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    Arquivo: Edição de 30-11-2010

    SECÇÃO: Destaque


    MIT – MOSTRA INTERNACIONAL DE TEATRO 2010

    Sapiens sapiens sapiens

    Foto MANUEL VALDREZ
    Foto MANUEL VALDREZ
    A Palma de Ouro de “A Voz de Ermeside” no MIT deste ano vai para “Sapiens Sapiens Sapiens”, peça apresentada no dia 26 de Novembro pela companhia espanhola Arrepentimentos de Padrón. Da autoria de Gominola de Can, dramaturgia e canções de José Dias e cenografia de Isaac Piñeiro, “Sapiens Sapiens Sapiens” foi superiormente representada por Antón Coucheiro e Borja Fernández.

    Espectáculo exemplar a todos os títulos, usa o meio da projecção video tanto para fazer contracenar outras personagens com os actores em palco, como para uma adequada introdução do tema da investigação científica e da manipulação genética. Por exemplo, no início do espectáculo vão começando a ser projectadas informações sobre a tabela dos elementos químicos, a começar pelo hidrogénio, hélio, etc., sobre os organismos vivos, dos mais simples para os mais complexos e fotografias de cientistas, até à mais recente actualidade (Stephen Hawking, por exemplo), terminando no maior de todos, o Dr. Heinz, autor de uma grande investigação científica que visa fazer o Homo sapiens sapiens dar, de uma penada, através da manipulação genética, um grande salto evolutivo em frente, para se tornar o Homo sapiens sapiens sapiens.

    A Corporación Perrins (technology corrrporation) financia o projecto e, no final do espectáculo perceb-se que é ela que, no fundo comanda a investigação e não a espécie de Dr. Frankenstein que é o Dr. Heinz, numa reviravolta, entre as muitas da parte final do espetáculo, cuja acção dinâmica é evidente.

    Um dos elementos-chave para a construção da peça (e o seu sucesso) para além da modernidade do seu enredo, é a sua engenhosa cenografia.

    A acção decorre num espaço – o laboratório de investigação –, que é demarcados por paredes nuas em azulejo branco, paredes estas que irão começar a ganhar vida com o decorrer da peça, pois são constituídas por um somatório de painéis, alguns dos quais articulados, constituindo portas e postigos (verticais e horizontais), e por onde vão entrando e saindo as personagens, ou de onde se vão retirando ou colocando diversos objectos.

    Outro dos elementos da cenografia é um poste, ou varão, no cimo do qual está pendurada uma banana que os vários hominídeos objecto da investigação tentam colher, sem sucesso, pois este poste é electrificado.

    Incapaz de resolver a melhor forma de obter a banana, a cobaia humana é mesmo cuspida várias vezes para o chão por um choque eléctrico, sendo ejectada por uma portinhola horizontal para a qual rebola.

    Até que, de forma inesperada, uma cobaia não inoculada com o ADN modificado pelo Dr. Heinz consegue resolver o problema, constituindo assim uma anomalia que deve ser eliminada, pois poria em causa todo o sentido da própria investigação.

    Durante a representação um dos dois actores em cena vai compondo várias personagens, fazendo crer até aos espectadores tratar-se de mais do que dois os actores a contracenar.

    A representação é notável, quer pela gestualidade e plasticidade do corpo, quer pela destreza revelada.

    A cobaia humana, por exemplo, desliza no poste, sem auxílio dos braços, pára onde quer, e mostra-se capaz de habilidades circenses muito apreciáveis!

    Por: LC

     

     

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