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Edição de 30-04-2022
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    Arquivo: Edição de 30-11-2010

    SECÇÃO: Editorial


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    Para onde caminha este rio?

    Neste jardim à beira-mar plantado já não vemos as flores de Outono, o Verão passou, e tudo leva a crer que já foi há muito tempo, o nevoeiro tomou conta da atmosfera e por mais que procure, não vejo as folhas das árvores, não sinto o cheiro dos frutos, ouço a água a bater nas pedras, mas não sei para onde corre o rio…

    Caminhamos sem poder escolher o caminho, andamos, andamos e voltamos ao mesmo sítio, como num labirinto sem saída.

    De vez em quando somos confrontados com alguns iluminados que afirmam conhecer caminhos que nos parecem miragens, duvidamos, mas seguimo-los e logo à frente aparecem outros, em que por vezes acreditamos, mas tudo se desfaz como uma nuvem, e voltamos a ficar sós!...

    À nossa volta nada ou por vezes tudo, todas as vozes dos que procuram emprego e não o encontram, dos que passam fome mas não o dizem…

    E mais uma vez uma voz que conhecemos, dos que lutaram ao nosso lado, que subiram, subiram, arrastados por balões de oxigénio e vagueiam muito longe e quando aparecem são ternos e meigos e tentam explicar que esta situação é passageira, que é para o bem de todos…

    «Façam de anjinhos mas não façam de nós parvos», dizia um meu amigo no seu “especiedeblog”(1).

    Como eu gosto de ouvir os políticos a falar da crise, como se esta fosse apenas da responsabilidade dos outros!

    A crise existe e todos somos responsáveis, uns mais do que outros, mas não posso deixar de apontar o dedo àqueles que pregaram o paraíso e nos conduziram a um inferno.

    Também não acredito que não seja possível sair deste labirinto, há sempre uma saída, o importante é encontrá-la com sabedoria e prudência.

    Não podemos baixar as mãos, temos que encontrar o rio e seguir as suas águas, o correr das águas indica-nos sempre para onde vamos desaguar, não podemos iludir-nos com regatos artificiais que não nos conduzem a lado nenhum.

    Não podemos perder mais tempo, temos que mudar de vida, é fundamental encontrar formas de criar emprego, de ser mais rigoroso com os nossos gestores, de lhes exigir uma maior transparência, diminuir o fosso salarial existente entre os diferentes níveis sociais.

    Mas acima de tudo deixem de mentir!

    No entanto a verdade é cada vez mais relativa e menos verdadeira, penso que para muitas pessoas se esgotou a paciência, é preciso passar à acção antes que outros o façam por nós em condições muito pouco aceitáveis e pouco democráticas.

    Deixemos de viver à rico, olhemos para aqueles que nada ou pouco contribuíram para a crise, e foram os primeiros a serem atingidos.

    As crises são em muitos casos momentos de crescimento para alguns, por vezes a necessidade é motora de criatividade, mas em muitos casos é também um caminho aberto e propício para o aumento da corrupção.

    De tudo isto uma lição podemos tirar: ninguém é dono da verdade e todos nós somos muito influenciados por um bom discurso, uma boa comunicação, mas nem sempre o discurso é verdadeiro. É bom que nos ouçam, porque não somos todos burros e por vezes os iluminados também se enganam.

    (1) Renato Roque, Uma espécie de blog a partir da fotografia (http://www.renatoroque.com/umaespeciedeblog).

    Por: Fernanda Lage

     

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