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Edição de 30-04-2022
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    Arquivo: Edição de 15-01-2011

    SECÇÃO: Editorial


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    Limites do acaso...

    Quando o nevoeiro sobe do vale para as montanhas é frequente vê-lo vaguear, durante algum tempo, formando um aparente tecto que limita as montanhas do resto das povoações. É nesses momentos que procuro o limite entre o visível iluminado pela luz do sol e aquela imensidão de nuvens compactas que suspensas aos nossos pés nos fazem lembrar glaciares. No entanto a sua textura é diferente e move-se constantemente.

    Olho, e volto a olhar, procuro o seu limite, mas este está sempre a alterar-se e fico feliz, porque não há um limite rectilíneo, e penso que os limites são realmente relativos, dependendo de quem os procura …

    É nesse tempo que a vida ganha uma tal dimensão, que só as coisas mesmo importantes que se passam debaixo desse tecto nos vêm à memória.

    Aconteceu-me nestes dias uma dessas situações, e como eu gostava de ficar lá suspensa entre o céu e a terra imaginando só o que de bom se passava lá por baixo!

    Enquanto contemplava este limite aparente e movediço pensei nesta loucura em que muitos vivem, da luta para além dos limites, do querer mais e mais sem olhar a meios, e isto encontra-se em todo o lado, na política, na economia, na sociedade, na vida privada.

    Vencer a qualquer custo, nem que para isso tenha que se vestir diversas fantasias, representar várias personagens, e a maioria de nós a ver passar o Carnaval fora do tempo.

    Foto LUÍS LAGE
    Foto LUÍS LAGE
    Quanto desespero, quanta miséria, quanta loucura na busca de um limite!

    Penso que uma das crises actuais da Humanidade reside exactamente nesta loucura sem limites, neste acreditar que tudo é possível, mais e mais, o incentivo junto dos jovens através de concursos e projectos que envolvem toda uma luxúria, e uma série de prazeres mundanos insustentáveis económica e psicologicamente.

    Este é um ano que começou com um bom exemplo desta loucura, dos que tudo querem até à exaustão, para quem não há limites dentro da racionalidade, mas mais triste ainda é ver as pessoas ciosas na procura de pormenores e mesquinhices e a vida a correr ao lado cheia de dificuldades, de valores para lembrar, de nomes para não esquecer, mas não se deu conta! A própria Rádio Televisão Portuguesa andou muito preocupada com mexericos, com histórias e historinhas que por mais dolorosas, verdadeiras ou inventadas encheram a nossa comunicação social.

    Entretanto morreu Vítor Alves um militar exemplar do 25 de Abril e a notícia passou ao lado, muito discreta.

    Muitos portugueses têm a memória curta, esquecem rapidamente os bons e os maus exemplos, dá jeito a alguns, para o bem e para o mal.

    É tudo uma questão de limites, de caminhos e condutas.

    Paralelamente decorre uma campanha eleitoral para a Presidência da República.

    Quanto aos limites que o respeito pela democracia exigem esses são muitas vezes pouco visíveis nos grandes e pequenos poderes. Por mais pequenos que sejam são sempre tentadores, criam a ilusão que podem sobrepor-se a todos aqueles que julgam ser seus subordinados, mas também aí há limites, e esses dependem de quem os reconhece ou não.

    Por estas e muitas mais prefiro o limite definido pelos nevoeiros quando sobem a serra, dão-nos a liberdade de os seguir, de subir e descer conforme as circunstâncias, num grande respeito pela Natureza, desafiando-a a bailar ao sabor dos ventos.

    Por: Fernanda Lage

     

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