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Edição de 30-04-2022
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    Arquivo: Edição de 15-03-2011

    SECÇÃO: Editorial


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    Como em tudo na vida não se cria, descobre-se…

    Conheci um professor que dizia que ninguém criava nada, o que tínhamos era de saber ver, para encontrar, e transformar. Para ele só os deuses criaram, neste mundo havia tudo, o nosso papel era aprender a ver, e procurar através do conhecimento, nosso e dos outros, novas associações: sons, cheiros, palavras, conceitos, formas, elementos, materiais, objectos.

    A escola é esse lugar privilegiado por onde todos passamos e é lá que começamos a conhecer as ferramentas-base para aprendermos a ver.

    O conhecimento é a luz que nos indica o caminho, a persistência e o hábito de ver ajuda a encontrar.

    Um ensino a correr que não inclua a reflexão e a procura não nos prepara para uma vida que se quer inovadora.

    Alguém dizia que cada vez se corre mais e se faz menos, não há tempo para pensar. Num mundo de correrias e atropelos não há tempo para ver, reproduz-se cegamente o que uns gurus dizem ter inventado ou criado, que rapidamente conseguem divulgar e que ninguém se atreve a pôr em causa.

    Nunca como hoje a verdade é tão efémera, será porque somos mais a ver e a reflectir, ou porque se investe pouco na procura da verdade?

    Eu penso que o mal está em que muitos de nós acreditamos que somos donos da verdade, que as nossas soluções são incontornáveis.

    Num país como o nosso, a atravessar momentos tão difíceis, muitos dos nossos políticos continuam cegamente a achar que só existe um caminho, o deles.

    Hoje as sociedades vivem o momento que a comunicação social quer que seja vivido, amanhã já não existe, ninguém está interessado em perceber porque aconteceu, qual a sua origem, como resolver.

    Os jovens saíram à rua, com eles muitos outros, pais e avós, todos olhámos. Será que vimos?

    A maioria da classe política está muito ocupada, eu acredito... Mas pergunto:

    Para resolver os problemas do país?

    Para não perder mais uma jogada?

    Já há muito tempo que a política se tem vindo a aproximar, quer na linguagem, quer nos procedimentos das tácticas futebolísticas e é pena, muita pena, não é por acaso que a manifestação de sábado passado teve uma adesão tão expressiva, sem comandos, sem partidos, sem apoios.

    Não podemos ficar pelo olhar, é preciso ver à nossa volta, ver implica conhecer, analisar, escolher, juntar, para resolver com critério, sabedoria, justiça e inovação os problemas do nosso dia a dia.

    Uma solução pensada tem durabilidade, não se altera de um dia para o outro, as jogadas políticas, essas sim são efémeras, mudam com os ventos que sopram no momento.

    É altura de parar para pensar, de ver para resolver, esquecer os falsos “ deuses” que se julgam criadores, ninguém cria nada, importante é ver para descobrir, para encontrar e inovar.

    Se formos capazes de aprender a ver, construímos um país mais feliz.

    Por: Fernanda Lage

     

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