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Edição de 28-02-2021
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    Arquivo: Edição de 30-11-2010

    SECÇÃO: Destaque


    COMEMORAÇÃO DO DIA DA FLORESTA AUTÓCTONE

    Acção de reflorestação da serra de Santa Justa e ciclo de Conversas sobre a Floresta Portuguesa

    Simbolicamente no passado dia 23 de Novembro, em comemoração do Dia da Floresta Autóctone, a Câmara Municipal de Valongo levou a cabo uma acção de reflorestação da serra de Santa Justa, junto ao chamado Corredor Ecológico, com a participação de muitos jovens da comunidade escolar do concelho. Ao mesmo tempo, nos dias 22 e 23, a autarquia levou a cabo a organização do ciclo Conversas sobre a Floresta Portuguesa.

    Fotos URSULA ZANGGER
    Fotos URSULA ZANGGER
    A Câmara Municipal de Valongo promoveu, simbolicamente no Dia da Floresta Autóctone, uma acção de reflorestação da Serra de Santa Justa, junto do Corredor Ecológico, num terreno que foi pasto das chamas durante o último Verão.

    Com o apoio dos Sapadores Florestais, da comunidade escolar (em particular os alunos do 4º Ano do 1º Ciclo da Escola da Ilha), e de muitos cidadãos a título individual, procedeu-se à iniciativa cujo objectivo era a plantação de 700 árvores de espécies da floresta autóctone portuguesa, tais como carvalhos, sobreiros, castanheiros e medronheiros.

    «Nas diversas campanhas de reflorestação dinamizadas nos últimos três anos, a Câmara Municipal de Valongo plantou já 4 500 árvores na serra de Santa Justa», anunciou a autarquia em comunicado.

    O vice-presidente da Câmara, João Paulo Baltazar, participou também da acção de reflorestação.

    Para além desta acção realizou-se uma animação de rua sobre floresta e biodiversidade, uma exposição sobre o tema no Fórum Vallis Longus, uma oficina de germinação de sementes florestais, e, durante os dias 22 e 23, o ciclo Conversas sobre a Floresta Autóctone, com a presença de vários especialistas, que decorreu também no Fórum Vallis Longus.

    AS CONVERSAS

    O interessante programa das conversas, que foram seguidas pelo jornal “A Voz de Ermesinde”, teve início com a intervenção de Elisabete Marchante, da Universidade de Coimbra, que abordou o tema das Plantas Invasoras em Portugal, para um público escolar jovem e em parte, contrafeito.

    A investigadora fez a distinção entre espécies autóctones e invasoras, precisou a diferença ente invasoras e infestantes, referiu o impacto ecológico das plantas invasoras, por exemplo como ameaça à biodiversidade, como uniformização de ambientes e como alteração das cadeias tróficas, os impactos económicos, ainda a diminuição dos lençóis freáticos e os impactos na saúde pública.

    São exemplos de plantas invasoras em Portugal espécies como o chorão-da-praia (Carpobrotus edulis), os penachos (Cortaderia selloana), a acácia (Acacia saligna), a acácia-de-espigas (Acacia longifolia), a mimosa (Acacia dealbata), o jacinto-de água (Eichhornia crassipes). Por sua vez, os portugueses também levaram com eles plantas que se tornaram invasoras noutros habitats, caso da maia (Cytisus striatus) ou do estorno (Ammophila arenaria).

    Segundo Elisabete Marchante existirão na flora presente em Portugal cerca de 3 300 plantas nativas e 550 exóticas, das quais 40 se podem considerar invasoras.

    Seguiu-se Helena Santos, do FAPAS (Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens), que falou da iniciativa desta associação na criação de viveiros de plantas, por exemplo recolhendo bolotas na serra da Aboboreira para posteriores iniciativas de plantação de carvalhos e sobreiros.

    Por fim, neste primeiro dia, Ana Teresa Pinho, do CIBIO (Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos) da Universidade do Porto, abordou o perfil da floresta portuguesa e as tentativas de a regular.

    Entre outras coisas revelou que a actual área de floresta em Portugal está a crescer, em detrimento da área de matos, e apontou as árvores mais importantes do actual povoamento florestal português, como o pinheiro (cuja área ainda assim, está em decrescimento – passou, nos últimos anos, de 976,1 10 3 ha para 710,6 10 3 ha) , eucalipto (decresceu ligeiramente), sobreiro, azinheira, carvalhos (como o alvarinho, cerquinho e negral), pinheiro manso e castanheiro.

    A floresta é propriedade, em 2% do Estado, em 13,8% é comunitária (baldios) e em 84,2%, de grandes indústrias e outros proprietários privados.

    A investigadora falou também dos vários planos de gestão florestal, como o Plano de Povoamento Florestal de 1938 até aos actuais Planos de Gestão Florestal e os Planos Regionais de Ordenamento Florestal.

    SEGUNDO DIA

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    No dia 23, o primeiro orador foi Mário Rainha, da Autoridade Florestal Nacional, que explicou o papel desta entidade, referiu os primeiros investigadores da floresta portuguesa, explicou como foi possível a destruição quase total da floresta autóctone (por exemplo, citou uma historiadora que calcula que entre o litoral português e o Golfo da Guiné estarão naufragados no fundo do mar cerca de 10 mil embarcações e juntou a preciosa informação de que para construir uma nau da época dos Descobrimentos eram necessárias cerca de mil árvores). Isto daria bem a ideia da destruição que se operou.

    Por isso foi necessário um plano geral de arborização dos areais móveis e o já referido Plano de Povoamento Florestal de 1938. Vir-se-ia a definir também o regime de parques, reservas, zonas de pastagem, zonas de controlo da erosão e áreas de recreio.

    Depois de traçar um retrato das actuais tendências de evolução, Mário Rainha referiu as várias funcionalidades da floresta: protecção do solo, produção de madeira, conservação de habitats, silvopastorícia, caça e pesca e, finalmente, recreio e enquadramento paisagístico.

    Seguiu-se José Teixeira, investigador do CIBIO, que abordou a importância da investigação sobre a floresta, a criação de simulações, e alguns planos de sensibilização educativa, de que é exemplo o projecto Charcos com Vida.

    Andrade e Silva, major da GNR, do SEPNA (Serviços de Protecção da Natureza e do Ambiente, referiu o sucesso deste programa, seguido até noutros países, que se encarrega de zelar pela preservação de «recursos da nave espacial Terra».

    Denunciou depois os detentores do poder político e, mais em particular, os detentores do poder económico, por serem os grandes responsáveis pela destruição destes recursos.

    E prosseguindo uma surpreendente intervenção, defendeu a necessidade de regras horizontais abstractas capazes de restringir as malfeitorias causadas por aqueles. Explicou depois o que era, no seu entender, o trabalho da polícia, a manutenção da paz na comunidade, e terminou falando de um contrato intergeracional em que as gerações actuais não podiam atentar contra a sobrevivência dos vindouros.

    Destaque ainda para a comunicação apresentada pela associação de produtores florestais Forestis, que falou da importância da floresta, e dos serviços que presta para optimizar a sua gestão.

    A última conversa foi dedicada à produção de mel.

    Por: LC

     

     

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