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Edição de 31-01-2021
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    Arquivo: Edição de 30-07-2010

    SECÇÃO: Destaque


    XVII FEIRA DO LIVRO DO CONCELHO DE VALONGO

    Os autores apresentam-se... e conversam

    Os últimos dias da Feira do Livro do Concelho de Valongo trouxeram ainda uma série de eventos a merecer algum destaque nas nossas páginas. Destes eventos, e à parte o que foi promovido por “A Voz de Ermesinde” (página seguinte), destacaríamos a apresentação do livro de Eduardo Valdrez “Na Direcção do Olhar”, editado pela Lugar da Palavra, na noite do dia 9 de Julho, de “Heróis à Moda do Porto”, de João Carlos Brito, da mesma editora, de que aliás o autor é responsável, e que se revelou como um grande sucesso editorial, na noite do dia seguinte, e ainda a apresentação do livro “A Nuvenzinha Cor de Farinha”, de Lurdes Breda (evento que não tinha sido previamente anunciado), na tarde do dia 10, e o 1º Encontro de Jovens Autores do Concelho de Valongo, na tarde do dia 11, último dia da Feira do Livro.

    Fotos URSULA ZANGGER
    Fotos URSULA ZANGGER
    Apresentado por Aurélio Mesquita, artista gráfico, e aliás autor da capa e layout do livro, e pelo seu editor João Carlos Brito, Eduardo Valdrez apresentou na Feira o seu primeiro livro, “Na Direcção do Olhar”. O editor destacou a maturidade da sua poesia e Eduardo Valdrez agradeceu a presença de colegas e amigos. Seguiu-se a leitua de alguns poemas, por Aurélio Mesquita, nos quais ficou patente uma poesia lírica, mas também e com muita acuidade uma poesia que questiona o lugar da humanidade que partilhamos.

    Na sua poesia destacamos os poemas mais ácidos e curtos, autênticas flechas.

    A obra reúne poemas dispersos, resultado de muitos anos de escrita.

    O LUGAR

    DA INFÂNCIA

    No dia seguinte, o nosso destaque vai para Lurdes Breda, autora de livros para a infância e juventude, que apresentou na Feira “A Nuvenzinha Cor de Farinha”, numa iniciativa do stand da Brinquedoteca.

    O livro, ilustrado por Carla Figueiredo pretende ensinar o ciclo da água.

    A autora, que reside em Montemor-o-Velho, tem já publicados vários livros para crianças, entre eles “O Duende Barnabé e as Cores Mágicas”, “O Abade João”, “O Piolho Zarolho e o Arco-Íris da Amizade”, todos eles com grandes preocupações pedagógicas e ilustrados por diferentes autores.

    Assim, o prmeiro que referimos pretende ensinar as cores primárias e secundárias e colaboraram nele as ilustradoras Joana Rita e Lina Carregã, esta última também professora de música.

    Quanto ao Abade João, trata-se da adaptação de uma lenda oriunda de Montemor-o-Velho, conta com ilustrações de André Caetano e contém um CD, estando a componente musical a cargo de Jorge Brito. Finalmente “O Piolho Zarolho...”, escrito por uma metodologia de escrita com símbolos (a partir de um programa informático que introduz o texto com pictogramas), «é um livro feito por pessoas especiais a pensar em pessoas especiais», desenvolvido em colaboração com alguns técnicos da APPACDM (Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental).

    Lurdes Breda, além de voluntária da APPACDM, está ligada a actividades para a inclusão de pessoas com deficiência mental e física (o caso dela mesma), fez a sua formação na área das Línguas e Literaturas Modernas e é ainda autora, premiada internacionalmente, de livros de poesia e conto. Publicou “O Monstruoso Falcão de Jalne” (ficção), “Asas de Vento e Sal” (poesia), “Rosa dos Ventos” (poesia, conto e crónicas).

    O FALAR

    DO PORTO

    Na noite seguinte, João Carlos Brito voltou às luzes da ribalta, quando se apresentou o seu livro “Heróis à Moda do Porto”, uma obra que pretende resgatar o vocabulário e pronúncia riquíssimos do povo tripeiro.

    O sucesso comercial do livro fala por si, pois não havia sido publicado até à data nenhum livro como este sobre o Portoguês.

    1º ENCONTRO

    DE JOVENS

    AUTORES

    DO CONCELHO

    foto
    Na tarde do último dia da Feira do Livro realizou-se o 1º Encontro de Jovens Autores do Concelho, tendo a Biblioteca Municipal editado uma brochura com a apresentação das jovens autoras convidadas a participar nessa conversa – Diana Miriam Dias, Joana Silva, Marta Baptista, Patrícia Lino, Rita Coelho –, brochura essa que incluía alguns poemas das jovens autoras em causa, todas naturais ou residentes no concelho de Valongo.

    Para dirigir a conversa com estas foi convidada Eugénia Martins,docente em Ermesinde e autora de livros para a infância (“As Aventuras do Dragão Napoleão”), que começou por fazer uma breve apresentação das autoras e, por sua vez, ler um texto de cada uma delas.

    Na sua apresentação, Eugénia Martins leu ainda poemas de Maiakowski e Bertolt Brecht, e questionou as jovens sobre a a questão do comprometimento da poesia destas com o mundo que habitamos, questão que, ao que nos pareceu, não foi inteiramente entendida.

    Na conversa, sobre a importância da escrita na vida das autoras, sobre o papel da escrita como catarse ou fingimento, sobre o poder e o valor das palavras, todas foram exprimindo as perspectivas da sua própria experiência ou do seu próprio projecto.

    Apenas Patrícia Lino defendeu frontalmente a sua obra como muito mais fingimento literário, do que relato autobiográfico. «O mais difícil é falar dos outros, como se fôssemos ele». Mas outras perspectivas aproximaram a visão sobre a obra a partir de outro ângulo, como Joana Silva, que confessou: «A escrita é o único momento do dia em que sou eu mesma».

    Marta Baptista, por sua vez, entendia a sua própria escrita como uma «purificação, para afugentar medos e angústias». Diana Miriam Dias considerou que «um dia gostava de conseguir fingir». Por agora escrevia sobre ela.

    Finalmente, Rita Coelho considerava a Poesia «uma libertação», um «alerta», mas avisava que a Poesia estava a morrer. Patrícia Lino discordou frontalmente e confidenciando que lia muita poesia de jovens autores portugueses, encontrava aí muita qualidade (Gonçalo M. Tavares, José Luís Peixoto, valter hugo mãe).

    Por fim falou-se da necessidade de multiplicar os eventos sobre a Poesia e de a dar a conhecer.

    Todas concordaram.

    Por: LC

     

     

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