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    Arquivo: Edição de 30-01-2011

    SECÇÃO: Opinião


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    Eleições presidenciais

    Realizada a eleição presidenciais para o quinquénio 2011//2015, ou mais exactamente, para o período compreendido entre Março de 2011 e Março de 2016, está feita a melhor das sondagens e reeleito o candidato Prof. Doutor Aníbal António Cavaco Silva, aliás como as diversas recolhas de "intenção de voto” foram indiciando que assim viria a acontecer, embora se compreendam as declarações dos restantes candidatos quando afirmavam, e reafirmavam, que viriam a ser presidentes da República, eleitos numa segunda volta, declarações em que, se fosse possível penetrar no íntimo dos autores, certamente constataríamos nunca terem pensado que estivesse prevista a ocorrência de qualquer milagre para o passado dias 23 de Janeiro. Como aliás não houve.

    Encerradas as urnas, contados os votos, declarado o vencedor, eis que surgem os inevitáveis comentários abordando os mais diversos temas, designadamente os relacionados com a campanha e pré-campanha, com os resultados do escrutínio e com o nível da abstenção, desta vez afectado por inépcia do Ministério da Administração Interna que, como vem sendo apanágio deste Governo no desempenho das suas atribuições, não é capaz de prever os acontecimentos, intervir atempadamente para evitar o seu aparecimento e reduzir, ou eliminar, as suas consequências.

    Numa abordagem aos resultados, poderemos dizer que a eleição do Prof. Cavaco Silva à primeira volta não terá surpreendido ninguém, nem mesmo o facto de ter ganho em todos os dezoito distritos do continente e nas duas Regiões Autónomas. Cumpriu-se a tradição dos portugueses reelegerem, para um segundo mandato, o presidente que se recandidata.

    Surpresa também não terá constituído o facto do candidato Manuel Alegre ter recolhido nestas eleições menos cerca de trezentos mil votos que em 2006, bastando para tal recordar que a mesma água nunca passa duas vezes pela mesma ponte. E a experiência política de Manuel Alegre deveria ter-lhe recordado isso, antes de anunciar a sua recandidatura, agravada pela circunstância de não ter sabido, ou querido, desadesivar os dois partidos que a ela se colaram. Manuel Alegre não aprendeu com a lição que Mário Soares teve em 2006 e, como ele, criou condições para terminar a sua acção política de igual forma.

    Pelo contrário, Fernando Nobre conseguiu fazer uma campanha alheado da prática de ataques pessoais e, pelo resultado obtido, terá possibilitado aos eleitores relembrar aos futuros candidatos que a via do ataque pessoal não dá votos, sendo disso exemplo os resultados obtidos pelos candidatos que se envolveram nesse tipo campanha.

    Não perdendo muito tempo com a candidatura de Defensor de Moura, o péssimo resultado por si recolhido é o melhor e maior castigo da estratégia adoptada, resta realçar pela negativa a perda de Francisco Lopes no distrito de Beja e, pela positiva, as vitórias de José Manuel Coelho registadas na Madeira, nos concelhos de Machico, Santa Cruz e Funchal, com realce para este último, circunstância que muito terá desagradado ao “Tio João”.

    Aproveitando o espaço que me resta, deixo aqui a minha reflexão sobre o elevado nível de abstenções, enfatizando que em todos os actos eleitorais é recorrente a desculpa dos abstencionistas de que não vale a pena votar porque são sempre os mesmos e dos mesmos partidos. Ora, nesta última eleição tal argumento não colhe. Os eleitores tiveram, pelo menos, um candidato externo ao sistema partidário, a quem puderam confiar o seu voto. E, se o tivessem feito de forma mais expressiva, poderiam ter gerado dois efeitos: lembrar aos aparelhistas dos partidos que os portugueses estão cansados das suas promessas e incumprimento delas quando já têm no bolso o voto e, a outros verdadeiros independentes, a mensagem de que vale a pena submeter-se a sufrágio, porque os eleitores os privilegiarão nas suas opções. Façamos, no entanto, votos de que em próximas eleições a lição seja aprendida por todos, designadamente por Fernando Nobre, a quem recomendamos evitar voluntarismos semelhantes ao de Manuel Alegre.

    Finalmente uma referência às subvenções do Estado (impostos pagos pelos portugueses). Muitos foram os ataques à candidatura de Cavaco Silva, acusando-o de ser o maior gastador em período de contenção de despesas públicas. Ora, quando se sabe que a referida subvenção excede em cerca de 300 mil euros os efectivos gastos da campanha, percebe-se o quanto é elevado o nível das contribuições que os políticos a si próprios atribuíram para gastarem em campanhas eleitorais, algumas delas, como a última, sensaborona, sem qualquer interesse para a opção de escolha, e menos ainda para a resolução dos problemas que dramaticamente afectam a vida dos portugueses. Os ensinamentos aconselhariam duas coisas: reduzir as campanhas aos meios de comunicação social (televisão, rádio e imprensa escrita) e, concomitantemente, cortar drasticamente nas subvenções.

    Por: A. Alvaro de Sousa

     

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