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Edição de 30-04-2022
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    Arquivo: Edição de 10-10-2010

    SECÇÃO: Editorial


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    Previa-se mas evitava-se falar dela, como quem não quer ter pesadelos...

    … Mas o pesadelo está aí e, por muito estranho que pareça, saiu na rifa ao Partido Socialista ter que legislar o corte nos salários dos funcionários públicos.

    No início são números, depois são casos, coisas que acontecem aos outros, agora os números passaram a ter nome, são nossos vizinhos, conhecidos, amigos e até familiares.

    A crise está aí, muito mais dura do que alguém imaginou, neste momento tentamos dar resposta a Bruxelas, são questões de números, soma--se e subtrai-se até acertar as contas, só que as contas nunca mais batem certo…

    Como dizia aqui há dias o doutor Mário Soares: «Em Portugal, finalmente, toda a gente fala da crise e começa a sentir-se atemorizada (…). Embora ninguém se disponha ainda a mudar de estilo de vida, mesmo que os proveitos sejam mais escassos».

    Penso que muitos já mudaram de vida, porque a vida assim os obrigou, os desempregados em idades críticas que muito dificilmente vão arranjar novos empregos, com filhos a estudar, sentem-se perdidos, conheço alguns…

    Não chega argumentar que a crise não é só portuguesa, todos sabemos que o mundo globalizado está em constante mutação económica, financeira, social, climática e que os pequenos países já não são capazes de enfrentar sozinhos todos os novos desafios que já não conhecem fronteiras, mas Portugal está integrado na União Europeia, que tem que se organizar de modo a responder às preocupações de todos os cidadãos que a integram.

    Porém é sabido que nem sempre as práticas estão de acordo com os princípios e já se fala na integração europeia a várias velocidades, neste momento parece que cada um tenta safar-se de qualquer forma e os pequenos que se amanhem.

    Perdida a nossa autonomia financeira resta-nos gerir da melhor forma a pouca liberdade que nos resta e acordar desta indolência a que nos habituámos, sempre a acreditar que alguém resolve os nossos problemas.

    A nossa situação é dramática porque estamos entre a espada e a parede, Bruxelas dita, exige, e nós ou fazemos o que nos é exigido ou corremos o risco de sair do euro.

    A questão de fundo está na forma como dar resposta a essas exigências, porque a União Europeia não é apenas económica, ela é política e social.

    Duma maneira geral todos os países gastaram acima das suas possibilidades e confiaram demasiado no chamado dinheiro fácil. Portugal não foi excepção e vivemos à rico, quando realmente não somos, antes tudo eram facilidades e o próprio Estado não foi capaz de controlar a dívida externa. O País assistiu, nos últimos tempos, à maior das assimetrias em termos de vencimentos. Estes desequilíbrios são geradores de conflitos sociais, de marginalidade, de desigualdades entre parceiros que geram ódios e frustrações, que destroem o que de melhor há no ser humano, a amizade, a solidariedade, a fraternidade, a paz, o respeito por todos.

    Neste Ano Europeu de Combate à Pobreza e Exclusão Social é preciso estar atentos ao que nos rodeia, percebermos se as pessoas têm ou não uma vida com um mínimo de dignidade, porque a paz dos que nos rodeiam é a nossa paz.

    Por: Fernanda Lage

     

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