e não conseguem os mesmos resultados que nós».

    Apoio total existe sim da parte de toda a Direcção do clube, de quem Joaquim Ferreira só tem a dizer bem, acrescentando que têm sido pessoas excelentes ao longo deste tempo todo.

    Pese embora os recursos financeiros sejam praticamente nulos o kickboxing do Palmilheira tem por esta altura um sonho: fazer uma grande gala de kickboxing em Ermesinde. Um evento que aproximaria muito mais a cidade desta modalidade na voz do nosso interlocutor. «Já pensei em fazer uma gala no Parque Urbano, tem excelentes condições para tal, só que é preciso haver verbas, apoios. Estou certo de que se fizéssemos essa gala as pessoas iriam ficar com uma ideia diferente do kickboxing, iam ver que afinal não é aquele desporto violento que parece à primeira vista», rematou o mestre.

    Por: Miguel Barros

     

     

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