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Edição de 20-07-2022
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    Arquivo: Edição de 30-11-2010

    SECÇÃO: Opinião


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    Efeitos da qualidade de gestão

    a anterior edição deste jornal, é notícia a Administração do Hospital de Valongo ter anunciado, em conferência de imprensa, resultados positivos obtidos no exercício de 2010, pela actual equipa que desde do passado mês de Abril assumiu a gestão do referido estabelecimento de saúde, fazendo-o em acumulação com a Administração executiva do Hospital de S. João. É, naturalmente, uma excelente notícia para os contribuintes, o facto de uma instituição pública ser gerida por gente que sabe da “poda”, que revela brio profissional no que faz, tendo, por isso, razões para se sentir gratificada com os resultados da sua dedicação e competência, aliás já demonstrada na condução da actividade do grande Hospital de S. João, onde, também, terá sabido encontrar as melhores soluções para manter todos os profissionais imbuídos no espírito de bem servir ao menor custo económico.

    Da leitura da citada notícia extrai-se que a par da economia de custos, foram registadas evoluções positivas nos indicadores de “número de consultas, de serviços ao domicílio e do número de intervenções cirúrgicas”. Estes esclarecimentos prestados pelo presidente Dr. António Ferreira, levam-me a admitir que na estratégia adoptada terá começado por colocar em primeiro lugar os interesses dos utentes e, a partir daí, a identificar os recursos necessários (e só os necessários) para a sua concretização, doseados adequadamente como o comprovam a redução de 40% na taxa de abandono das urgências e de 35% no número de reclamações relacionadas com o funcionamento do hospital. Parabéns, pois, à nova Administração do Hospital de Valongo pelo contributo dado à redução dos desperdícios que se diz (e parece com verdade) haver nos diversos sectores do Serviço Nacional de Saúde.

    Este bom exemplo de gestão da coisa pública, ocorrido no nosso concelho de Valongo, contrasta com outros menos recomendáveis registados, também em Valongo, ao nível do ensino e da gestão autárquica onde, no primeiro, as nossas escolas estão pessimamente cotadas no último ranking de qualidade e, no segundo, as finanças da Câmara Municipal em situação tão periclitante que obrigou os operadores da situação a recorrerem a especialistas externos para medir a dimensão do “buraco” e sugerir solução para o eliminar. Mas, a avaliar pelas notícias espalhadas pela comunicação social, a terapêutica é a de sempre: contracção de mais empréstimos com dois objectivos recorrentes: mais dívida a pagar pelos contribuintes (os munícipes e os outros) e condições para continuar a gastar sempre acima dos recursos disponíveis, com especial ênfase em ano de eleições.

    Perante estes exemplos de boa e má gestão, o primeiro a seguir e os outros a abandonar, atrevo-me a deixar aqui a proposta da criação de um curso de gestão ministrado pelo Prof. Dr. António Luís Trindade de Sousa Lobo Ferreira e frequentado obrigatoriamente pelos responsáveis das nossas escolas secundárias e do município, com apuramento de aproveitamento mediante provas de aferição no final, e custos suportados pela Autarquia. Estou certo que se uns e outros se disponibilizassem para tornar realidade esta proposta, toda a população ficaria a ganhar com os seus professores e autarcas melhor preparados para o exercício das suas responsabilidades. E, professores e autarcas, devedores para quem lhes tinha proporcionado conhecimentos que ignoram, atendendo aos resultados do seu trabalho, medido pelos maus resultados evidenciados no aproveitamento dos alunos ou na gestão dos dinheiros públicos. Como este artigo não será lido pelos destinatários da proposta, os munícipes de Valongo devem preparar-se para na próxima avaliação da qualidade das nossas escolas e gestão dos dinheiros públicos pelos nossos autarcas, concluírem que tudo continua como dantes, ou pior.

    De há vários anos que me interrogo se os graves problemas de Portugal poderão ser resolvidos em democracia com os partidos que temos, dúvidas que se acentuam quando leio que António Barreto admite em entrevista ao jornal francês “Le Monde” o aparecimento de um qualquer ditador para resolver os nossos problemas, e quando o director do “Sol” escreve que «os mais letrados ainda dizem que os partidos políticos são maus, mas são um mal necessário; porém muitos outros não têm pejo em dizer que os partidos não fazem falta nenhuma e podiam perfeitamente acabar». Como não há democracia sem partidos, cada leitor conclua como quiser e, se puder, intervenha para que seja recuperada a prática da verdade, da seriedade, da ética e do sentido de serviço público nos partidos e nos políticos, para que não tenhamos de pôr em causa os partidos e desculpar Salazar por «afinal [estar] cheio de razão quando aboliu os partidos», conforme nos é lembrado no artigo do supracitado semanário.

    Por: A. Alvaro de Sousa

     

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